O silêncio do Etihad Stadium durou mais do que qualquer derrota isolada consegue explicar. O Manchester City de Pep Guardiola atravessa, na temporada 2025/2026, o pior momento desde que o técnico catalão chegou ao clube em 2016 — e os números são cirúrgicos em apontar o colapso.
O que os dados dizem sobre a queda do City na Premier League
Nas quatro temporadas em que conquistou o título da Premier League entre 2021 e 2024, o City jamais ultrapassou seis derrotas em 38 rodadas. Em 2025/2026, já acumula sete em apenas 25 partidas. A matemática é brutal: a equipe sofreu mais derrotas em dois terços da temporada do que em qualquer campanha completa recente.
A posse de bola segue elevada — o City raramente opera abaixo de 58% de controle de bola —, mas os dados de progressão no último terço do campo e de conversão de chances criadas estão abaixo da média dos últimos três anos. A transição ofensiva, pilar do sistema de Guardiola, perdeu a cadência que Rodri garantia ao controlar o ritmo de saída de bola.
Rodri, vencedor da Bola de Ouro, rompeu o ligamento do joelho em setembro de 2025 num duelo contra o Arsenal. A ausência do espanhol desmantelou a compactação do bloco médio e expôs fragilidades que o próprio Guardiola nunca precisou administrar por tanto tempo seguido.
As lesões e saídas que fragmentaram o modelo tático de Guardiola
A linha de pressão do City opera com sincronismo que depende de peças específicas. Com Manuel Akanji e John Stones também desfalcando o time nas últimas semanas, a cobertura defensiva ficou assimétrica — o que explica, em parte, derrotas como o 4 a 1 para o Sporting na fase de liga da Champions League em novembro de 2025 e o 2 a 1 para o Bournemouth no mesmo mês.
Kyle Walker, lateral que operava como pivô de saída de bola pelo corredor direito, solicitou transferência e foi emprestado ao AC Milan na janela de janeiro de 2026. Não foi uma perda apenas de qualidade individual: foi a remoção de um elo funcional no esquema de construção de jogo em três quartos de campo.
Reconstruído.
O City chegou a ficar sete jogos consecutivos sem vencer e registrou apenas uma vitória em 13 partidas em determinado trecho da temporada — sequências que não têm precedente na era Guardiola no clube.
O futuro de Guardiola entre renovação e ruptura
A leitura dominante sobre a crise aponta para um ciclo simplesmente desgastado: dez anos de pressão máxima, elenco envelhecido em posições-chave, e um sistema tático que adversários já mapearam com precisão. Sob essa ótica, a saída de Guardiola ao fim da temporada seria a conclusão natural de um projeto cumprido.
A contra-leitura, porém, merece peso. Guardiola assinou extensão contratual em novembro de 2025, quando a crise já estava instalada. Isso não foi um gesto impulsivo — foi uma declaração de que ele acredita em reconstrução. Segundo apuração do SportNavo, o técnico tem interesse direto em remodelar o elenco com perfis mais jovens e verticais, adaptando o bloco baixo que tentou implementar sem sucesso nesta temporada.
A síntese mais honesta está no meio: Guardiola permanece, mas o City que se conheceu entre 2017 e 2024 não volta. Segundo o jornal britânico The Telegraph, a percepção nos bastidores do clube é de que, se o técnico pedir para sair, o presidente Khaldoon Al Mubarak não criará obstáculos.
"A sensação nos bastidores é de que, caso Pep peça para sair, o presidente Khaldoon Al Mubarak não deve impor resistência", reportou o The Telegraph.
A temporada ainda não terminou. O City mantém vaga no G4 da Premier League e tem chances aritméticas de título, mas precisaria de uma sequência de resultados que não exibiu em meses. O próximo teste de pressão máxima chega nos jogos finais da Premier League, onde qualquer tropeço pode custar a vaga direta na próxima edição da Champions — o que tornaria a reconstrução do elenco ainda mais cara e complexa no mercado de transferências do verão europeu de 2026.
O silêncio do Etihad Stadium já dura meses e Guardiola ainda não encontrou a resposta.









