69 pontos. Essa é a diferença exata que Rubens Barrichello perdeu de uma só vez após a desclassificação da corrida principal de Interlagos — e o número explica por que o veterano despencou do 4º para o 10º lugar no campeonato da Stock Car Pro Series. O que parecia um fim de semana sólido na etapa paulista virou um rombo contábil no campeonato.

O que aconteceu em Curvelo e Interlagos

O fim de semana de Curvelo já havia dado sinais de que 2026 seria uma temporada marcada pela fiscalização técnica. Na corrida sprint, Zezinho Muggiati cruzou a linha em segundo lugar — mas foi desclassificado após vistoria da CBA por altura mínima irregular no carro. A punição empurrou Rubens Barrichello para a segunda posição e alterou toda a hierarquia da prova.

Thiago Camilo também saiu de Curvelo com menos pontos do que esperava: 20 segundos de punição por irregularidade no pit stop obrigatório jogaram o piloto do Mercado Livre Racing Team da zona de pódio para a 17ª colocação. Renan Guerra levou a mesma penalidade e caiu de 20º para 22º. A vitória ficou com Enzo Elias, que marcou sua quarta vitória na categoria.

Semanas depois, o CTDN (Comitê Técnico Desportivo Nacional) detonou uma bomba ainda maior: Nelsinho Piquet e Barrichello foram desclassificados da etapa de Interlagos por irregularidades nas pinças de freio dos carros da Scuderia Bandeiras. O laudo técnico, feito em laboratório, foi conclusivo.

O peso dos números na tabela do campeonato

Para entender o impacto real, pense nas desclassificações como um "reset parcial forçado" — como se você estivesse num jogo e alguém apagasse seu save de um capítulo inteiro. Veja o que mudou:

  • Barrichello: caiu de 241 para 172 pontos, do 4º para o 10º lugar — uma queda de 6 posições e 69 pontos subtraídos de uma vez
  • Nelsinho Piquet: foi de 224 pontos (7º lugar) para 150 pontos (14º lugar) — 74 pontos apagados e queda de 7 posições
  • Muggiati em Curvelo: perdeu o resultado de 2º lugar na sprint, redistribuindo pontos para quem estava atrás
  • Camilo em Curvelo: a punição de tempo converteu uma posição de pódio em 17º lugar, uma diferença de aproximadamente 15 a 20 pontos a depender da tabela de pontuação da categoria

Na Stock Car, a pontuação funciona de forma regressiva: o vencedor leva 30 pontos, e cada posição abaixo reduz esse valor. Perder 74 pontos de uma vez — como foi o caso de Piquet — equivale, grosso modo, a vencer duas corridas e meia sem somar nada. É um buraco enorme numa temporada de 12 etapas.

E aqui surge a pergunta que muda a leitura de tudo isso.

Quanto da briga pelo título foi reescrita não nas pistas, mas nas salas de julgamento técnico?

A Scuderia Bandeiras entra em modo de recurso

A equipe não aceitou as decisões em silêncio. Em comunicado oficial, a Scuderia Bandeiras afirmou que sempre atuou dentro das regras e anunciou que tomará medidas nas esferas desportivas competentes para tentar reverter as penalidades. O tom foi além do técnico: a equipe citou uma suposta perseguição por parte da categoria, ligada a questionamentos sobre a adaptação do motor V8 ao carro — um custo adicional estimado em cerca de R$ 200 mil por carro, somando R$ 800 mil para toda a operação.

"A Scuderia Bandeiras sempre atuou dentro das regras e já está tomando as medidas cabíveis para tentar reverter a decisão nas esferas desportivas competentes", diz o comunicado oficial da equipe.

O recurso promete transformar o caso num capítulo político além do técnico. Se a Scuderia conseguir reverter ao menos parcialmente as decisões, Piquet e Barrichello podem recuperar pontos que hoje parecem perdidos. Na avaliação do SportNavo, a combinação de punições em Curvelo e Interlagos representa o maior impacto regulatório numa única janela de resultados da Stock Car desde a era dos motores aspirados.

A próxima etapa da Stock Car Pro Series será decisiva para medir o real efeito psicológico sobre a Scuderia Bandeiras: se Piquet e Barrichello conseguirem manter consistência mesmo com recursos pendentes, a equipe ainda tem matemática para brigar por posições relevantes no final do ano. Se o recurso for indeferido, a pergunta que fica é — com 74 pontos de déficit e mais de metade da temporada pela frente, existe cenário realista para Nelsinho Piquet voltar ao top-5 do campeonato antes de Interlagos receber o grid novamente?