Terça-feira, 12 de maio de 2026. Rudi Garcia apareceu diante das câmeras em Bruxelas e leu os 26 nomes que vão representar a Bélgica na Copa do Mundo. Quando Lois Openda não apareceu na lista, a sala de imprensa fez aquele silêncio de quem esperava ouvir algo diferente — mas os números já contavam outra história há meses.
A narrativa popular que não fecha com a realidade
Circulou muito a ideia de que Openda foi cortado por capricho tático ou por alguma rusga nos bastidores da federação belga. Não é isso. O atacante de 26 anos acumula apenas 2 gols em 37 jogos na temporada 2025/26 pelo RB Leipzig, clube alemão onde está emprestado pela Inter de Milão. Pense num pianista de jazz que perdeu o timing — as notas ainda saem, mas o groove sumiu. Openda ainda corre, ainda pressiona, mas o instinto de gol que o projetou na Europa evaporou em algum ponto entre Milão e Leipzig.
Na Inter, o cenário foi ainda mais duro. Openda perdeu espaço no elenco italiano e precisou buscar minutagem por empréstimo justamente para chegar em forma para o Mundial. O plano não funcionou. Segundo apuração do SportNavo, fontes próximas à comissão técnica belga indicam que o desempenho abaixo da média ao longo de toda a temporada foi determinante — não houve debate interno sobre incluí-lo.
Quem Rudi Garcia preferiu no lugar de Openda
Garcia não deixou o ataque descoberto. A aposta do técnico francês recai sobre três perfis bem distintos: Jérémy Doku, ponta do Manchester City e principal arma ofensiva dos Diabos Vermelhos pela velocidade pelas laterais; Romelu Lukaku, veterano que, apesar das polêmicas recentes, segue sendo o nome de referência na área; e Mika Godts, representante da nova geração belga. Leandro Trossard, que vive grande momento pelo Arsenal nesta temporada 2025/26, também entra como alternativa versátil no setor ofensivo… e aí vem o problema para Openda: não sobrou espaço nem como quarta opção.
A Bélgica está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Egito, Irã e Nova Zelândia — adversários que, no papel, permitem que Garcia experimente variações táticas. O técnico costuma alternar entre o 3-4-2-1 e o 4-3-3, valorizando velocidade pelos flancos e transições rápidas. Nesse modelo, Doku é insubstituível. Lukaku é o pivô. Godts é o futuro. Openda, neste momento, não se encaixa em nenhuma dessas funções com consistência.

O que a ausência de Openda revela sobre a Bélgica em 2026
A seleção belga chega ao torneio avaliada em cerca de € 534 milhões (aproximadamente R$ 3,3 bilhões), segundo dados do Transfermarkt, e aposta na mistura entre a chamada Geração de Ouro — Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne, Youri Tielemans e Axel Witsel, provavelmente em sua última Copa — e nomes jovens como Charles De Ketelaere, destaque pela Atalanta, e Amadou Onana. O corte de Openda não enfraquece o ataque; revela, na verdade, que Garcia tem opções suficientes para não carregar um jogador em baixa.
Em 2018, na Rússia, a Bélgica chegou às semifinais e terminou em terceiro lugar, derrotando a Inglaterra na disputa pelo bronze. Era uma geração no auge. Agora, oito anos depois, o técnico precisa equilibrar a experiência dos veteranos com a energia dos jovens — e não há margem para apostas sentimentais.
"A seleção precisa de jogadores no melhor momento, não de nomes", resumiu um membro da comissão técnica belga, segundo fontes europeias.
A estreia da Bélgica na Copa do Mundo de 2026 acontece ainda na fase de grupos, contra adversários que, historicamente, não representam obstáculos intransponíveis para os Diabos Vermelhos. O primeiro desafio real de Rudi Garcia será manter De Bruyne, Courtois, Lukaku e Onana — todos monitorados pelo departamento médico — em condições físicas plenas até as fases eliminatórias, onde a memória de 2018 vai pesar em cada decisão.









