Onze nomes, passaporte carimbado. Carlo Ancelotti declarou, durante evento na sede da CBF na última segunda-feira (2), que a lista dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026 — a ser disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá — ainda não está fechada, mas que um grupo seleto de jogadores já tem lugar garantido independentemente do que aconteça nos próximos meses. Segundo apuração da ESPN e confirmado por fontes ouvidas pelo SportNavo, esses onze são: Alisson, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Casemiro, Bruno Guimarães, Vinicius Jr., Estêvão, Raphinha, Rodrygo, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli.

Uma base de ferro — e um paralelo com o passado

Para quem acompanha a Seleção há décadas, essa arquitetura de "núcleo intocável" não é novidade. Zagallo, em 1994 e 1998, sempre manteve um grupo de oito a dez nomes blindados contra qualquer turbulência de pré-Copa. Felipão fez o mesmo em 2002, quando Ronaldo, Cafu, Lúcio e Rivaldo eram certezas absolutas bem antes da convocação oficial. Ancelotti, com sua experiência de seis títulos da Liga dos Campeões acumulados no banco, adota lógica semelhante: estabilidade no núcleo, competição acirrada nas bordas.

Alisson é o único goleiro entre os onze garantidos — e sua presença dispensa apresentações. Desde a Copa de 2018, na Rússia, o arqueiro do Liverpool acumulou 72 jogos pela Seleção e tornou-se o goleiro com mais clean sheets na história da equipe em eliminatórias sul-americanas. Marquinhos, capitão do PSG e da Seleção, soma mais de 80 partidas com a camisa amarela e atravessou todas as últimas quatro Copas no elenco brasileiro. Gabriel Magalhães, do Arsenal, consolida a zaga com sua leitura tática e qualidade na saída de bola — virtude que Ancelotti valoriza desde seus tempos no Milan e no Real Madrid.

O meio-campo com duas âncoras e o ataque de dar inveja

Casemiro e Bruno Guimarães formam a dupla de volantes inamovível. O primeiro carrega 79 convocações e foi peça central nos títulos do Real Madrid na Liga dos Campeões de 2016, 2017, 2018 e 2022. O segundo, do Newcastle, é provavelmente o jogador de meio-campo mais regular do futebol inglês na temporada atual e o que melhor se encaixa na proposta de Ancelotti de um volante com capacidade de construção. A combinação entre o poder destrutivo de Casemiro e a técnica de Bruno Guimarães lembra, guardadas as proporções, a parceria histórica entre Mauro Silva e Mazinho que sustentou o tetracampeonato de 1994.

No ataque, o quinteto dos garantidos — Vinicius Jr., Raphinha, Rodrygo, Estêvão e Matheus Cunha, além de Gabriel Martinelli — representa a geração mais talentosa de pontas e meias-atacantes do Brasil desde os anos 1990. Vinicius foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2024. Raphinha marcou 14 gols pelo Barcelona na La Liga em 2024/25 até o momento desta publicação. Estêvão, com apenas 18 anos, é o mais jovem do grupo e já demonstrou que Ancelotti não hesita em apostar em jovens — algo que o técnico reforçou ao promover Bellingham como titular absoluto do Real Madrid antes dos 20 anos.

"A lista da Copa do Mundo não está fechada", afirmou Carlo Ancelotti durante o evento na CBF no dia 2, deixando claro que, fora do grupo dos onze garantidos, a disputa segue aberta até maio.

As laterais e a zaga — terreno minado

Se os onze nomes acima dormem tranquilos, os candidatos às laterais vivem uma disputa que mistura desempenho recente e saúde física. Éder Militão, do Real Madrid, aparece na lista dos "quase garantidos" por status, mas a comissão técnica monitora sua recuperação de lesão com cautela. Vanderson, lateral-direito do Monaco e que já figurava nas convocações desde o período de Ramon Menezes, em 2022, é visto como opção real para a posição.

Na esquerda, Alex Sandro é o nome preferido da comissão técnica, segundo informações apuradas. Com passagem por Juventus e Porto, o lateral tem 36 anos e chega à Copa de 2026, se convocado, como o jogador mais velho do grupo — situação semelhante à de Cafú em 2006, quando o capitão da Copa de 2002 disputou seu último Mundial já com 36 anos. Douglas Santos, do Zenit, e Caio Henrique, do Monaco, brigam pela segunda vaga à esquerda com base no desempenho recente nos seus clubes.

Na zaga, Ancelotti quer observar um zagueiro canhoto que possa ser a segunda opção atrás de Gabriel Magalhães. O nome de Alexsandro circula entre os avaliados. A análise do SportNavo aponta que essa busca por um zagueiro destro-/canhoto reflete preocupação tática real: nas últimas três Copas disputadas pelo Brasil, a fragilidade no lado esquerdo da defesa foi explorada pela Alemanha em 2014 (7 a 1), pela Bélgica em 2018 e pela Croácia em 2022.

"Ancelotti e sua comissão técnica usam os jogos no país e na Europa para analisar nomes e afinar o olhar antes da convocação", informou a ESPN, detalhando que os amistosos de março contra França e Croácia serão os últimos testes antes da lista definitiva.

O que esperar de março a maio

Lucas Paquetá e Andrey Santos aparecem como meio-campo em situação intermediária — confirmados para os amistosos, mas sem vaga garantida para a Copa. Paquetá, do West Ham, acumula 74 jogos pela Seleção e marcou 10 gols, mas atravessa momento de instabilidade no clube inglês. Andrey, do Nottingham Forest, é a aposta de médio prazo de Ancelotti para o futuro do meio-campo brasileiro.

A estrutura planejada para a lista final é de 26 nomes distribuídos em três goleiros, quatro laterais, cinco zagueiros, quatro ou cinco volantes e meias, e nove ou dez jogadores de ataque. Com 11 já confirmados e mais sete em posição confortável, restam ao menos cinco vagas verdadeiramente em aberto para os amistosos de março — contra a França, em data ainda a confirmar, e contra a Croácia, adversária que eliminou o Brasil nas quartas de final do Catar em 2022, nos pênaltis. A convocação definitiva está prevista para maio, com a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 marcada para o segundo semestre do ano.