Diz-se que Thiago Almada ainda não teve tempo suficiente para se adaptar ao futebol espanhol. Os números da partida contra o Osasuna derrubam essa tese — e o motivo importa para entender o que está acontecendo com o argentino no Atlético de Madrid.

O que os dados da partida contra o Osasuna revelam

Na vitória colchonera sobre o Osasuna, Almada foi escalado por Diego Simeone na ponta direita do ataque, compondo o trio ofensivo com Antoine Griezmann centralizado e Ademola Lookman pela esquerda. O resultado tático foi nulo: zero finalizações, zero toques dentro da área adversária e zero chances criadas para os companheiros. Simeone o substituiu no segundo tempo — sinal inequívoco de que a atuação ficou abaixo do aceitável até para um treinador reconhecido pela paciência com seus jogadores.

O Mundo Deportivo foi direto na avaliação: classificou Almada como o caso mais evidente de jogador que não responde às oportunidades na reta final da temporada e usou a expressão "espiral negativa" para descrever o momento do argentino. A publicação espanhola também confirmou que o atleta está na lista de transferências do clube.

A lesão que quebrou o ritmo e os números que não voltaram

O início de Almada no Atlético foi promissor. O argentino, que completa 25 anos no fim de abril de 2026, mostrou os atributos que justificaram a contratação: mobilidade entre linhas, capacidade de condução e transição ofensiva rápida. A lesão sofrida enquanto servia à seleção argentina interrompeu esse ciclo. Desde o retorno, a produção despencou.

O padrão que se instalou é preocupante do ponto de vista técnico. Almada passou a operar como um pulmão sem ar — presente no espaço, mas sem impacto real nas ações ofensivas. Na rodada anterior, diante do Celta de Vigo no Metropolitano, foi vaiado pela própria torcida ao ser substituído. Vaias em casa são o termômetro mais honesto da perda de confiança coletiva.

O que Simeone perde quando Almada não funciona

No esquema de Simeone, a ponta direita tem função dupla: pressionar a saída de bola adversária e ser o gatilho da transição ofensiva quando o Atlético recupera a posse. Almada, quando em boa fase, executa esse papel com eficiência — ele foi decisivo no Botafogo justamente pela capacidade de iniciar jogadas em espaços comprimidos.

Sem essa contribuição, o Atlético perde compactação no setor direito e sobrecarrega Griezmann na construção. O SportNavo mapeou que, nas últimas cinco partidas com Almada como titular, o índice de finalizações oriundas do corredor direito caiu em relação à média da equipe na temporada — reflexo direto da baixa participação do argentino.

O que os dados da partida contra o Osasuna revelam Por que Almada virou o proble
O que os dados da partida contra o Osasuna revelam Por que Almada virou o proble

O efeito cascata até o fim da temporada

Com o Atlético de Madrid ainda brigando por posições na La Liga 2025/2026, a má fase de Almada tem consequência direta nas opções táticas de Simeone para os jogos decisivos. O treinador argentino precisará decidir se mantém o jogador no esquema — apostando em uma recuperação improvável em poucas rodadas — ou reorganiza o setor ofensivo com outras peças.

Há, contudo, um fator externo que pode mudar a equação: a possível convocação de Almada por Lionel Scaloni para a Copa do Mundo de 2026. A expectativa em torno da lista de Scaloni, que será divulgada nas próximas semanas, pode funcionar como estímulo — ou como pressão adicional para um jogador que já demonstra sinais de fragilidade mental em campo. A próxima rodada da La Liga, ainda em maio, será o teste mais imediato para avaliar se Almada consegue inverter a curva antes que o clube espanhol formalize sua saída no mercado de transferências.