Quantos zagueiros de 29 anos conseguem jogar todas as 34 partidas de uma temporada na Série B sem que ninguém pare para perguntar como eles fazem isso?

Adriano Martins não é o tipo de jogador que aparece nas manchetes por declarações polêmicas ou por transferências milionárias. Ele aparece — e permanece — pelo acúmulo silencioso de minutos, de posicionamentos corretos e de uma presença física que, em 193 cm de altura, raramente passa despercebida dentro da área adversária ou na própria defesa.

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A resposta para a pergunta inicial está nos próprios dados: poucos. E isso, por si só, já justifica a leitura desta matéria.

Início de carreira

Nascido em 1º de abril de 1997 no Rio de Janeiro, Adriano Martins da Fonseca construiu sua trajetória profissional longe das academias de formação que costumam monopolizar as narrativas do futebol de base brasileiro. Não há, nos dados disponíveis, um clube de origem canônico que o lançou ainda adolescente para a elite — o que sugere uma profissionalização mais tardia, típica de zagueiros que amadurecem fisicamente antes de encontrar espaço.

O primeiro registro expressivo de sua carreira como profissional passa pelo Uberlândia, onde disputou 3 jogos no Campeonato Mineiro de 2022. Não é um volume que impressiona, mas é um ponto de partida que situa o jogador num circuito competitivo real, em uma das ligas estaduais mais disputadas do país. Dali, o caminho levou ao Novorizontino, clube paulista que nas últimas temporadas consolidou seu lugar entre os protagonistas da Série B.

Em 2023, pelo Novorizontino, Adriano Martins disputou 35 jogos na Série B — marcando 1 gol — e ainda somou 12 partidas no Campeonato Paulista - A2, com mais 1 gol. Foi uma temporada de afirmação: jogar 35 partidas em uma segunda divisão competitiva, com nota média de 6,97 segundo os sistemas de avaliação utilizados, é o tipo de dado que convence comissões técnicas exigentes.

Início de carreira Por que Adriano Martins é o zagueiro mai
Início de carreira Por que Adriano Martins é o zagueiro mai

Números que importam

A temporada 2026 pelo Atlético GO no Brasileirão Série B é, até aqui, a mais consistente de sua carreira em termos de presença: 34 jogos disputados, 1 gol marcado e nenhuma assistência. Para um zagueiro, o número de partidas é o dado mais honesto — ele mede confiança do treinador, saúde física e regularidade tática.

Números que importam Por que Adriano Martins é o zagueiro mai
Números que importam Por que Adriano Martins é o zagueiro mai

Para contextualizar a dimensão desse número: a diferença entre um zagueiro que joga 20 partidas e um que joga 34 em uma mesma temporada é, em termos de minutos acumulados, algo próximo à distância entre Recife e Belo Horizonte — geograficamente falamos de mais de 2.000 quilômetros, mas no futebol falamos de uma lacuna enorme de confiança e de desenvolvimento. Não são dados equivalentes.

Olhando para 2024, quando ainda defendia o Atlético Goianiense na Série A, Adriano Martins somou 34 jogos no campeonato nacional com nota média de 6,96 — praticamente idêntica à que obteve no Novorizontino na Série B de 2023. Essa estabilidade avaliativa ao longo de temporadas distintas, em ligas de nível diferente, é um indicador relevante de consistência. Segundo apuração do SportNavo, poucos zagueiros da Série B atual conseguem manter esse patamar de aproveitamento por três temporadas consecutivas.

Na Copa do Brasil de 2024, foram 6 jogos e 1 gol, com nota média de 7,07 — seu melhor índice avaliativo registrado. O dado aponta que, em competições de mata-mata, com pressão elevada e adversários de diferentes divisões, o zagueiro performou acima de sua média habitual.

Estilo de jogo

Com 193 cm de altura, Adriano Martins se encaixa no perfil do zagueiro físico que o futebol brasileiro valoriza especialmente em disputas de bola parada — tanto defensivas quanto ofensivas. O gol marcado na temporada atual confirma que ele participa ativamente dos escanteios e faltas ofensivas, uma função cada vez mais estratégica em times que buscam compensar limitações técnicas com eficiência em jogadas ensaiadas.

Sua trajetória por Série A e Série B indica adaptabilidade tática: não é incomum que zagueiros com esse perfil físico tenham dificuldades de ajuste quando o time exige uma linha defensiva mais alta ou uma saída de bola mais elaborada. O fato de ter mantido notas médias acima de 6,90 em diferentes contextos táticos sugere que Adriano Martins consegue operar em sistemas variados sem comprometer a solidez defensiva.

Conquistas e momentos marcantes

Os dados disponíveis não registram títulos em sua trajetória — uma realidade comum entre jogadores que circulam por clubes de médio porte no futebol brasileiro. O Novorizontino, clube pelo qual Adriano Martins atuou em 2023, é uma das equipes que mais cresceu institucionalmente nos últimos anos, mas ainda não somou conquistas expressivas no período em que o zagueiro esteve no elenco.

O momento mais marcante identificável nos dados é a temporada 2024 pelo Atlético Goianiense na Série A: disputar 34 partidas na elite do futebol brasileiro, com nota média de 6,96, representa o pico de exposição de sua carreira até aqui. Jogar na primeira divisão nacional aos 27 anos, após uma trajetória que passou por Uberlândia e Novorizontino, é um salto que exige mais do que talento — exige resiliência e capacidade de adaptação rápida.

O gol marcado na Copa do Brasil de 2024, em um torneio de mata-mata onde cada erro tem custo imediato, também merece registro como um dos momentos de maior pressão que o zagueiro enfrentou e superou com bom desempenho avaliativo.

O que esperar daqui pra frente

Adriano Martins tem 29 anos — uma idade em que zagueiros costumam estar no auge de sua maturidade posicional. A janela de rendimento para jogadores dessa posição é mais longa do que para atacantes ou meias: não é raro ver zagueiros de alto nível competitivo até os 34 ou 35 anos, especialmente aqueles com perfil físico robusto e histórico de regularidade.

O cenário mais realista para os próximos 12 meses depende do desempenho coletivo do Atlético GO na Série B de 2026. Se o clube conquistar o acesso à Série A, Adriano Martins terá a oportunidade de se reafirmar na elite nacional — desta vez com um ano a mais de maturidade e com a bagagem de ter jogado 34 partidas na primeira divisão em 2024. Se o time não subir, o zagueiro seguirá sendo um dos profissionais mais confiáveis da segunda divisão, com mercado garantido entre clubes que buscam solidez defensiva sem grandes investimentos.

Há consistência nos números. Falta o acesso.