O Sevilla consegue se salvar? A pergunta parece simples, mas quem acompanha os números desta temporada da La Liga sabe que a resposta não é direta. O clube que foi campeão europeu seis vezes pela UEFA Cup/Europa League está, em maio de 2026, brigando para não cair para a Segunda División — e o empate por 2-2 contra o Villarreal em La Cerámica, na 36ª rodada, resume bem essa contradição.

O Sevilla levou dois gols nos primeiros 20 minutos, de Gerard Moreno e Mikautadze, e parecia estar afundando de vez. Aí veio a reação: Oso descontou no minuto 36 com um golazo de controle e drible dentro da área, e Kike Salas empatou nos acréscimos do primeiro tempo com uma volea após passe de Rubén Vargas. É exatamente esse padrão — sofrer cedo, reagir tarde — que define a temporada nervionense.

O que os números revelam sobre o colapso do Sevilla em 2025/26

Vamos aos dados, porque eles contam uma história mais dura do que qualquer narrativa emocional. O Sevilla desta temporada apresenta um xG (expected goals) acumulado defensivo entre os piores do campeonato — ou seja, a equipe concede chances de qualidade real para os adversários, não apenas chutes de fora da área. Quando um time sofre dois gols em 20 minutos contra o Villarreal, que não é Barcelona nem Real Madrid, isso não é azar: é padrão.

Três métricas que explicam a crise sevilhana nesta temporada:

  • PPDA (passes permitidos por ação defensiva) elevado — o Sevilla pressiona pouco e mal no campo adversário, deixando o rival construir com conforto. Contra o Villarreal, o Submarino Amarelo dominou os primeiros 20 minutos exatamente porque encontrou espaço para progredir sem resistência.
  • Progressive passes ofensivos abaixo da média da La Liga — a equipe do técnico García Plaza tem dificuldade de avançar a bola em direção ao gol com consistência, o que explica por que os ataques chegam em fluxos irregulares, não como pressão sustentada.
  • Defensive actions no terço médio insuficientes — o time não intercepta, não pressiona, não recupera bola antes que o perigo se forme. O gol de Mikautadze no primeiro tempo é consequência direta disso.

Para comparar: o Sevilla que chegou à final da Champions League em 2007/08 — eliminado pelo Manchester United — tinha um dos blocos defensivos mais organizados da Espanha, com uma linha de pressão consistente que hoje simplesmente não existe no plantel atual.

A reação de Oso e Kike Salas aponta algum caminho real

Há um dado positivo no caos. O gol de Oso no minuto 36 não foi sorte: foi uma jogada de qualidade técnica individual, com controle em carrera, drible sobre Freeman e finalização precisa. E o gol de Kike Salas nos acréscimos — uma volea após centro de Rubén Vargas — mostrou que o time tem capacidade de criar xA (expected assists) em situações de bola parada e cruzamento, algo que o SportNavo mapeou como um dos poucos pontos fortes do Sevilla nos últimos meses.

O problema é que essa qualidade aparece em surtos, não como sistema. A segunda metade em La Cerámica começou com o Villarreal novamente pressionando o campo sevilhano, gerando ocasião de perigo aos 50 minutos, antes de o Sevilla se recompor. Maupay teve uma chance desperdiçada antes do intervalo quando seu chute foi bloqueado por um defensor. São lampejos, não dominância.

"Final do primeiro tempo com magnífica reação do Sevilla! Após um mau começo e receber dois gols em 20 minutos, o time de García Plaza se levantou e empatou o choque ao borde do descanso", descreveu o Estadio Deportivo na cobertura ao vivo da partida.

A narrativa do empate é bonita. Mas um ponto em La Cerámica, quando você está na zona de rebaixamento com duas rodadas para jogar, não é conquista — é obrigação mínima.

O que os números revelam sobre o colapso do Sevilla em 2025/26 O Sevilla ainda c
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O que o Sevilla precisa nas últimas rodadas para sair da zona

Com o empate por 2-2, o Sevilla segue na zona de rebaixamento e depende de uma combinação de resultados para escapar. Restam duas rodadas na La Liga 2025/26, e o calendário não perdoa. A equipe de García Plaza precisa vencer — não empatar, não pontuar: vencer — e torcer para que os concorrentes diretos tropecem.

O padrão desta temporada é preocupante porque não é novidade. Nos anos 90, o Sevilla já viveu um ciclo parecido de instabilidade — o clube foi rebaixado para a Segunda División em 1997 e levou três temporadas para se reestruturar. A diferença é que naquela época o mercado espanhol era outro, e o impacto financeiro de uma queda era menor. Em 2026, com contratos de TV e fair play financeiro em jogo, um rebaixamento seria estruturalmente devastador.

A reação de Oso e Kike Salas aponta algum caminho real O Sevilla ainda consegue
A reação de Oso e Kike Salas aponta algum caminho real O Sevilla ainda consegue

O xG ofensivo do Sevilla nesta reta final precisa se converter em gols reais, não em chances desperdiçadas como a de Maupay contra o Villarreal. E o PPDA defensivo precisa cair — o time tem que começar a pressionar mais alto, recuperar bola antes que o adversário chegue à área. São ajustes táticos que García Plaza conhece, mas que exigem execução que ainda não apareceu de forma consistente.

"Empate a dois em La Cerámica após um primeiro tempo de muito domínio do Villarreal, mas no qual o Sevilla melhorou consideravelmente nos últimos minutos", registrou a cobertura do ABC Orgullodenervion, sintetizando bem a montanha-russa nervionense.

O Sevilla volta a campo na 37ª rodada com a obrigação de vencer em casa. Uma derrota ou empate pode selar matematicamente o rebaixamento antes da última jornada — e aí nem a história do clube nem os gols de Kike Salas vão resolver.