76 minutos. Foi o tempo que Daniel Muñoz precisou para aparecer, receber o passe de James Quintero e bater com o pé esquerdo para garantir o 1 a 0 da Colômbia sobre a República Democrática do Congo no Estádio Akron, em Guadalajara, em 24 de junho. Um gol de lateral-direito que resume bem o que é esta seleção colombiana na Copa do Mundo de 2026: coletiva, disciplinada e capaz de encontrar o gol em quem menos se espera. Com aquele resultado, a Colômbia chegou a seis pontos no Grupo K e garantiu vaga nas oitavas. Agora, no Hard Rock Stadium em Miami, neste sábado (27), às 20h30 (de Brasília), o adversário é Portugal — e o empate já basta para Los Cafeteros terminarem na liderança.

O número que Muñoz carrega sozinho nesta Copa

Reparemos no detalhe: com dois gols marcados em dois jogos, Daniel Muñoz é o artilheiro da Colômbia no torneio — e divide posição entre os artilheiros do Mundial ao lado de nomes como Erling Haaland, Ismael Saibari e Deniz Undav. Isso em uma equipe que tem Luis Díaz como principal estrela, mas que viu dois gols do camisa 7 do Liverpool serem anulados por impedimento contra o Congo. A dependência que se esperava de Díaz não se confirmou: quem está resolvendo é o lateral do Crystal Palace, com capacidade de entrar na área sem hesitar e uma resistência física que a Fox Sports descreveu como "três pulmões". Contra Portugal, Néstor Lorenzo terá a opção de usar esse desequilíbrio pela direita para pressionar o corredor esquerdo português.

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Portugal, por sua vez, chega ao confronto com quatro pontos — dois a menos que a Colômbia — e precisa da vitória para terminar na primeira posição do grupo. Um empate deixa os portugueses na segunda colocação, o que não compromete a classificação, mas altera o caminho no mata-mata. A equipe de Roberto Martínez venceu a República Democrática do Congo e o Uzbequistão nas rodadas anteriores, ambos no NRG Stadium, em Houston, mas ainda não foi testada por um adversário de nível semelhante ao que encontrará neste sábado.

Miami não é campo neutro para a Colômbia Pedro Neto compara Miami ao Flamengo e
Miami não é campo neutro para a Colômbia Pedro Neto compara Miami ao Flamengo e

Miami não é campo neutro para a Colômbia

A cidade da Flórida abriga uma das maiores comunidades colombianas dos Estados Unidos, e esse dado se traduz em arquibancada. Nos dois jogos anteriores da Colômbia no Mundial — contra Uzbequistão no Azteca e contra o Congo em Guadalajara — a torcida colombiana foi maioria nas arquibancadas, criando uma atmosfera que ultrapassou o aspecto visual e interferiu no ritmo das partidas. No Hard Rock Stadium, a tendência é que o fenômeno se repita com ainda mais intensidade, dado que Miami é o epicentro dessa comunidade nos EUA.

Quem já viveu algo próximo disso foi o atacante Pedro Neto. Em entrevista coletiva na quinta-feira (25), o jogador que hoje defende Portugal relembrou a experiência de enfrentar o Flamengo pelo Mundial de Clubes de 2025, quando ainda atuava pelo Chelsea. Naquela partida, disputada no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Pedro Neto abriu o placar, mas o Flamengo virou com gols de Bruno Henrique, Danilo e Wallace Yan, vencendo por 3 a 1.

"O que trago dessa experiência foi que até no jogo contra o Flamengo falei que foi muito difícil. Tinha sido o mais difícil que enfrentamos naquela altura pela intensidade, a maneira de jogar, a maneira de vivenciar o jogo, a atmosfera que também houve. Os brasileiros estavam em peso no estádio. O ambiente também será parecido. É isso que temos que estar preparados", afirmou o atacante português.

A comparação não é apenas poética. Ela revela uma preocupação tática concreta: o ruído das arquibancadas afeta a comunicação entre os jogadores, dificulta ajustes em campo e, sobretudo, alimenta o adversário em momentos de pressão. A Colômbia sabe disso e, historicamente, responde bem quando a torcida está a seu favor — o que, em Miami, será quase inevitável.

O que a Colômbia precisa fazer para fechar o Grupo K na frente

Do ponto de vista tático, Lorenzo tem incentivos para manter a estrutura que funcionou nas duas rodadas anteriores: uma linha defensiva compacta com Dávinson Sánchez e Jhon Lucumí no centro, Mojica pelo lado esquerdo e Muñoz pelo direito com liberdade para subir. No meio, Jorge Carrascal e Lerma controlam o ritmo, enquanto Luis Díaz tenta criar espaços pela esquerda. Contra o Congo, a equipe dominou a posse — 55,6% — e criou chances suficientes para vencer com maior margem, mas a eficiência ficou aquém do esperado: apenas 0,98 xG gerado, contra 0,37 do adversário.

Portugal, do outro lado, precisará encontrar uma forma de neutralizar o corredor direito colombiano sem abrir mão da posse de bola que caracteriza o estilo de Roberto Martínez. A presença de Pedro Neto no ataque oferece velocidade para explorar transições, mas o contexto do jogo — com a Colômbia satisfeita com o empate — pode levar os colombianos a adotar uma postura mais recuada nos minutos finais, o que historicamente favorece contra-ataques com Díaz e Muñoz.

"Os brasileiros estavam em peso no estádio. O ambiente também será parecido, a vivência, intensidade. É isso que temos que estar preparados", reforçou Pedro Neto, deixando claro que a questão atmosférica já está no radar da comissão técnica portuguesa.

Os uniformes para o confronto já foram confirmados pela FIFA: a Colômbia joga com camisa amarela, calção azul e meiões brancos; Portugal entra em campo com o tradicional conjunto vermelho. O goleiro colombiano Camilo Vargas — que fez duas defesas decisivas no fim do jogo contra o Congo — vestirá cinza, enquanto o arqueiro português usará verde-água.

Quem avançar na liderança do Grupo K enfrenta o vice-líder do Grupo L nas oitavas de final, enquanto o segundo colocado pega o líder do mesmo grupo. A definição do adversário nas oitavas pode ser tão decisiva quanto o próprio resultado desta noite — e Portugal sabe que terminar atrás da Colômbia significa um caminho potencialmente mais tortuoso no mata-mata. É o mesmo cenário que o Chelsea viveu no Mundial de Clubes de 2025 — terminar em segundo no grupo e encarar adversários mais pesados a cada fase — só que agora a aposta é a Copa do Mundo.