Errou. Rafael Rodrigo Klein errou no lance mais grave da noite no Allianz Parque, e foi preciso que Paulo César de Oliveira — um dos árbitros mais experientes que o Brasil já formou, com décadas de análise técnica — dissesse em voz alta aquilo que os 40 mil torcedores presentes já intuíam: Gustavo Gómez deveria ter deixado o campo mais cedo, com cartão vermelho na mão, e o Palmeiras teria que terminar a partida com dez homens.

O lance que PC Oliveira não perdoou na entrada de Gómez

Aos 11 minutos do primeiro tempo, o zagueiro paraguaio entrou de sola em Wanderson, do Cruzeiro, com força suficiente para tirar o atacante da partida. Klein apitou falta, consultou o VAR e voltou ao campo com apenas um cartão amarelo. Para PC Oliveira, a revisão foi insuficiente diante da gravidade da jogada.

"Pela regra, deveria ter sido uma expulsão", afirmou PC Oliveira durante o Fechamento do SporTV, classificando a entrada como sola com força excessiva — critério que, pelo protocolo da FIFA e adotado pela CBF, enquadra automaticamente a infração na categoria de cartão vermelho direto.

A história do futebol brasileiro está repleta de episódios em que a dúvida do árbitro sobre a intensidade de uma falta mudou o rumo de uma partida — e, por extensão, de uma temporada inteira. Em 2003, quando o Cruzeiro conquistou o Brasileirão, lances de interpretação subjetiva em rodadas decisivas foram debatidos por meses. A tecnologia do VAR deveria ter eliminado essa margem de erro; neste domingo, ela não o fez.

Os acertos que Oliveira reconheceu em Klein

Nem tudo foi crítica. PC Oliveira analisou dois outros lances polêmicos e deu razão ao árbitro em ambos. O gol marcado por Sosa foi corretamente anulado, segundo o comentarista, porque Cássio estava com a mão sobre a bola no momento do contato — situação que, pela regra, já configura posse de bola, independentemente de o goleiro estar com ela encaixada ou não.

"De acordo com a regra, quando o goleiro está com a mão sobre a bola é considerado posse de bola. Ele não precisa estar com a bola encaixada, se ele estiver com a mão na bola e a bola sobre o solo, inclusive sobre qualquer superfície, isso já é considerado posse de bola", explicou Oliveira.

A expulsão de Fabrício Bruno, pelo segundo cartão amarelo após falta em Allan, também recebeu o aval do especialista. O defensor já estava advertido e o contato, mesmo sem violência aparente, foi suficiente para derrubar o adversário numa jogada tática — exatamente o tipo de infração que o regulamento pune com amarelo, independentemente da intensidade.

O lance que PC Oliveira não perdoou na entrada de Gómez PC Oliveira aponta o err
O lance que PC Oliveira não perdoou na entrada de Gómez PC Oliveira aponta o err
"Esse amarelo não é pela força da falta, é pela tática. Eu achei falta. Mesmo sem querer, tem um contato ali e ele acaba derrubando o Allan", disse PC Oliveira.

O empate que pesa diferente para cada lado na tabela

O placar de 0 a 0 na 30ª rodada do Brasileirão deixa as duas equipes em situações distintas na tabela. O Palmeiras, que entrou em campo sem Piquerez — suspenso — e com Bruno Fuchs improvisado como volante no lugar de Aníbal, perdeu dois pontos em casa num confronto direto por posição. O Cruzeiro, por sua vez, terminou a partida com dez jogadores após a expulsão de Fabrício Bruno e ainda assim segurou o resultado fora de casa, o que tem valor diferente dependendo do objetivo de cada clube na reta final da competição.

A arbitragem de Klein ficará marcada por uma assimetria que PC Oliveira tornou pública: acertou nas decisões que exigiam leitura técnica da regra escrita, mas falhou exatamente no lance que demandava coragem interpretativa — o tipo de decisão que separa árbitros competentes de árbitros memoráveis. O Palmeiras volta a campo pelo Brasileirão na próxima rodada com a vaga na tabela pressionada — e com a memória de uma expulsão que não veio.