Dez gols em 12 jogos. A transformação de Pedro no Flamengo sob comando de Leonardo Jardim vai além dos números impressionantes. O atacante mudou radicalmente seu posicionamento em campo, abandonando a função de centroavante fixo para se tornar um pivô participativo, com liberdade para flutuar e criar jogadas fora da área.
A nova função tática explica a artilharia recorde que colocou o camisa 9 novamente na briga por uma vaga na Seleção Brasileira. Contra o Bahia, mesmo sem balançar as redes, Pedro demonstrou essa versatilidade ao aparecer em diferentes setores do campo, contribuindo diretamente para a vitória rubro-negra.
Liberdade tática revoluciona desempenho
O próprio Pedro reconhece o impacto da mudança de posicionamento implementada por Jardim. Em entrevista ao GE, o atacante detalhou como a nova função transformou seu rendimento:
"Dentro de campo também tem me dado muita liberdade para fazer aquilo que eu sei fazer bem, sair da área, conseguir participar bem do jogo no pivô… Então é um cara que me deu muita confiança e também tem me dado muita sequência de jogo"
A sequência de dez jogos como titular consolida essa nova fase. Pedro soma 13 participações diretas em gols - dez tentos e três assistências - números que contrastam drasticamente com o período final sob Filipe Luís, quando enfrentou cobranças públicas e perdeu espaço no time titular.
Sintonia com criadores de jogada faz diferença
A flutuação de Pedro pela área de criação criou conexões táticas importantes, especialmente com Arrascaeta e outros armadores. Segundo apuração do SportNavo, essa mobilidade permite ao uruguaio encontrar mais espaços para suas assistências características, enquanto Pedro atrai marcação e abre linhas de passe.

A estratégia rendeu cinco vitórias consecutivas entre Brasileirão e Libertadores. O centroavante passou de questionado para peça fundamental do esquema de Jardim, que aposta na versatilidade do atacante para variar as formas de criação ofensiva.
"Tem sido um início sensacional do Jardim. Desde quando ele chegou me deu muita liberdade para conversar... Sem dúvida nenhuma, tem tudo para fechar com títulos esse ano"
Comparação com eras anteriores mostra evolução
Sob Filipe Luís, Pedro atuava predominantemente como referência fixa na área, função que limitava sua participação na construção das jogadas. Apesar dos títulos conquistados - incluindo a Libertadores -, o atacante admite que não teve a sequência ideal naquele período.
Os números comprovam a mudança: enquanto na era Filipe Luís Pedro disputava por posição e enfrentava intermitência, com Jardim já acumula participação em 92% dos jogos disputados pelo técnico português. A média de gols por partida saltou de 0,4 para 0,83 no novo sistema tático.
O centroavante demonstra maturidade ao avaliar o período anterior, reconhecendo o aprendizado obtido mesmo nos momentos difíceis. A experiência de superação, segundo ele, contribuiu para o aproveitamento atual da oportunidade oferecida por Jardim.
Projeção mantém Pedro na briga por títulos
A boa fase individual coincide com o momento coletivo do Flamengo, que mantém chances reais de conquistar múltiplos títulos em 2025. Pedro projeta confiança na capacidade do grupo de sustentar o ritmo até o final da temporada, especialmente com a estabilidade tática proporcionada por Jardim.
A transformação no posicionamento pode ser decisiva não apenas para os objetivos do Flamengo, mas também para as ambições pessoais do atacante. Com 26 anos, Pedro vê na atual forma uma oportunidade de retorno à Seleção Brasileira, objetivo que considera possível com a manutenção dos números atuais.
O Flamengo testa a eficácia do novo sistema tático de Pedro nesta quarta-feira, contra o Vitória, no Maracanã, pela quinta fase da Copa do Brasil, às 21h30.









