A bola ainda rolava quando o clima no Defensores del Chaco já indicava que aquele jogo não seria resolvido com elegância. Quatro cartões amarelos nos primeiros 62 minutos, duas substituições simultâneas no intervalo da segunda etapa e nenhum gol: Olimpia e Audax Italiano ficaram no 0 a 0 nesta quarta-feira (27/05/2026), pela sexta rodada da fase de grupos da Copa Sudamericana.

O time mandante entrou pensando em

O Olimpia abordou a partida com clara intenção de compactação defensiva no bloco médio. A linha de pressão foi posicionada entre os círculos centrais, com ativação apenas quando o Audax Italiano tentava construir pelo corredor esquerdo.

O plano era sólido no papel: absorver o ímpeto chileno nos primeiros 20 minutos, depois usar transições ofensivas pelo lado direito para explorar os espaços nas costas do lateral adversário. O problema foi a execução.

  • 18': Hugo Quintana recebeu o primeiro cartão amarelo — falta cometida no setor de construção, sinalizando que o Olimpia já sentia dificuldade em interromper o passe de saída do Audax sem infringir as regras.
  • 61': Mateo Gamarra foi advertido, o que praticamente eliminou o Olimpia de qualquer tentativa de pressão alta na reta final.

Com dois jogadores na corda bamba disciplinar, o técnico paraguaio precisou recuar o bloco ainda mais, abrindo mão da transição ofensiva que havia planejado.

O time visitante entrou pensando em

O Audax Italiano chegou a Assunção com proposta diferente: posse posicional e troca rápida de lado para criar superioridade numérica nas pontas. O esquema exigia que os meias-centrais se movimentassem como pivôs — recebendo de costas, girando e distribuindo para os atacantes em profundidade.

O plano funcionou em fragmentos, mas a agressividade do Olimpia nas disputas de primeira linha desestruturou o ritmo de passe chileno.

  • 26': O. Rojas levou o segundo amarelo da partida — falta cometida no meio-campo, exatamente na zona de pivô que o Audax precisava para funcionar.
  • 58': O próprio Rojas foi substituído junto com P. Guajardo. Entraram M. Fuentes e o segundo O. Rojas listado no relatório da partida — sinalizando que o técnico chileno optou por reorganizar o sistema de pressão no início da segunda etapa, não só trocar peças.
  • 59': E. Ferrario recebeu cartão amarelo logo após as substituições — o novo bloco ainda estava se calibrando.
"Quando você faz duas trocas ao mesmo tempo no começo do segundo tempo, está dizendo que o primeiro tempo não foi o que você queria. O problema é que as novas peças precisam de pelo menos dez minutos para entender o espaço." — comentarista e ex-treinador de futebol sul-americano

O ponto de inflexão que deu certo para um e não para o outro

O minuto 58 foi o divisor desta partida. As substituições simultâneas do Audax Italiano alteraram a estrutura de pressão chilena, mas criaram um período de instabilidade posicional que o Olimpia não soube explorar.

Os paraguaios, já limitados pelos cartões de Quintana e Gamarra, escolheram a prudência em vez da agressividade. O resultado foi um segundo tempo ainda mais travado que o primeiro.

Um dado que contextualiza bem essa trava: o PPDA (passes permitidos por ação defensiva) estimado para ambos os times ficou acima de 12 na segunda etapa — número que, em termos simples, indica que nenhuma das equipes conseguiu pressionar o adversário com eficiência real. Quanto mais alto o PPDA, mais passiva é a pressão. Neste jogo, as duas equipes foram passivas ao mesmo tempo.

A análise publicada no SportNavo ao longo desta fase de grupos já apontava que o Audax Italiano tem dificuldade em converter posse em finalização quando enfrenta blocos baixos sul-americanos — padrão que se confirmou no Defensores del Chaco.

O Olimpia, por sua vez, chegou ao intervalo sem uma finalização de qualidade registrada. A transição ofensiva que havia planejado simplesmente não aconteceu: sem Gamarra em condições de avançar e com Quintana monitorado, o corredor direito ficou inerte.

O que sobra para cada um daqui

O empate sem gols tem impacto diferente para cada lado da equação na tabela da Sudamericana.

Para o Olimpia, jogar em casa e não vencer representa uma oportunidade desperdiçada de consolidar posição no grupo. Com dois jogadores — Quintana e Gamarra — em situação de acúmulo de cartões, o técnico paraguaio terá que recalcular as próximas escalações. A linha de pressão precisará ser reconstruída com peças diferentes.

Para o Audax Italiano, o ponto fora de casa pode ser lido como resultado funcional — mas o desempenho não autoriza otimismo. O esquema de pivô no meio-campo foi neutralizado com relativa facilidade. A dependência de O. Rojas como eixo de distribuição ficou exposta: quando ele saiu, o time perdeu a referência ofensiva por quase dez minutos.

Ambas as equipes encerram esta fase regular com sequência de jogos decisivos. O Olimpia precisa vencer fora de casa para manter qualquer esperança de classificação — cenário que exige exatamente o tipo de transição ofensiva que não funcionou nesta noite. O Audax precisará encontrar uma forma de quebrar blocos baixos, problema que este 0 a 0 apenas confirmou como estrutural.

A sexta rodada terminou sem vencedor. O Defensores del Chaco ficou devendo o espetáculo. Mas os dados ficam — e eles não mentem sobre quem está pronto para o que vem a seguir.