Os 45 mil ingressos já tinham sumido em horas. Antes mesmo de qualquer confirmação oficial, a Neo Química Arena estava esgotada para o domingo (17) — um jogo entre um time na 15ª posição do Brasileirão e o Coritiba, válido pela 16ª rodada. O que movia aquela demanda não era a tabela: era a possibilidade de ser a última vez que Neymar entrasse em campo com a camisa do Santos antes de uma Copa do Mundo. A ansiedade do público já havia precificado o que a CBF ainda não havia anunciado.

O telefonema que a diretoria do Santos não esperava tão cedo

A CBF entrou em contato com o Santos para obter dados médicos e de desempenho sobre Neymar — movimento que, no protocolo das convocações, equivale a uma confirmação não-oficial. Duas fontes independentes ouvidas pela imprensa foram categóricas: uma delas dispensou qualquer cautela e disse "100%, pode cravar"; a outra preferiu uma margem menor de exposição, mas admitiu que "a chance é enorme". O técnico Carlo Ancelotti anunciará os 26 convocados na segunda-feira (18), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O entorno de Neymar afirma que ele não sabe da decisão final e está ansioso.

Nesta segunda passagem pelo Peixe, iniciada em janeiro de 2025, Neymar acumula 44 jogos, 18 gols e nove assistências — números que colocam sua participação acima da média do elenco e que embasaram tecnicamente a consulta da CBF. A questão, porém, não é mais se ele vai à Copa: é o que acontece com o vínculo depois que o torneio terminar.

Preservação em campo e o que ela significa para o contrato

Caso a convocação se confirme no dia 18, existe uma possibilidade concreta e já discutida internamente: Neymar pode ser poupado pelo Santos até o início da competição, transformando o jogo contra o Coritiba em sua última partida do semestre pelo clube. Essa decisão, que parece puramente técnica, carrega um peso institucional significativo — cada semana sem atuar é uma semana em que o debate sobre renovação fica congelado, e o Santos perde poder de barganha na narrativa.

O telefonema que a diretoria do Santos não esperava tão cedo O Santos vendeu a i
O telefonema que a diretoria do Santos não esperava tão cedo O Santos vendeu a i

Há algo de O Poderoso Chefão nessa dinâmica: as decisões mais importantes nunca são tomadas na mesa principal, mas em conversas laterais que ninguém registra oficialmente. A preservação de Neymar até a Copa, se confirmada, não é apenas uma medida de saúde — é um reposicionamento de poder. Quem controla o calendário do jogador nos próximos meses não é o Santos.

Marcelo Teixeira tenta segurar a narrativa — os números complicam

Em entrevista à ESPN Brasil, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, foi enfático ao rebater qualquer especulação sobre saída antecipada:

"Quando trouxemos o Neymar, em janeiro de 2025, grande parte da imprensa dizia que ele ficaria no Santos por apenas seis meses antes de ir para os Estados Unidos. Já se passou um ano e meio e ele continua conosco. A expectativa do Santos e do próprio Neymar é dar continuidade ao trabalho e que ele permaneça até o fim do contrato, em dezembro", declarou Teixeira.

O argumento tem mérito histórico — a previsão de saída rápida não se concretizou. Mas o contexto atual é diferente de janeiro de 2025: agora há uma Copa do Mundo no horizonte imediato, um contrato que vence em dezembro sem renovação anunciada, e um jogador que, aos 34 anos, pode ter no torneio sua última grande vitrine para definir o próximo passo da carreira. O Santos está na 15ª colocação do Brasileirão com 16 pontos após 15 rodadas — número que não cria urgência esportiva capaz de segurar ninguém.

"A chance é enorme", disse uma das fontes consultadas pela imprensa sobre a convocação de Neymar — e essa frase resume também a dimensão do desafio que o Santos enfrenta para manter o jogador depois de julho.

O jogo contra o Coritiba, no domingo (17), às 11h (horário de Brasília), na Neo Química Arena, com casa cheia e 45 mil torcedores, pode ser o encerramento de um ciclo — não pelo drama, mas pela matemática: Copa em julho, contrato até dezembro, 15ª posição na tabela. Os bastidores já estão em movimento. O Santos precisa da vitória para subir na classificação, e Neymar entra em campo sabendo que, na segunda-feira, o telefone vai tocar.