Quando Esteban Ostojich apitou o encerramento da partida no Mineirão, na noite desta terça-feira (28), o caos tomou o gramado antes mesmo que os 59 mil torcedores pudessem celebrar os três pontos do Cruzeiro. Jogadores do Boca Juniors partiram fisicamente em direção a titulares celestes — Matheus Pereira foi o principal alvo — em uma cena que sintetizou tudo que aquele jogo representou: tensão permanente, autoridade arbitral questionada e um resultado que virou a mesa no Grupo D da Copa Libertadores. O placar final de 1 a 0, com gol de Neyser Villarreal aos 37 minutos do segundo tempo, foi construído sobre a expulsão do atacante Adam Bareiro aos 45+2 do primeiro tempo, lance que dividiu opiniões e colocou Ostojich no centro do debate.

O lance que dividiu o jogo ao meio

A expulsão de Bareiro não foi um raio em céu azul. O atacante paraguaio já carregava um cartão amarelo quando acertou um tapa em Christian nos acréscimos do primeiro tempo. Ostojich aplicou o segundo amarelo e consequente vermelho — decisão que, na letra do regulamento, tinha amparo. O Boca Juniors terminou o primeiro tempo com dez jogadores e jamais recuperou o equilíbrio tático. O problema, segundo analistas, não estava na expulsão em si, mas no contexto que a cercou: as mesmas fontes que cobriram o jogo registraram seis cartões amarelos somente na primeira etapa, três para cada lado, em uma partida com alto volume de infrações não punidas.

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"Fraco", foi a palavra usada pelo ex-árbitro FIFA Carlos Eugênio Simon ao avaliar a atuação de Ostojich na partida, em declaração que repercutiu amplamente após o apito final.

A crítica de Simon, uma das maiores referências da arbitragem brasileira e sul-americana, não se restringiu ao lance da expulsão. A avaliação implica gestão de jogo: Ostojich permitiu que a temperatura subisse ao longo de 45 minutos sem impor controle efetivo sobre as faltas sistemáticas — estratégia clara do Boca Juniors para neutralizar a fluidez do meio-campo cruzeirense liderado por Matheus Pereira.

Acertos, omissões e a confusão generalizada após o apito

Uma análise equilibrada da arbitragem de Ostojich precisa registrar os dois lados. A expulsão de Bareiro foi tecnicamente correta: o segundo amarelo era inevitável após o contato com Christian. O árbitro também administrou razoavelmente as substituições e os pedidos de pênalti de ambas as equipes ao longo do segundo tempo, em especial o lance envolvendo Kaio Jorge dentro da área argentina. Entretanto, a omissão diante das faltas reiteradas do Boca no primeiro tempo — que chegaram a interromper sequências promissoras do Cruzeiro — e a incapacidade de controlar o ambiente emocional da partida configuram falhas que sustentam a avaliação de Simon.

A prova mais contundente da falha na gestão do ambiente foi a cena pós-jogo. Assim que o apito final soou, jogadores do Boca Juniors avançaram sobre atletas do Cruzeiro em confusão generalizada no gramado do Mineirão. Membros das comissões técnicas também se envolveram nos bate-bocas. Matheus Pereira recuou imediatamente para evitar contato físico com os adversários. A situação foi controlada após alguns minutos, mas a imagem circulou nas redes sociais com alcance viral — e levanta uma questão que cabe à CONMEBOL responder: o que Ostojich fez, nos 90 minutos anteriores, para evitar esse desfecho?

"Após a vitória do Cruzeiro sobre o Boca na Copa Libertadores, os jogadores de ambos os times tiveram um forte confronto", descreveu a repercussão internacional do incidente, traduzida por veículos que cobriram o jogo.

O peso do contexto e o incidente nas arquibancadas

A tensão não se restringiu ao gramado. No intervalo da partida, um torcedor argentino foi detido nas arquibancadas do Mineirão acusado de gestos racistas direcionados à torcida cruzeirense. A segurança do estádio localizou o indivíduo no início do segundo tempo, e um boletim de ocorrência seria registrado após a partida. O episódio adiciona uma camada extracampo ao debate sobre a gestão do ambiente no entorno do jogo — responsabilidade que não recai exclusivamente sobre o árbitro, mas que compõe o quadro geral de uma noite marcada por excesso de calor humano e insuficiente frieza institucional.

A análise do SportNavo sobre os lances arbitrais mostra que, em confrontos sul-americanos de alta tensão como este, a arbitragem precisa ser proativa antes de ser punitiva: a acumulação de infrações sem resposta pedagógica cria um ambiente em que a expulsão, quando vem, parece ruptura em vez de consequência natural. Ostojich não errou no lance principal, mas chegou tarde demais ao controle do jogo.

Impacto na tabela e o que vem pela frente

Sob o ângulo esportivo, o resultado foi preciso: o Cruzeiro chegou aos 6 pontos no Grupo D, igualando o Boca Juniors e assumindo a liderança provisória pelo saldo no confronto direto. A Raposa, que havia perdido em casa para a Universidad Católica na rodada anterior, se recuperou e entra na quarta rodada com moral. O Boca, por sua vez, perdeu a invencibilidade na fase de grupos e pode cair para a segunda posição caso a Universidad Católica vença o Barcelona-EQU nesta quarta-feira (29), em Guaiaquil — o que deixaria três equipes com 6 pontos na chave.

O lance que dividiu o jogo ao meio Ostojich errou, Bareiro foi expulso e o
O lance que dividiu o jogo ao meio Ostojich errou, Bareiro foi expulso e o

O reencontro entre as equipes está marcado para 19 de maio, na Bombonera, em Buenos Aires — e se a memória da noite no Mineirão persistir nos vestiários, Ostojich ou qualquer árbitro escalado para o duelo precisará de muito mais do que competência técnica para conduzir 90 minutos sem incidentes. Antes disso, o Cruzeiro enfrenta a Universidad Católica fora de casa no dia 6 de maio, às 23h, também pela Libertadores, em duelo que pode definir quem controla o Grupo D.