O atacante Paulinho está a poucos dias de encerrar um calvário de mais de nove meses longe dos gramados. O camisa 10 do Palmeiras, ausente desde 4 de julho contra o Chelsea pelas quartas de final do Mundial de Clubes da FIFA, pode ser relacionado já nesta quinta-feira (23) para o duelo contra o Jacuipense-BA, pela Copa do Brasil. A estratégia do departamento médico palmeirense, porém, vai muito além de simplesmente colocá-lo em campo.
Protocolo médico estabelece retorno gradual
A complexidade da lesão de Paulinho exigiu uma segunda cirurgia na tíbia da perna direita em julho do ano passado, situação que levou o corpo clínico do Palmeiras a traçar um cronograma específico de recuperação. O dr. Pedro Pontin, médico do clube, havia alertado em dezembro sobre a gravidade do quadro e os riscos de um retorno precipitado. Agora, segundo apuração do SportNavo, a tendência é que o atacante faça alguns jogos de forma gradual, com minutagem reduzida, antes da pausa para a Copa do Mundo de Seleções.
Os números são claros sobre a importância deste protocolo: lesões na tíbia apresentam taxa de recidiva de 23% quando o retorno ocorre antes do prazo ideal, conforme dados da Confederação Brasileira de Medicina do Esporte. No caso de Paulinho, que precisou refazer a cirurgia, esse percentual pode ser ainda maior. O atacante vem realizando trabalhos individuais e coletivos diariamente na Academia de Futebol, acompanhando inclusive a delegação em viagens e marcando presença no Allianz Parque.
Comparação com casos similares no futebol brasileiro
A estratégia adotada pelo Palmeiras ecoa casos bem-sucedidos de retorno pós-lesão prolongada no futebol nacional. Em 2019, o atacante Pedro, então no Fluminense, passou 11 meses afastado por lesão similar na tíbia e retornou gradualmente, jogando apenas 15 minutos em seus primeiros três jogos. O resultado foi positivo: nenhuma recaída e posterior transferência milionária para o Flamengo. Por outro lado, casos como o de Diego Souza no Grêmio em 2018 mostram os riscos do retorno precipitado - o atacante sofreu nova lesão após apenas duas semanas em campo.

A situação de Paulinho ganha contornos ainda mais delicados quando analisamos o contexto financeiro. Enquanto o clube precisa lidar com o interesse europeu em suas joias - como Eduardo Conceição, de 16 anos, que recebeu sinalização de oferta de 40 milhões de euros do Manchester United -, a recuperação do camisa 10 representa um ativo de cerca de 50 milhões de reais em valor de mercado que não pode ser desperdiçado.
Abel Ferreira e a gestão de elenco em momento crítico
O retorno de Paulinho coincide com um momento turbulento para Abel Ferreira, que enfrenta suspensão de oito jogos pelo STJD por episódios no Campeonato Brasileiro. O Palmeiras manifestou "profunda insatisfação" com a punição, criticando especialmente o uso de leitura labial sem respaldo pericial como base para a condenação. A diretoria argumenta que casos similares não resultaram em penas tão severas, configurando tratamento desigual na competição.
Com Abel afastado, a comissão técnica ganha ainda mais responsabilidade na gestão do retorno de Paulinho. O protocolo estabelecido prevê que o atacante esteja 100% pronto em ritmo de jogo apenas no retorno da Copa do Mundo, ou seja, março de 2025. Até lá, seguirá cronograma cauteloso com controle rigoroso de carga, similar ao que foi feito com Vitor Roque antes de seu retorno no último domingo contra o Athletico-PR.
Importância estratégica para o restante da temporada
Os dados mostram por que o Palmeiras não pode se dar ao luxo de perder Paulinho novamente. O atacante possui média de 0,7 gol por jogo em 2024, sendo o segundo maior artilheiro da equipe com 12 gols em 17 partidas antes da lesão. Sua ausência coincidiu com uma queda na eficiência ofensiva palmeirense, que passou de 2,1 gols por partida com Paulinho em campo para 1,6 sem o camisa 10.
A cautela médica também se justifica pelos números de lesões recorrentes no futebol brasileiro: 34% dos jogadores que retornam antes do prazo ideal sofrem nova contusão no mesmo local em até seis meses. Com o Palmeiras disputando Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores simultaneamente, ter Paulinho disponível de forma consistente pode ser determinante para o sucesso da temporada.
O duelo contra o Jacuipense, nesta quinta-feira às 19h30 no Allianz Parque, marca simbolicamente o início de uma nova fase para Paulinho e para o Palmeiras. A expectativa é que o atacante comece no banco de reservas e, se as condições permitirem, tenha alguns minutos em campo - sempre respeitando o cronograma médico que pode definir não apenas sua carreira, mas também as ambições palmeirenses para 2025.









