Um pênalti para cada lado, uma anulação polêmica via VAR e pelo menos três grandes chances desperdiçadas: o empate em 1 a 1 entre Atlético de Madrid e Arsenal, na quarta-feira (29), no Riyadh Air Metropolitano, foi fiel ao peso de uma semifinal da Champions League. O confronto de volta acontece na terça-feira (5 de maio), às 16h, no Emirates Stadium, em Londres, com o Arsenal pressionando em casa e o Atlético precisando de no mínimo um gol para forçar a prorrogação em caso de novo empate simples.

Como o jogo de ida se desenvolveu

O primeiro tempo foi de estudo mútuo. O Atlético teve a melhor chance com Lookman, que finalizou com qualidade mas encontrou David Raya em boa posição. O Arsenal apostou em Gyökeres como referência ofensiva e chegou ao gol apenas nos acréscimos da etapa inicial: Hancko derrubou o sueco dentro da área aos 42 minutos, pênalti marcado, e o centroavante cobrou no canto para abrir o placar.

No segundo tempo, a resposta colchonera veio rápida. Aos 10 minutos da etapa complementar, finalização de Llorente desviou na perna e depois no braço de Ben White — o VAR chamou o árbitro Danny Makkelie, que converteu a penalidade. Julián Álvarez, mesmo sem estar em plena condição física, cobrou no ângulo e deixou Raya cravado no centro: 1 a 1. O argentino ainda balançou a rede pelo lado de fora numa cobrança de falta aos 49 minutos, antes de ser substituído na segunda metade do segundo tempo.

A cena mais dramática da partida veio aos 63 minutos, quando Griezmann bateu em queda e acertou a junção da trave com o travessão — Raya ficou parado, impotente. Do outro lado, Lookman voltou a assustar aos 74 minutos, mas finalizou em cima do goleiro do Arsenal. A polêmica final envolveu um lance entre Hancko e Eze na área: Makkelie marcou pênalti, revisou no VAR a pedido do assistente Dennis Higler e voltou atrás, entendendo que Eze havia simulado a queda. Aos 95 minutos, Molina ainda finalizou com força e Raya desviou, mas a arbitragem não validou o gol.

Análise tática: onde cada time pode explorar o adversário

A análise do SportNavo sobre o jogo de ida revela que o Arsenal foi mais eficiente na transição defensiva do que o Atlético, mas mostrou fragilidade quando pressionado nas costas dos laterais. Ben White, envolvido no pênalti marcado pelo VAR, e o posicionamento de Declan Rice no bloqueio das jogadas aéreas são pontos que Diego Simeone certamente estudou para o Emirates. O treinador argentino realizou a substituição de Le Normand no intervalo — colocando Pubill na lateral direita e dando mais liberdade a Llorente — e o Atlético melhorou imediatamente.

Mikel Arteta, por sua vez, sacou Ødegaard no segundo tempo para colocar Eze, sinal de que buscava mais velocidade no meio. A saída de Gyökeres, Martinelli e Madueke antes dos 80 minutos indica que o Arsenal administrou o desgaste pensando na volta. Com Saka entrando como substituto, o técnico inglês preservou seu principal criador para o jogo decisivo no Emirates, onde o clube não perde há 15 partidas consecutivas nas competições europeias.

Fatores que pesam no Emirates Stadium

O regulamento atual da UEFA não prevê mais a regra do gol fora de casa como critério de desempate — extinta em 2021. Com isso, um novo empate simples por qualquer placar leva a partida diretamente para a prorrogação, seguida de pênaltis se necessário. Isso muda matematicamente o cálculo de risco de ambas as equipes: o Atlético pode avançar com uma vitória por qualquer placar ou com um empate que leve à prorrogação e seja favorável nas penalidades; o Arsenal precisa vencer no tempo normal para avançar diretamente, ou contar com a prorrogação em caso de 0 a 0 ou qualquer outro empate.

A condição física de Julián Álvarez é uma interrogação real para Simeone. O atacante argentino foi substituído ainda no segundo tempo em Madri, o que sugere algum desconforto muscular. Sua ausência ou limitação no Emirates comprometeria a principal arma de definição do Atlético — ele já marcou sete gols na Champions nesta temporada.

Como o jogo de ida se desenvolveu O que pode decidir Arsenal x Atlético de
Como o jogo de ida se desenvolveu O que pode decidir Arsenal x Atlético de

O histórico de ambas as equipes em semifinais europeias reforça o peso do momento. O Arsenal não disputa uma final da Champions desde 2006, quando foi derrotado pelo Barcelona. O Atlético de Madrid chegou à decisão em 2014 e 2016, perdendo as duas para o Real Madrid. Para os dois clubes, uma vaga na final representa o maior feito na competição em pelo menos uma década.

Os cenários possíveis para o dia 5 de maio

Três caminhos se abrem para o confronto de volta. No primeiro, o Arsenal vence por qualquer placar e garante a classificação direta. No segundo, o Atlético vence e avança independentemente do placar do jogo de ida. No terceiro, qualquer empate — seja 0 a 0, 1 a 1 ou qualquer outro — leva a prorrogação, e a tensão de uma disputa por pênaltis define o finalista. A linha tênue entre esses cenários torna o jogo ainda mais imprevisível: uma expulsão precoce, uma lesão no aquecimento ou um gol nos primeiros minutos pode redefinir completamente a estratégia de Arteta e Simeone.

Conforme levantamento do SportNavo, o Emirates Stadium recebe este confronto com um histórico favorável ao Arsenal em mata-matas europeus: a equipe londrina venceu 7 dos últimos 9 jogos eliminatórios em casa na competição. O Atlético, por sua vez, tem tradição de se fechar taticamente em jogos fora e explorar o contra-ataque — exatamente o que Lookman e Griezmann tentaram fazer no Metropolitano. O jogo de volta promete um Arsenal em busca do resultado e um Atlético disposto a repetir o script que já eliminou times maiores na competição. A bola rola às 16h do dia 5 de maio, com transmissão prevista para o mercado brasileiro.