Perder em casa e ainda assim ser favorito — eis o paradoxo que define o Santos neste domingo, 17 de maio, diante do Coritiba, às 14h (UTC), pelo Brasileirão Betano. O Peixe chega ao Neo Química Arena, na 15ª posição, pressionado após a última derrota e carente de um meio-campo que, historicamente, foi a espinha dorsal de suas maiores conquistas. O Coxa, 10º colocado, chega com o melhor ataque entre os times do pelotão intermediário e com a convicção de quem não viajou ao interior de São Paulo para sair de mãos vazias.

O fantasma do meio-campo que o Santos perdeu

Quem acompanhou o Brasileirão de 1995 — quando o Santos de Pita e Renato terminou o primeiro turno como líder antes de derreter na reta final — sabe que o clube carrega uma sina histórica: quando o meio-campo falha, o time desmorona. Naquele ano, a equipe havia marcado 47 gols em 46 rodadas, mas a fragilidade no setor central custou qualquer chance de título. Três décadas depois, Odair Hellmann enfrenta dilema semelhante: tem peças de qualidade — Giuliano, veterano de 35 anos com passagens por Dínamo Zagreb, Grêmio e Fenerbahçe, e o argentino Carabajal, de pé educado e visão de jogo apurada — mas ainda não encontrou o equilíbrio entre criação e cobertura defensiva.

"A gente tem qualidade no meio, mas precisa ser mais consistente. Uma derrota não apaga o trabalho, mas nos obriga a reagir já", declarou Odair Hellmann em entrevista coletiva antes do confronto.

Giuliano — que completou 200 jogos pelo clube em março deste ano — tem sido o metrônomo ofensivo do setor, com média de 1,8 passes decisivos por partida no Brasileirão. Carabajal, por sua vez, funciona como o jogador de segunda linha que conecta a saída de bola ao último terço. O problema é que, quando o Santos perde a bola no setor, a transição defensiva desmorona com rapidez preocupante.

Mozart e o Coritiba que assusta pelo volume

Mozart — que sobreviveu ao clássico cearense semanas atrás e vem crescendo como nome do circuito — montou no Coxa um sistema que privilegia a ocupação de espaços e a velocidade nas trocas de passe. Robson e Alef Manga formam uma dupla que combina experiência e explosão: Robson, aos 32 anos, é o organizador que dita o tempo da jogada; Alef Manga — revelado nas categorias de base do próprio Coritiba — é quem sai em velocidade quando o adversário se fecha. Juntos, eles respondem por 14 dos 22 gols que tornaram o ataque coxa-branca o mais prolífico entre os times que ocupam a zona do meio da tabela.

"Temos um time que ataca em bloco e defende em bloco. O Santos vai nos respeitar, mas nós também sabemos o que fazer quando o jogo abre", afirmou Mozart em entrevista ao canal oficial do clube antes do embarque para São Paulo.

O esquema de Mozart — um 4-3-3 que se transforma num 4-1-4-1 sem a bola — pressiona a saída adversária com três jogadores ao mesmo tempo. Isso significa que Giuliano e Carabajal terão pouco espaço para girar e criar antes da pressão. A questão tática central desta tarde é: o Santos consegue suportar a marcação alta do Coritiba e usar a qualidade técnica do seu meio para chegar com perigo?

O duelo dentro do duelo no Neo Química Arena

A disputa Carabajal versus Robson — dois jogadores que operam na mesma faixa do campo, embora com funções distintas — pode ser o fio condutor desta partida. Nos últimos quatro jogos do Santos no Brasileirão, o time cedeu 18 duelos de meio-campo para o adversário, segundo dados do Sofascore. O Coritiba, no mesmo período, venceu 62% dos seus confrontos no setor intermediário. Esses números traduzem a vantagem potencial do time paranaense, mas não contam a história completa: o Santos jogará em casa — ainda que no Neo Química Arena, e não na Vila Belmiro —, com o fator anímico da torcida pressionando para a reabilitação.

Odair tem uma escolha a fazer: ou libera Giuliano para jogar mais adiantado, aceitando o risco defensivo, ou o recua como primeiro volante, perdendo parte do repertório criativo. Nenhuma das opções é confortável contra a mobilidade de Robson e Alef Manga.

O que esperar da tarde em São Paulo

A lógica aponta para um primeiro tempo equilibrado, com o Coritiba buscando explorar as transições e o Santos tentando construir pelas beiradas para driblar a marcação central. O time que dominar o meio-campo entre os 25 e os 40 minutos do primeiro tempo tende a ditar o ritmo da etapa complementar — padrão que se repetiu em sete dos últimos dez jogos do Coxa nesta edição do campeonato. Para o Santos, uma derrota poderia significar a queda para a zona de rebaixamento ainda nesta rodada, a depender dos resultados paralelos. Para o Coritiba, uma vitória consolida a posição no meio da tabela e abre distância de seis pontos para o Z-4. O jogo tem início às 14h (UTC) e pode ser acompanhado ao vivo pelo Sofascore, com placar em tempo real e estatísticas detalhadas.