Quarenta por cento de aproveitamento. Este é o saldo implacável dos dez jogos de Neymar pelo Santos em 2026: quatro vitórias, três empates e três derrotas. O empate sem gols contra o Coritiba na Vila Belmiro cristalizou uma realidade que os números já denunciavam há semanas - o retorno do craque não se traduziu em resultados práticos para o clube.
Os defensores do projeto Neymar argumentam que quatro gols e duas assistências em dez partidas representam números respeitáveis para qualquer atacante. O contra-argumento, porém, é devastador: em apenas uma dessas dez partidas o camisa 10 foi decisivo para uma vitória - contra o Velo Clube, entrando no intervalo. Nos demais nove jogos como titular, o Santos venceu apenas três vezes.
Performance individual mascarada pelos números
Contra o Coritiba, Neymar registrou apenas uma finalização no alvo em todo o jogo. Acertou a trave em cobrança de falta aos 42 minutos do segundo tempo, mas este lance isolado não pode mascarar uma atuação discreta. Conforme observação técnica da partida, o atacante "tirou 5,5 no primeiro tempo e 4 no segundo", além de ter simulado duas faltas durante a partida.
A discrepância entre expectativa e realidade fica evidente na comparação com o adversário da noite. O Coritiba, com 19 pontos no Brasileirão contra 13 do Santos, finalizou nove vezes, três no alvo, e ainda acertou o travessão com Breno Lopes. O time paranaense criou mais chances claras de gol que os donos da casa, mesmo jogando fora de seus domínios.
Impacto tático questionável nos números coletivos
O levantamento do SportNavo com base nos dez jogos de Neymar revela um padrão preocupante: o Santos não apresenta melhora significativa nos indicadores coletivos desde o retorno do craque. A média de gols marcados por partida permanece baixa, e o time continua sofrendo para criar chances claras de gol mesmo com a presença do camisa 10.
"Não é que Neymar esteja jogando mal. É que não está fazendo diferença", resume análise técnica da performance contra o Coritiba.
Esta avaliação encontra respaldo nos números: dos 11 chutes do Santos contra o Coxa, apenas um foi no alvo - justamente o de Neymar. O time como um todo demonstra dependência excessiva das jogadas individuais do craque, sem desenvolver alternativas táticas consistentes.
Cenário desfavorável para Copa do Mundo
Os números atuais colocam em xeque não apenas o projeto Santos, mas as ambições de Neymar para a Copa do Mundo de 2026. Com apenas sete jogos restantes antes da convocação de Carlo Ancelotti - um deles contra o Palmeiras no Allianz Parque, onde provavelmente não atuará - o craque tem margem mínima para impressionar.
A lesão de Estêvão não amplia automaticamente as chances de convocação do camisa 10 santista. Os números de 2026 precisam melhorar drasticamente para que Neymar volte a ser considerado uma opção viável para a seleção brasileira. Quatro gols em dez jogos, com time vencendo apenas 40% das partidas, não representam o patamar esperado para um jogador com ambições de disputar Mundial.

O próximo desafio será o Bahia, fora de casa, no sábado. Para o Santos, é mais uma oportunidade de Neymar provar que os números podem mudar. Para o jogo da volta contra o Coritiba, marcado para 13 de maio, o Peixe terá que reverter não apenas o placar, mas toda uma sequência estatística que questiona a efetividade real do retorno de seu maior ídolo.









