Pontos, concorrentes e o próximo jogo. Três coisas que definem tudo para o Alavés nesta reta final da La Liga 2025/26. A equipe de Vitória está na 18ª posição com 37 pontos, apenas um a menos que o Girona, primeiro time fora do Z-3, e precisa transformar os três jogos restantes em uma campanha de sobrevivência.
A matemática que assombra Vitória
O Alavés perdeu por 2 a 4 para o Athletic Club na última partida em casa, e o empate por 1 a 1 diante do Elche antes disso resume bem a irregularidade da equipe de Quique Sánchez Flores: em oito jogos, apenas duas vitórias e três derrotas. Isso em termos de xG (gols esperados) representa um time que cria chances medianas e desperdiça oportunidades defensivas a cada ciclo ofensivo do adversário.
Para contextualizar a gravidade, pense no trânsito da Avenida Borges de Medeiros em Porto Alegre numa tarde de chuva — tudo travado, sem margem de manobra, cada centímetro disputado. É exatamente assim que o Alavés vive a tabela agora: um ponto de diferença para sair da zona de rebaixamento, com rivais diretos jogando simultaneamente.
Após o duelo desta quarta contra o Barcelona, o calendário reserva Real Oviedo e Rayo Vallecano. Dois adversários teoricamente mais acessíveis — mas de nada adianta chegar com pressão máxima nas últimas rodadas se o resultado desta noite for negativo.
O Alavés de hoje lembra times que já escaparam assim
Há um precedente que os torcedores bascos conhecem bem. Em 2022/23, o próprio Alavés foi rebaixado com 44 pontos — um número que hoje parece distante. Mas o Celta de Vigo de 2016/17 escapou do descenso vencendo justamente um adversário campeão na penúltima rodada, quando o Real Madrid entrou em campo com rotações pesadas. A lógica era a mesma: time grande sem nada a perder, time pequeno com tudo em jogo.
A diferença hoje é que o Barcelona de Hansi Flick não está simplesmente cumprindo tabela. O clube catalão persegue a marca histórica de 100 pontos — atualmente soma 91 em 35 rodadas — e quer superar o recorde compartilhado pelo Real Madrid de José Mourinho (2011/12) e pelo próprio Barça de Tito Vilanova (2012/13). Isso significa que, mesmo com rotações, Flick não vai simplesmente entregar os três pontos.
Segundo o técnico alemão, declarado antes da viagem a Vitória, ele não abre mão do nível competitivo:
"Joan é o número 1 e Tek, o número 2"foi a resposta de Flick quando perguntado sobre possível rodízio no gol — deixando claro que as mudanças têm limite. Ainda assim, a escalação confirmada traz sete alterações em relação ao Clásico: Szczesny na meta no lugar de Joan García, o estreante Álvaro Cortés de 21 anos ao lado de Cubarsí, e Balde e Koundé nas laterais. Frenkie de Jong, Fermín e Raphinha (suspenso) ficam fora.
Métricas revelam o desafio defensivo do Alavés
Analisando os dados desta temporada, o desafio do Alavés fica ainda mais nítido quando se olha para três métricas específicas:
- PPDA (passes permitidos por ação defensiva): o Barcelona tem um dos melhores índices de pressing da La Liga, com PPDA próximo de 7 — ou seja, permite pouquíssimos passes antes de agir defensivamente. Para o Alavés construir jogadas, precisará escapar dessa pressão alta com passes progressivos rápidos.
- xG contra por partida do Alavés: a equipe basca está entre as mais vulneráveis da liga, especialmente em casa quando o adversário tem qualidade técnica para explorar os espaços nas costas da linha defensiva. Os 4 gols sofridos para o Athletic Club ilustram esse padrão.
- Progressive passes do Barcelona: mesmo com reservas, o modelo de jogo de Flick mantém alta densidade de passes progressivos — bolas que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário. Lewandowski, que marcou em quatro dos últimos cinco jogos como titular e soma 13 gols na temporada, continua sendo o referencial ofensivo central após a saída de Lamine Yamal por lesão.
O levantamento do SportNavo sobre o desempenho do Alavés como mandante mostra 24 pontos em 17 jogos em casa — apenas a 14ª melhor campanha nesse recorte. Enquanto isso, o Barcelona visitante acumula 37 pontos em 17 deslocamentos, a melhor marca da competição.
O que Quique Sánchez Flores precisa acertar esta noite
A estratégia mais plausível passa por um bloco defensivo compacto e transições rápidas. Com Toni Martínez como referência ofensiva e a possível escalação de Sivera, Otto, Tenaglia, Ibáñez e Blanco no miolo, o Alavés precisa reduzir ao máximo o xA (expected assists) gerado pelo meio-campo barcelonista — Pedri e Gavi constroem boa parte dos ataques catalães com xA acima de 0,20 por jogo.
"A intensidade, o orden defensivo e a capacidade para sostener el ritmo podrían ser claves", como apontou a cobertura espanhola do jogo — e é exatamente o roteiro que Flores tentará implementar no Mendizorroza.
O histórico recente é cruel: o Alavés não vence o Barcelona desde setembro de 2016. No primeiro turno desta temporada, em novembro, perdeu por 3 a 1 no Spotify Camp Nou. Mas a condição de mandante e a urgência da situação criam uma atmosfera diferente — e times pressionados em casa com a torcida empurrando já produziram surpresas maiores nesta La Liga.
Se o Alavés perder esta noite, chegará às últimas duas rodadas precisando vencer Oviedo e Rayo enquanto torce contra Girona e os demais rivais diretos — uma equação que beira o impossível. A vitória, por outro lado, mantém tudo em aberto até a última rodada. Quarenta mil torcedores no Mendizorroza, a bola rolando às 16h30 no horário de Brasília, e um time que sabe que perder hoje pode significar jogar a Série B espanhola em 2026/27.








