Treinou. E quando Alex Pereira saiu da academia depois das sessões com Sean Strickland, ele carregava uma convicção clara sobre o que o americano precisaria fazer no sábado, dia 9 de maio, no Prudential Center, em Newark, para se tornar o primeiro lutador a derrotar Khamzat Chimaev no MMA profissional.
O que dois ex-campeões descobriram juntos no ginásio
Antigos companheiros de treino na Xtreme Couture, em Las Vegas, Poatan e Strickland voltaram a dividir o octógono de treino neste camp decisivo. A relação entre os dois tem história: o brasileiro esteve no corner de Strickland no UFC 312, em fevereiro, quando o americano perdeu para Dricus Du Plessis na revanche pelo cinturão dos médios. Agora, com Poatan se preparando para a disputa do cinturão interino dos pesados contra Ciryl Gane, marcada para 14 de junho, as sessões de sparring se tornaram uma troca de mão dupla — e revelaram muito sobre como Strickland funciona quando está afiado.
Pereira foi direto ao ponto ao falar sobre o que observou. Para o peso-pesado brasileiro, o estilo de Strickland tem qualidades que podem incomodar Chimaev — mas só se o americano mantiver a luta em pé e usar o boxe com precisão cirúrgica.
"Antes da nossa luta pude ver no octógono a transformação no rosto dele. É um guerreiro. Treinamos a primeira vez depois que a gente lutou e eu aprendi muito com ele. É um cara muito experiente. A minha torcida é para o Sean Strickland, com certeza. Todo mundo sabe. Ele precisa manter a postura, tomar cuidado com as quedas, usar bem o jab e o frontal. Estou muito animado para essa luta, motivado e espero que ele saia com essa vitória", declarou Alex Pereira.
O problema que Chimaev representa para qualquer striker
O diagnóstico de Poatan converge com o que os analistas vêm repetindo desde que a luta foi anunciada: o wrestling de Chimaev é o maior obstáculo para Strickland. O checheno acumulou 72 tentativas de takedown bem-sucedidas no UFC antes de conquistar o cinturão — um número que, comparado à média dos médios da organização, tem a mesma distância proporcional que separa Manaus de Salvador em linha reta: vasta, quase intransponível para quem não está preparado.

Robert Whittaker, que já enfrentou Chimaev e conhece de perto o que é ser dominado pelo grappling do russo, não esconde o ceticismo em relação às chances de Strickland. O australiano projeta um resultado pesado para o americano.
"Todos nós queremos saber se o Strickland tem o que é necessário por tudo que ele vem falando. Ele fala muito e quase me convence de que ele consegue. Mas tendo lutado com o Chimaev, e visto o que ele é capaz de fazer uma vez que te agarra — e ele vai agarrar, porque ele entra em queda de muito longe e se entrega completamente. Ele vai te levar para o chão, o importante é o que acontece depois. Vendo que ele também tem o cardio para fazer isso por cinco rounds, se eu tivesse uma arma apontada para a minha cabeça, diria: 'Chimaev vai atropelar ele'", projetou Whittaker.
As odds de apostas refletem esse sentimento: Chimaev entra como favorito expressivo, com Strickland sendo tratado como zebra considerável pela maioria das casas. O UFC, ciente da tensão entre os dois, adotou medidas incomuns: segundo Dana White, os lutadores não ficarão no mesmo hotel e não terão contato fora dos compromissos oficiais da semana — media day na quarta, coletiva na quinta, pesagens na sexta.
O que o UFC 328 coloca em jogo no ranking dos médios
Uma vitória de Chimaev consolidaria o russo como o dominante absoluto da divisão dos médios até 83,9 kg, praticamente sem rival imediato à altura. Uma vitória de Strickland, por sua vez, reabriria o ciclo de disputas da categoria e colocaria nomes como Du Plessis e o próprio Whittaker de volta à fila com urgência. O co-main event do UFC 328 também tem peso no ranking: Joshua Van defende o cinturão dos moscas pela primeira vez contra o japonês Tatsuro Taira, luta que foi adiada do UFC 327 após uma lesão leve de Van.
A transmissão do evento, confirmada pelo MMA Fighting, terá Jon Anik no play-by-play, Joe Rogan como comentarista e Daniel Cormier ao lado. Megan Olivi faz a cobertura dentro da arena. Na mesa de análise, Chris Weidman e Dustin Poirier — que, coincidentemente, revelou recentemente que só voltaria da aposentadoria para enfrentar Nate Diaz — complementam o time de comentaristas ao lado de Kate Scott e Laura Sanko.
O SportNavo acompanhou a movimentação da semana e o que chama atenção é a clareza com que Poatan leu a luta: não há espaço para improviso contra Chimaev. O jab precisa funcionar como escudo e como arma ao mesmo tempo, e os golpes retos precisam criar dúvida suficiente para que o checheno hesite antes de cada entrada de queda.
O que Strickland precisa fazer para que Poatan não se arrependa de torcer
A luta começa às 21h (horário de Brasília) do sábado, 9 de maio, no Prudential Center, em Newark, transmitida pelo Paramount+. Poatan deve estar presente no evento — como esteve no UFC 312 — e, se Strickland conseguir manter a luta em pé e usar o boxe da forma que o brasileiro descreveu nos treinos, o americano terá uma chance real de surpreender o favoritismo esmagador.

Dois homens que já se bateram dentro do octógono, agora lado a lado no mesmo camp, com o cinturão dos médios como pano de fundo. Poatan na arquibancada, Strickland no centro do cage, e Chimaev esperando do outro lado — a cena já está montada.








