Quarta-feira, 21h43. O goleiro Rafael ainda estava no vestiário do Alfredo Jaconi quando o executivo de futebol Rafinha ligou para o presidente Massis, em São Paulo, e selou a demissão de Roger Machado — dois meses após a sua contratação. O placar de 3 a 1 para o Juventude pela Copa do Brasil foi o gatilho, mas o diagnóstico do momento tricolor é muito mais complexo do que um resultado de mata-mata.

O colapso que um placar não explica

Roger Machado acumulou 17 jogos à frente do São Paulo, com 7 vitórias e eliminação na Copa do Brasil. Segundo relatos de fontes presentes no estádio gaúcho, o treinador deixou o Jaconi visivelmente abatido, em silêncio, antes mesmo de a coletiva da diretoria terminar. O auxiliar Adailton Bolzan recebeu abraços de jogadores no corredor — uma cena que, sociologicamente, revela o grau de afeto construído em pouco tempo, mesmo num ambiente de crise.

Jonathan Calleri foi um dos que mais falou durante a reunião de 1h20 no vestiário, fazendo críticas diretas à postura coletiva do time em campo. A liderança do argentino e do goleiro Rafael naquele momento diz algo sobre a estrutura de poder informal do elenco — e sobre quem, de fato, pautará o próximo ciclo técnico.

"Dorival mudou de patamar nos últimos anos. Deixou de ser visto como 'apagador de incêndio' para virar um técnico que chega aos clubes para disputar e ganhar títulos." — análise publicada pelo UOL Esporte após a demissão de Roger Machado.

O que Dorival Júnior representa para o São Paulo

Dorival Júnior conquistou a Copa do Brasil de 2023 pelo São Paulo — título que encerrou um jejum de 9 anos sem troféus para o clube. Essa passagem criou uma identificação afetiva rara entre técnico e torcida, algo que os dados de pesquisa de sentimento nas redes sociais confirmam sempre que o nome dele volta à pauta tricolor.

O colapso que um placar não explica Por que Dorival Júnior deveria pensar du
O colapso que um placar não explica Por que Dorival Júnior deveria pensar du

Há, porém, uma tensão estrutural nessa narrativa. Em O Mito de Sísifo, Camus descreve o absurdo de repetir um esforço sabendo das condições do terreno. Dorival, hoje com um currículo que inclui a seleção brasileira, precisaria avaliar se o São Paulo de 2026 oferece condições mínimas para um projeto vencedor — ou se o retorno seria mais simbólico do que estratégico.

Uma crise com causas mais profundas que o banco de reservas

Os diretores Rui Costa e Rafinha, que conduziram a demissão de Roger ainda no gramado do Jaconi, seguem no clube. Essa continuidade é um dado estrutural relevante: significa que o ambiente institucional que produziu a crise permanece intacto. Trocar o técnico sem alterar variáveis de gestão é uma solução que a literatura de administração esportiva classifica como cosmética — e os dados históricos do São Paulo nos últimos cinco anos, com ao menos quatro trocas de comando, reforçam esse padrão.

"A turbulência no Morumbis está MUITO longe do fim", alertou colunista do UOL Esporte, avaliando que as causas da crise são anteriores e mais profundas do que a gestão de qualquer treinador.

Os cenários concretos para as próximas semanas

Com a eliminação na Copa do Brasil, o São Paulo concentra suas fichas no Brasileirão 2026. O clube ocupa posição desconfortável na tabela e precisa de uma reação imediata para não ver o campeonato escapar antes do meio da temporada. Nesse contexto, a escolha do próximo técnico não é apenas esportiva — é uma declaração de intenção sobre o modelo de gestão que a diretoria pretende adotar.

Se Dorival Júnior aceitar o convite, assumirá um elenco com lideranças ativas no vestiário — Calleri e Rafael já demonstraram isso em Caxias do Sul — e uma torcida disposta a apostar num nome conhecido. O São Paulo volta a campo pelo Brasileirão no próximo final de semana, e a indefinição no comando técnico torna cada dia sem decisão um custo adicional para um clube que já não tem margem para dilapidações.