A noite fechou cedo sobre a comunidade de Linha 8 de Maio, no interior de Concórdia, quando familiares abriram a porta de uma residência e encontraram o que nenhuma perícia consegue desfazer. Os corpos de Juçara Lazarin do Prado Scortegagna, 50 anos, e de Luís Scortegagna, 61 anos, servidores municipais, estavam no imóvel de Luís. A Polícia Militar foi acionada na noite de segunda-feira, 11 de maio, e confirmou os óbitos no local, isolando a cena para os trabalhos da Polícia Científica e da Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Concórdia.
A faca, a perícia e a hipótese que a polícia investiga
Uma faca com vestígios de sangue foi encontrada na residência e encaminhada para análise laboratorial — o objeto é a principal peça física do inquérito instaurado pela Polícia Civil de Santa Catarina. A investigação ainda não confirmou se a lâmina foi a arma do crime, e a Polícia Militar informou que não foram identificados sinais aparentes de agressão durante a vistoria inicial. A hipótese preliminar aponta que Juçara teria matado o ex-companheiro e tirado a própria vida, mas os peritos aguardam laudos para confirmar ou redirecionar essa linha. A DIC deve ouvir testemunhas e cruzar depoimentos com os resultados periciais antes de qualquer conclusão definitiva.
Dois anos de separação e um encontro que não deveria ter acontecido
O casal estava separado há aproximadamente dois anos e não dividia o mesmo endereço — detalhe que a polícia considera relevante para reconstruir a dinâmica dos eventos. Luís atuava na Secretaria de Infraestrutura Rural da Prefeitura de Concórdia desde 2018; Juçara integrava o quadro da Secretaria Municipal de Educação desde 2019. A administração municipal divulgou nota de pesar:
"Expressamos nossas condolências aos familiares e amigos, nos solidarizando pela dor e pesar diante desta perda."O fato de a mulher ter sido encontrada na casa do ex-companheiro — e não em sua própria residência — é um dos nós que a perícia precisa desatar para estabelecer a sequência dos acontecimentos.
O padrão que Santa Catarina não consegue romper
Casos como o de Concórdia não surgem do nada. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, Santa Catarina registrou 56 feminicídios em 2024 — uma média de um caso a cada seis dias e meio, número superior ao total de vitórias do Avaí na Série B naquele mesmo ano. Especialistas em segurança pública apontam que o período logo após a separação é o de maior risco para a mulher: estatisticamente, mais da metade dos feminicídios no Brasil ocorre quando a vítima já havia encerrado ou estava encerrando o relacionamento, exatamente o intervalo em que sinais de escalada da violência — mensagens ameaçadoras, visitas não autorizadas, monitoramento informal — costumam ser minimizados pelo entorno social. A apuração do SportNavo mostra que, em casos assim, a ausência de registro de ocorrências anteriores não equivale à ausência de risco.

A investigação conduzida pela DIC de Concórdia — com suporte da Polícia Científica e análise da faca apreendida — deve avançar nas próximas semanas conforme os laudos periciais forem concluídos. Qualquer pessoa que tenha informações sobre o relacionamento ou sobre os dias que antecederam o crime pode acionar o Disque 180, canal nacional de denúncia de violência doméstica, disponível 24 horas por dia.









