Permaneceu. Oito anos depois de derrubar o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia, seis jogadores que estiveram em campo naquela noite de Kazan ainda carregam a camisa vermelha da Bélgica — e estão convocados para o Mundial de 2026, nos Estados Unidos. O amistoso desta terça-feira, 2 de junho, no Estádio HNK Rijeka Dean Šćulac, na Croácia, terminou 2 a 0 para os belgas e serviu de prova de que essa geração não veio apenas para encerrar ciclo.
A memória de Kazan e os nomes que o Brasil não esquece
Em 6 de julho de 2018, a Bélgica venceu o Brasil por 2 a 1 com gols de Kevin De Bruyne e um contra de Fernandinho, eliminando a seleção canarinho das quartas de final. Dos 23 convocados naquele torneio, seis seguem na lista de Domenico Tedesco para 2026: o goleiro Thibaut Courtois, o lateral Thomas Meunier, o volante Axel Witsel, os meias Youri Tielemans e Kevin De Bruyne, e o centroavante Romelu Lukaku.
O que para o torcedor argentino é uma cicatriz de 1990 contra os alemães, para o brasileiro é Kazan — uma ferida que não fecha porque os responsáveis seguem ativos. Courtois, hoje no Real Madrid, ainda é o melhor goleiro do mundo na posição de quem precisa bater. De Bruyne, agora no Napoli, segue sendo o motor criativo mais refinado da Europa. Lukaku, com 31 anos, marcou o segundo gol desta terça-feira ao receber lançamento de Hans Vanaken em contra-ataque e finalizar com o pé esquerdo no canto inferior direito, no acréscimo.
Tielemans é o mais jovem do grupo: tinha 21 anos em 2018, participou de quatro jogos e distribuiu duas assistências naquele Mundial. Hoje, aos 29, atua com regularidade no ciclo preparatório. Witsel, o mais experiente com 37 anos, migrou da função de volante para a de zagueiro e entrou no segundo tempo desta terça-feira, substituindo Nicolas Raskin aos 79 minutos. Meunier, pelo Lille, segue como lateral-direito de referência.
O amistoso contra a Croácia e o que o placar revela
A vitória por 2 a 0 sobre a Croácia não foi construída com intensidade dos 90 minutos — o primeiro gol saiu ainda no primeiro tempo, e o segundo apenas nos acréscimos da etapa final. O mapa de substituições, com sete trocas belgas entre os minutos 59 e 79, mostra que Tedesco usou a partida como laboratório de rotação. De Bruyne, por exemplo, saiu aos 67 minutos, quando Thomas Meunier também foi substituído.
A Croácia, que vai ao Mundial com Luka Modrić — substituído aos 58 minutos por Luka Sučić — e Andrej Kramarić entre os principais nomes, criou pouco. A melhor chance croata foi uma cabeçada de Ante Budimir bloqueada dentro da área. Hans Vanaken acertou a trave de cabeça antes de dar a assistência para o gol de Lukaku, o que resume bem a dinâmica da partida: a Bélgica controlou sem precisar acelerar.
O técnico Domenico Tedesco tem apostado na convivência entre veteranos e nomes novos. Jérémy Doku, do Manchester City, e Charles De Ketelaere, da Atalanta, começaram como titulares e foram substituídos no segundo tempo. Amadou Onana, do Aston Villa, e Leandro Trossard, do Arsenal, também integram o elenco. A combinação entre os remanescentes de 2018 e essa nova geração é o argumento central da seleção belga para 2026.
"A Bélgica tem jogadores que já viveram grandes momentos em Copas do Mundo e outros que ainda têm fome de escrever a própria história", resumiu análise da cobertura europeia do ciclo preparatório belga.
O que a Copa do Mundo de 2026 reserva para a Bélgica — e para o Brasil
A seleção belga está no Grupo G da Copa do Mundo de 2026 e estreia em 15 de junho contra o Egito, em Seattle. Depois enfrenta o Irã em 21 de junho, em Los Angeles, e a Nova Zelândia em 27 de junho, em Vancouver. O caminho até um eventual confronto com o Brasil só se abriria nas fases eliminatórias.
A lista de 26 convocados traz três goleiros — Courtois (Real Madrid), Lammens (Manchester United) e Mike Penders (Strasbourg) — e uma defesa que inclui Zeno Debast (Sporting CP), Arthur Theate (Eintracht Frankfurt) e Maxim De Cuyper (Brighton). O elenco tem profundidade real em todas as linhas, e não depende exclusivamente dos veteranos para funcionar.
Para a seleção brasileira, a presença de Courtois, De Bruyne e Lukaku no Mundial não é dado estatístico neutro. Esses três jogadores, juntos, foram decisivos em eliminar o Brasil há oito anos. Courtois defendeu o que precisava. De Bruyne marcou um dos gols mais bonitos daquele Mundial. Lukaku pressionou a defesa durante os 90 minutos. Todos os três estarão em campo em algum momento do torneio nos Estados Unidos — e qualquer cruzamento de chaves coloca o Brasil diante de um passado que, ao contrário do que se esperava, ainda não envelheceu.
"Esses jogadores têm experiência de Copa do Mundo que poucos no planeta possuem", destacou análise publicada em matéria do SportNavo sobre o ciclo preparatório das seleções europeias.
A Bélgica volta a campo pela fase de grupos no dia 15 de junho, contra o Egito, em Seattle. A preparação está concluída com uma vitória, um placar limpo e seis fantasmas da Copa de 2018 ainda de pé.










