30 jogos. Esse é o número que posiciona Joaquín Piquerez Moreira no centro de qualquer análise séria sobre o Palmeiras na temporada vigente. Não é um número acidental: é a marca de um jogador que atravessou debates sobre saúde, convocações e a eventual reconstrução do elenco verde sem sair do onze titular — ao menos até o momento em que o próprio corpo passou a cobrar a conta.

O número que define a temporada

Na temporada atual do Brasileirão Série A, Piquerez soma 30 partidas, 3 gols e 1 assistência. Para um zagueiro de 27 anos que atua majoritariamente na linha defensiva, esses números de contribuição ofensiva não são triviais — são, na verdade, o argumento mais concreto para entender por que Abel Ferreira o mantém como peça inegociável mesmo diante de um elenco com mais de uma dezena de baixas registradas nas últimas semanas. Três gols em 30 jogos coloca Piquerez em patamar produtivo raramente atingido por defensores na Série A, onde a média de gols por zagueiro por temporada costuma ficar abaixo de um. O atleta já ultrapassou esse patamar com folga.

O cenário externo reforça o peso desse desempenho: com Abel Ferreira administrando 12 desfalques simultâneos no plantel — conforme noticiado em 29 e 30 de maio de 2026 —, cada partida de Piquerez ganhou peso institucional. Ele não é apenas um jogador em forma; tornou-se, na prática, um dos pilares que impedem o Palmeiras de desmoronar em momento de fragilidade coletiva.

Como ele chegou aqui

Nascido em Montevidéu em 24 de agosto de 1998, Piquerez construiu sua base no Peñarol — clube de peso histórico no futebol uruguaio — antes de dar o salto para o Brasil. A transição para o Palmeiras não foi imediata em termos de protagonismo: em 2021, ainda em fase de adaptação, o lateral acumulou 12 jogos pelo Brasileirão, dividindo minutos com o Peñarol na Primera División uruguaia. Era um jogador em processo de assimilação tática e cultural.

O ponto de inflexão veio em 2022 e se consolidou em 2023 — sua melhor temporada documentada até aqui. Naquele ano, foram 30 jogos no Brasileirão com 3 gols e 5 assistências, 11 partidas no Campeonato Paulista, 10 jogos na CONMEBOL Libertadores com 3 gols e 1 assistência, além de passagens pela Copa do Brasil e pela Supercopa. O volume de contribuições ofensivas naquela temporada — 4 gols e 6 assistências somando Série A e Libertadores — revelou um perfil que vai muito além da marcação posicional. Piquerez já acumulava, até os dados disponíveis, 239 jogos na carreira com 13 gols e 15 assistências, números que confirmam a consistência ao longo do tempo.

A temporada 2024 foi marcada por menor volume — 17 jogos na Série A, 2 gols —, possivelmente reflexo de oscilações físicas que voltaram a aparecer no debate público em 2026. Em maio deste ano, surgiram informações de que o uruguaio optou por tratar uma lesão sem cirurgia, apostando na recuperação conservadora para não comprometer sua participação na Copa do Mundo. A decisão, noticiada em 19 de maio de 2026, resume bem o perfil de alguém que entende a janela estreita de uma grande competição internacional.

O que o faz diferente dos pares

Zagueiros com perfil ofensivo relevante são escassos no Brasileirão Série A. A maioria dos defensores que figuram no topo das escalações dos clubes grandes opera dentro de médias de 0,3 a 0,5 gols por temporada — e raramente combinam isso com presença constante nas estatísticas de assistências. Piquerez, com 3 gols em 30 jogos na temporada atual, já está acima dessa curva.

O que diferencia o camisa 22 do Palmeiras não é apenas a capacidade de finalizar, mas a consistência com que aparece em situações de bola parada e em jogadas de transição — algo que, em matéria do SportNavo publicada anteriormente, já havia sido apontado como característica estrutural do seu jogo. Com 184 cm e 81 kg, Piquerez tem dimensões físicas que lhe permitem disputar bolas aéreas tanto na defesa quanto no ataque, o que o torna uma ameaça real em escanteios e faltas laterais.

Como ele chegou aqui Piquerez em 30 jogos — o zagueiro urugua
Como ele chegou aqui Piquerez em 30 jogos — o zagueiro urugua

Sua passagem pela seleção uruguaia — incluindo a equipe principal e o Sub-23 — também é dado relevante para entender o nível de exigência tática ao qual foi submetido desde cedo. Jogadores formados no sistema uruguaio costumam apresentar maturidade defensiva acima da média para a idade, e Piquerez não foge a essa regra. Aos 27 anos, está no pico físico de um zagueiro moderno — idade em que a experiência já supera a impulsividade sem ainda comprometer a mobilidade.

Os limites a vencer

A decisão de não operar — apostando no tratamento clínico para chegar à Copa do Mundo — é, ao mesmo tempo, a aposta mais corajosa e a mais arriscada da carreira de Piquerez até agora. Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai, pode ou não surpreender na lista final: conforme apurado em 25 de maio de 2026, a viagem do jogador a Montevidéu alimentou especulações sobre sua inclusão na convocação, mas nada foi confirmado nos dados disponíveis.

O cenário no Palmeiras também apresenta variáveis de médio prazo. Abel Ferreira — conforme noticiado em 19 de maio de 2026 — terá o desafio de reconstruir o plantel sem Estêvão e sem Piquerez caso o uruguaio seja convocado e o calendário se comprima. Isso significa que o valor do camisa 22 para o clube é inversamente proporcional à sua disponibilidade: quanto mais ausente, mais evidente o vácuo que deixa.

Piquerez chega a esse momento com 30 jogos na temporada, 3 gols, um corpo que decidiu poupar do bisturi e uma Copa do Mundo no horizonte — tudo isso com 27 anos e o auge da carreira ainda aberto à frente. Os limites existem, mas ainda não estão definidos com precisão.

A pergunta que fica: se Bielsa confirmar Piquerez na lista uruguaia para a Copa do Mundo de 2026, o Palmeiras conseguirá manter a liderança no Brasileirão com um elenco já castigado por baixas — ou o calendário de junho vai expor de vez a dependência do camisa 22?