Onze vitórias consecutivas. Esse é o número que melhor define o momento de Marta Kostyuk na temporada de saibro. A ucraniana de 22 anos, atual 23ª do ranking da WTA, garantiu vaga na final do WTA 1000 de Madri ao derrotar a austríaca Anastasia Potapova, 56ª colocada, por 6/2, 1/6 e 6/1 em 1h36 de partida — um placar que, apesar do set cedido, traduz domínio claro sobre a adversária.

Uma trajetória construída ponto a ponto

Chegando a Madri longe do favoritismo, Kostyuk transformou o torneio em vitrine de sua evolução técnica. O segundo set cedido para Potapova poderia ser lido como fragilidade, mas a resposta no terceiro — um devastador 6/1 — revela maturidade tática. Tenistas que reagem a adversidades dentro de um set decisivo com esse nível de consistência raramente chegam às finais de WTA 1000 por acaso. Esta é, justamente, a primeira final de nível 1000 da carreira de Kostyuk.

Segundo levantamento do SportNavo, durante essa sequência de 11 vitórias Kostyuk não enfrentou apenas adversárias de ranking inferior — o caminho até a final de Madri incluiu rivais situadas entre as 60 primeiras do mundo, o que confere peso real à série invicta.

"Estou jogando meu melhor tênis no saibro. Cada semana que passa me sinto mais confiante nessa superfície", declarou Kostyuk após a vitória sobre Potapova, segundo relato publicado pelo portal UOL Esporte.

Os números e o que eles revelam sobre o saibro

Historicamente, Kostyuk era associada às quadras duras — superfície onde acumulou a maioria dos seus pontos de ranking até 2023. A transição para o saibro como superfície competitiva representa uma expansão de repertório técnica significativa. Tenistas que dominam apenas uma superfície raramente ultrapassam a barreira do top 15 de forma sustentada; o head-to-head de Kostyuk em saibro nesta temporada, com 11 vitórias sem derrota, sugere que essa limitação pode estar sendo superada.

A comparação histórica com outras ucranianas é inevitável. Elina Svitolina, que chegou ao ranking 3 do mundo, construiu sua identidade justamente na versatilidade entre superfícies. Lesia Tsurenko, hoje na casa dos 100 do ranking, nunca conseguiu transformar boas fases em consistência de top 20. Kostyuk está claramente no caminho de Svitolina — e os 11 jogos seguidos são o argumento mais sólido para essa comparação.

"Ela está jogando com uma clareza tática que não víamos desde as melhores fases de Svitolina no saibro", observou o ex-treinador e analista André Scala em entrevista publicada durante o torneio.

O que a final significa para o ranking

Com a vaga garantida na final de Madri, Kostyuk já assegurou no mínimo 470 pontos de ranking pelo torneio — volume suficiente para uma subida expressiva a partir da atual 23ª posição. Uma vitória na final pode levá-la ao redor do top 15, dependendo dos resultados paralelos. Para contextualizar: uma tenista que entra num WTA 1000 na 23ª posição e chega à final representa, em termos percentuais, uma performance que coloca a jogadora automaticamente entre as dez mais em forma do circuito naquele momento.

A análise do SportNavo mostra que, das últimas dez finalistas de WTA 1000 que chegaram ao confronto decisivo fora do top 20, seis terminaram o ano dentro das 15 primeiras do mundo — dado que reforça a correlação entre esse tipo de campanha e consolidação no ranking.

Ela pode se firmar no top 10

A pergunta que o circuito feminino começa a fazer tem resposta nos números, não em especulações. Kostyuk completará 23 anos em травні — uma idade em que tenistas como Iga Swiatek já haviam fincado presença permanente entre as cinco primeiras. O perfil técnico da ucraniana — saque potente, jogo de fundo consistente e capacidade de variação no saibro — é compatível com o de uma top 10 sustentável.

A final do WTA 1000 de Madri está programada para o sábado, e Kostyuk aguarda o nome da adversária, que sai do confronto entre as cabeças de chave remanescentes. Uma vitória colocaria a ucraniana diretamente na discussão do top 15 imediato e a credenciaria como uma das principais candidatas a Roland Garros, que começa em menos de três semanas.