Trinta e três jogos. É o número que separa um zagueiro de passagem de um zagueiro que virou projeto. E quando você olha para a temporada 2025/2026 do Sunderland, esse número pertence a Omar Federico Alderete Fernández — um zagueiro paraguaio de 29 anos que chegou ao nordeste da Inglaterra quase em silêncio e foi ficando, jogo após jogo, como quem ocupa um espaço sem pedir licença.

Alderete nasceu em 26 de dezembro de 1996, tem 188 centímetros e 77 quilos — a proporção clássica do zagueiro europeu moderno, aquele que não é um armário mas também não é levado pelo vento. Veste a camisa 15 no Sunderland e, nesta temporada da Premier League, somou ainda 1 gol e 1 assistência — números modestos na superfície, mas que contam outra história quando você entende que zagueiros se medem por coisas que o placar não registra.

Para contextualizar: quando o Milan de Costacurta e Baresi dominava a Serie A nos anos 90, o que tornava aquela defesa histórica não era a quantidade de gols marcados pelos zagueiros — era a consistência, a presença em campo, a capacidade de aparecer em 90% dos jogos sem ceder espaço. Alderete, na temporada atual, jogou 33 de uma temporada que mal passa de 38 rodadas na Premier League. Isso é presença. Isso é confiança do treinador.

"Zagueiro bom é aquele que você só nota quando ele não está em campo. Quando ele joga, o time simplesmente funciona." — Comentarista técnico de defesa, durante análise da temporada do Sunderland

Se ele for transferido neste mercado

O mercado de verão europeu de 2026 se abre num momento em que zagueiros com experiência em Premier League valem ouro. Não é retórica — é lógica de mercado. Desde que a liga inglesa passou a ser a vitrine global do futebol, um defensor que acumula mais de 30 jogos numa temporada da competição automaticamente entra no radar de clubes da Bundesliga, da La Liga e até da Serie A em fase de reconstrução. Alderete tem 29 anos — idade em que um zagueiro europeu está no pico da maturidade posicional, longe do desgaste dos 33 ou 34 anos, mas com experiência suficiente para liderar uma linha defensiva.

Se uma transferência se concretizar, o cenário mais provável seria um clube de médio porte de liga europeia de alto nível buscando estabilidade defensiva sem pagar os valores astronômicos exigidos por zagueiros de elite. A janela paraguaia no futebol europeu ainda é relativamente estreita — o país não exporta defensores com a frequência do Uruguai ou da Argentina — o que torna Alderete uma figura com algum valor de raridade. Um eventual comprador estaria adquirindo não apenas o jogador, mas também uma temporada inteira de dados em ambiente Premier League.

Se permanecer no clube atual

A permanência no Sunderland pode ser o cenário mais transformador dos três. O clube, que passou anos oscilando entre divisões e reconstruindo sua identidade, encontrou na temporada 2025/2026 uma espinha dorsal defensiva que não existia há muito tempo. Alderete, com 33 jogos disputados, é parte central dessa estrutura. Perder esse equilíbrio para uma janela de transferências seria um risco considerável para um projeto que ainda está em construção.

Historicamente, quando clubes em ascensão vendem suas peças defensivas no meio de um ciclo — pense no Bolton de Sam Allardyce no início dos anos 2000, ou no Fulham que subiu e desmontou o time antes de consolidar — o resultado costuma ser uma regressão que leva duas ou três temporadas para ser corrigida. O Sunderland tem consciência disso. Manter Alderete seria uma declaração de intenção: o clube não está mais no modo de sobrevivência, está no modo de construção.

Se ele for transferido neste mercado Omar Alderete e os três futuros que o Su
Se ele for transferido neste mercado Omar Alderete e os três futuros que o Su

Com 29 anos e um contrato vigente, o paraguaio teria ainda pelo menos dois ou três anos de alto rendimento pela frente caso permaneça. Uma renovação bem estruturada poderia transformá-lo num dos pilares da defesa do Sunderland para a segunda metade da década — algo que o clube não tinha desde os anos de hegemonia na Premier League, antes da queda.

Se mudar de função tática

Há um terceiro caminho que poucos discutem, mas que o futebol europeu moderno tornou cada vez mais relevante: a adaptação tática do zagueiro para funções híbridas. Com 188 centímetros e bom passe, Alderete tem o perfil físico e técnico para atuar como terceiro zagueiro num sistema de três, ou como um dos laterais altos em linhas de cinco — funções que exigem leitura de jogo apurada e capacidade de transição, não apenas força defensiva.

O modelo não é novo. Pense em como Sergio Ramos foi gradualmente transformado de zagueiro clássico para um defensor que participava ativamente da construção — ou em como Alessandro Nesta, no Milan de Ancelotti nos anos 2000, era usado como primeiro passe da saída de bola. Alderete, aos 29 anos, ainda tem margem técnica para absorver uma função expandida. Se o treinador do Sunderland decidir explorar essa versatilidade, o paraguaio pode se tornar um jogador diferente do que a temporada atual sugere — mais visível, mais participativo, mais valioso no mercado.

A assistência registrada nesta temporada é um dado pequeno, mas sintomático: zagueiros que contribuem com assistências geralmente o fazem em bolas paradas ou em saídas de bola que chegam ao último terço. Isso indica que Alderete não está restrito ao círculo defensivo — ele tem participação no jogo posicional.

O cenário mais provável dos três

Olhando friamente para os três caminhos, a permanência no Sunderland parece o mais realista — e, curiosamente, o mais interessante para o próprio jogador. Clubes que oferecem zagueiros de 29 anos com experiência de Premier League raramente conseguem o que esperam em troca: ou o valor pedido é alto demais para o perfil do comprador, ou a oferta não compensa a estabilidade já conquistada.

Alderete chegou aos 29 anos num clube que está crescendo, numa liga que é a mais assistida do mundo, com 33 jogos de rodagem nesta temporada. Isso não é pouco. É o tipo de posição que defensores experientes levam anos para conquistar — e que se perde em uma janela mal calculada.

A comparação histórica que me ocorre é a de zagueiros que encontraram seu melhor futebol em clubes de médio porte inglês depois dos 27 anos: jogadores que não eram estrelas, mas que se tornaram indispensáveis exatamente porque entenderam o que o clube precisava deles. Não espetáculo. Consistência.

Para o torcedor do Sunderland, o jogo de domingo — qualquer domingo desta reta final de temporada — é uma boa oportunidade para observar Alderete com atenção específica: como ele se posiciona na saída de bola, como reage às transições rápidas do adversário, como ocupa o espaço quando o time perde a posse. Esses detalhes, invisíveis no placar, são os que vão definir qual dos três cenários se concretiza nos próximos meses.