Decidiu. E quando Pedro decide dentro de campo, o movimento raramente é improvisado — é o produto de anos ajustando o corpo de 185 cm e 78 kg para funcionar como referência em sistemas que exigem mais do que presença na área.
A assinatura técnica que o identifica
O centroavante do Flamengo não é um goleador de um só tipo. Seu repertório mistura finalização com o pé dominante, cabeceio em bolas aéreas — aproveitando os 185 cm de altura — e capacidade de associação com os meias que chegam pelo lado. Na temporada atual do Brasileirão Série A, essa combinação produziu 12 gols e 6 assistências em apenas 21 jogos. A média ultrapassa 0,57 gol por partida, índice que coloca Pedro entre os centroavantes mais eficientes da competição em 2026.

A distribuição entre gols e assistências também diz algo sobre o papel que ocupa no esquema rubro-negro: não é um caçador puro de finalizações, mas um jogador que participa da construção antes de concluir. Seis assistências em 21 jogos de centroavante é um número que a maioria dos meias titulares de times médios não alcança na mesma janela.
Como ele aprendeu a fazer aquilo
Pedro Guilherme Abreu dos Santos nasceu em 20 de junho de 1997, no Rio de Janeiro. A formação no próprio Flamengo moldou um atacante com identidade definida cedo: pivô que sabe receber de costas, girar e finalizar, mas que também se movimenta para criar espaço para os companheiros.
No futebol brasileiro, diz o ditado, quem não tem cão caça com gato — e Pedro passou por fases em que o clube precisou improvisar soluções ofensivas enquanto ele se consolidava como titular absoluto. Esse período de disputa interna por espaço, longe de frear o desenvolvimento, parece ter acelerado o aprendizado tático do atacante, que precisou se adaptar a diferentes contextos e parceiros de ataque.
A temporada de 2022 foi um marco no processo. Na CONMEBOL Libertadores daquele ano, Pedro registrou 12 gols em 13 jogos — uma frequência que chamou atenção do mercado europeu e consolidou sua posição como camisa 9 incontestável no Flamengo. No mesmo ano, ainda contribuiu com 4 gols em 2 jogos no Mundial de Clubes.
Como ele aprimorou ao longo dos anos
Quando analisa as temporadas seguintes, o que se vê é consistência, não estagnação. Em 2023, Pedro somou 13 gols em 34 rodadas do Brasileirão — número que, isolado, pode parecer modesto para um centroavante titular, mas que ganha peso quando somado às contribuições em Copa do Brasil e Libertadores no mesmo ciclo.
Quando olha para 2024, o desempenho se manteve em patamar elevado: 11 gols em 21 jogos de Série A, 11 gols em 12 partidas do Carioca, 5 gols em 6 jogos de Libertadores. A regularidade entre competições distintas — com calendários sobrepostos e pressão diferente em cada uma — indica um jogador que aprendeu a gerir o próprio rendimento ao longo de uma temporada densa.
Aos 29 anos, Pedro chega à temporada atual no que tecnicamente se chama de pico de maturidade para um centroavante: idade suficiente para ter repertório consolidado, físico ainda em plena capacidade. Os 12 gols em 21 jogos de 2026 confirmam que essa janela está sendo aproveitada.
Como aplica em jogos diferentes
Quando atua em competições de mata-mata, Pedro eleva a produção. O histórico na Libertadores — com ao menos 12 gols em uma única edição — mostra um jogador que não reduz a intensidade quando o jogo fica mais fechado e o espaço diminui. Centroavantes com esse perfil são raros no futebol sul-americano justamente porque o torneio exige adaptação constante a rivais com diferentes estruturas defensivas.
Quando joga no Brasileirão, a característica que mais se destaca é a consistência. Ao longo de múltiplas temporadas, Pedro nunca ficou abaixo dos dois dígitos em gols na Série A — um dado que poucos atacantes brasileiros conseguem sustentar com a mesma regularidade. Em 2026, com 12 gols em 21 rodadas, o ritmo atual projeta uma temporada acima dos 20 gols somente no campeonato nacional, caso o desempenho se mantenha.
Do ponto de vista de mercado, Pedro é um dos ativos mais valiosos do futebol brasileiro no momento. Centroavantes com histórico comprovado em Libertadores, regularidade na Série A e convocações pela Seleção Brasileira compõem um perfil que clubes europeus de médio e grande porte monitoram com atenção. Aos 29 anos, a janela para uma transferência de alto valor segue aberta — mas cada temporada como esta, com números acima de 0,5 gol por jogo, reforça também o argumento de quem defende que o lugar certo para Pedro é exatamente onde ele está.

Com 268 jogos e 135 gols acumulados na carreira até o início desta temporada, o camisa 9 do Flamengo já escreveu um capítulo relevante no futebol brasileiro. O que 2026 está mostrando é que esse capítulo ainda não terminou.








