Todo mundo sabe que a Panini vai corrigir o álbum da Copa do Mundo. Como uma empresa que produz coleções oficiais desde o México-70 chegou ao seu pior índice de acerto com o Brasil em quatro décadas — e ainda deixou Neymar de fora — é a parte que merece ser contada com cuidado.
Na segunda-feira, 18 de maio, Carlo Ancelotti divulgou os 26 nomes da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. O anúncio foi esperado, discutido, especulado por semanas. Mas a Panini — que já havia lançado sua coleção oficial antes da definição dos grupos — se viu diante de um problema aritmético embaraçoso: dos 18 jogadores escolhidos pela empresa para representar o Brasil nas páginas do álbum, apenas 13 constavam na lista definitiva do treinador italiano. Cinco apostas erradas. Cinco figurinhas que virarão peças de um álbum que não reflete a realidade do Mundial.
Os cinco nomes que a Panini não previu na Seleção de Ancelotti
Os ausentes do álbum que foram convocados por Ancelotti contam uma história sobre como o futebol brasileiro surpreendeu as previsões mais conservadoras. Endrick, o atacante do Real Madrid que completou 18 anos em julho de 2024 e já marcou gols pelo clube espanhol na temporada 2025/2026, ficou fora da prévia da Panini — decisão que, à luz da convocação, soa como o tipo de cautela que o mercado editorial às vezes confunde com prudência. Rayan, jovem do Flamengo, e Igor Thiago, artilheiro pelo Club Brugge na última temporada europeia, também não ganharam espaço entre as 18 figurinhas brasileiras.
Bremer, zagueiro da Juventus que retornou de grave lesão no joelho sofrida em outubro de 2024, e Neymar completam o quinteto ausente. O camisa 10 — que acumula 79 gols pela Seleção, recorde histórico — foi a ausência que mais chamou atenção do público. A assessoria da Panini confirmou que lançará um pacote de atualização, mas ainda não divulgou datas nem a lista completa de substituições.
No sentido contrário, cinco atletas que ocupavam espaço no álbum ficaram fora da convocação definitiva: Bento, João Pedro, Éder Militão, Rodrygo e Estevão. Militão, especialmente, vinha sendo presença quase certa nas apostas da imprensa especializada. Rodrygo, que disputou a Copa do Mundo do Qatar em 2022 e marcou dois gols na semifinal contra a Croácia, também não foi chamado.
O maior índice de erro da Panini com o Brasil desde os anos 80
Para entender a dimensão do tropeço, um paralelo histórico é necessário. Na Copa de 1986, no México, a Panini produzia seu álbum com base em informações fornecidas pelas próprias confederações com meses de antecedência — e ainda assim mantinha uma taxa de acerto considerável, dado que as convocações daquela época sofriam menos variações de última hora. Naquele torneio, o Brasil de Telê Santana levou nomes como Zico, Sócrates e Júnior, todos previsíveis para qualquer observador do futebol da época. Quarenta anos depois, com acesso a dados em tempo real, análises estatísticas avançadas e comunicação direta com as federações, a empresa registrou seu pior desempenho proporcional com a Seleção Brasileira nesse intervalo — cinco erros em 18 escolhas, uma taxa de acerto de 72,2%.
A explicação estrutural está no formato do próprio álbum. Cada seleção recebe exatamente 20 espaços: um para o escudo nacional, um para a foto coletiva e 18 para jogadores individuais. Como as convocações para Copas do Mundo incluem 26 atletas, a Panini já parte de um déficit de oito figurinhas — independentemente de qualquer erro de previsão. O problema desta edição foi que, além do limite físico, as apostas editoriais simplesmente não convergiram com as escolhas do treinador.
"A empresa informou que lançará um pacote de atualização com mudanças relacionadas ao elenco", confirmou a assessoria da Panini, sem revelar datas ou a lista completa de substituições.
O pacote de correção e o que muda para colecionadores
A Panini — que produz o álbum oficial da Copa do Mundo desde a edição do México em 1970, uma parceria de mais de meio século com a FIFA — já utilizou mecanismos de atualização em edições anteriores, geralmente quando mudanças de última hora em convocações ou lesões graves alteravam os elencos após o lançamento da coleção. O que torna este caso diferente é a escala: cinco substituições representam quase 28% do total de jogadores brasileiros no álbum, uma proporção incomum para uma seleção de alto perfil.
Para os colecionadores — e o Brasil tem uma das maiores comunidades de colecionadores de figurinhas do mundo, com vendas que movimentam dezenas de milhões de reais a cada Copa — o pacote de atualização levanta questões práticas. Quais dos 13 convocados restantes serão mantidos? Dos oito atletas convocados que ainda não têm figurinha — incluindo Neymar e Endrick — quais caberão nos cinco espaços liberados pelas ausências? A empresa terá de fazer escolhas editoriais que, inevitavelmente, deixarão nomes relevantes de fora.
A lógica comercial favorece figuras de maior apelo de mercado: Neymar, com 79 gols e status de maior artilheiro da história da Seleção, tem presença praticamente garantida no pacote corrigido. Endrick, com contrato com o Real Madrid e perfil de protagonista do futebol brasileiro na próxima década, também deve entrar. Os outros três espaços — se a matemática se confirmar — prometem gerar debate.

"Nem todos os jogadores chamados por Ancelotti necessariamente aparecerão na coleção", reconheceu a própria Panini, em comunicado que antecipa as limitações do pacote de atualização.
A Panini deve divulgar os detalhes do pacote complementar nas próximas semanas, antes do início da Copa do Mundo de 2026, marcada para junho nos Estados Unidos, México e Canadá. Para os colecionadores que já compraram pacotes e completaram a seção brasileira com os 18 jogadores originais, a atualização chegará como uma segunda chance — e, para alguns, como a prova de que até as previsões mais calculadas sobre futebol cabem numa única convocação surpresa.










