Quinze milhões de euros. Esse é o valor que o Palmeiras desembolsará ao Zenit de São Petersburgo para repatriar Nino — cifra que posiciona a negociação entre as mais expressivas movimentações defensivas do futebol brasileiro neste ciclo. O anúncio, no entanto, aguarda o encerramento do Campeonato Russo, previsto para o próximo dia 18 de maio, com o Zenit ainda na briga pelo título: o clube russo ocupa a vice-liderança com 56 pontos, apenas um atrás do Krasnodar.
A arquitetura de uma negociação que durou meses
O desfecho positivo não chegou de forma linear. No início do ano, o Palmeiras havia apresentado uma oferta inicial de 12 milhões de euros pelos direitos econômicos do zagueiro — proposta prontamente rejeitada pelos russos. A insistência alviverde, característica de uma gestão que raramente abandona suas prioridades de mercado, resultou num incremento de 3 milhões na segunda oferta, suficiente para convencer o Zenit a liberar seu defensor ao término da temporada. Paralelamente, o clube paulistano já havia acertado as bases contratuais com o estafe do atleta desde o começo de 2025: quatro anos de vínculo e salário superior a R$ 1 milhão mensais. A operação ainda superou a concorrência direta do Fluminense, que detinha preferência histórica sobre o jogador, formado nas categorias de base tricolores.
Nino como peça do quebra-cabeça de Abel Ferreira
Para compreender por que Nino galvanizou tanto interesse do Palmeiras, convém observar o modelo tático que Abel Ferreira consolidou no Allianz Parque. O técnico português opera com uma linha defensiva que precisa ser igualmente competente na saída de bola e no duelo físico — algo que os melhores treinadores europeus chamam de defending from the front, onde a construção começa nos próprios zagueiros. Nino, aos 28 anos, demonstrou no Zenit uma capacidade rara de conduzir a bola pelo corredor central e iniciar transições ofensivas, além de manter solidez na marcação individual. A aposta palmeirense dialoga com a lógica do futebol europeu contemporâneo, onde zagueiros com perfil de ball-playing centre-back valem cada centavo investido. Conforme levantamento do SportNavo, Nino deve integrar o elenco verde na próxima janela de transferências, possivelmente ao lado de Alexsander Barboza, do Botafogo, outro nome que está por detalhes para assinar com o clube paulistano.
No litoral paulista, o diagnóstico preocupa
Enquanto o Palmeiras opera no mercado com a frieza cirúrgica de um clube acostumado a disputar semifinais de Libertadores, o Santos atravessa uma realidade bem mais turbulenta. O empate em 2 a 2 com o Bahia, na Fonte Nova, escancarou fragilidades que o técnico Cuca não tentou camuflar na entrevista coletiva posterior à partida.

"Tudo que vai ser analisado será trabalhado junto ao Alexandre (Mattos) e com a presidência para que a gente fique mais fortalecido para o segundo semestre. A gente vê carências? Sim. Todos têm carências. Vamos atrás para deixar o time mais fortalecido ainda", declarou o treinador.
As carências são rastreáveis setor a setor. Na defesa, Lucas Veríssimo surge como única unanimidade — o que, num elenco que aspira à regularidade na Série A, equivale a construir uma casa com uma única parede de concreto. A lateral-esquerda tornou-se problema desde a saída de Sousa, vendido ao Tottenham: Vinícius Lira está entregue ao departamento médico e Escobar assume a posição sem convencer plenamente. No meio-campo, Neymar e Arão respondem como titulares absolutos, mas a dupla é gerenciada com poupadas frequentes, revelando a escassez de alternativas de mesmo nível. No ataque, a análise do SportNavo aponta que Rony, Thaciano e Lautaro Díaz oscilam de forma preocupante, e Cuca já sinalizou interesse em peças com maior mobilidade — o padrão que Moisés entrega nas alas como referência interna.
Dois projetos, duas velocidades
O contraste entre as movimentações dos dois clubes paulistas ilustra um fenômeno que acompanhei de perto durante os anos que passei entre Barcelona e Londres: a distância entre clubes com estrutura financeira consolidada e aqueles que operam no fio da navalha orçamentária. O Palmeiras repete o modelo dos grandes da Premier League — identifica a prioridade, absorve a recusa inicial, eleva a oferta e fecha o negócio sem alarde. O Santos, por sua vez, lembra os médios clubes ingleses da Championship que tentam se estruturar para o próximo desafio sem saber ao certo quais recursos terão disponíveis. O Santos enfrenta o Cruzeiro no próximo sábado, no estádio Urbano Caldeira, numa partida em que uma derrota pode intensificar ainda mais a pressão por contratações imediatas.









