26 de outubro de 2025. Jhonata Robert completou 26 anos na véspera de uma das fases mais densas do seu contrato com o Criciúma. A data é um marcador útil para entender onde está um jogador que passou anos sob a sombra de um clube maior e agora carrega o número 10 no peito.

O dia em que tudo mudou

Jhonata Robert Alves da Silva passou anos no Grêmio — clube que, no mercado interno, opera com orçamento e visibilidade muito acima da média do Brasileirão Série A. Nesse ambiente, o atacante acumulou quatro títulos do Campeonato Gaúcho (2021, 2022, 2023 e 2024) e três Recopas Gaúchas (2021, 2022 e 2023). São sete troféus em quatro temporadas — um volume que muitos jogadores da sua faixa etária não atingem nem em dez anos de carreira.

A transição para o Criciúma representou uma mudança de eixo. Saiu de um clube historicamente brigador por vaga em Libertadores para um projeto que precisa consolidar sua posição na primeira divisão. A Recopa Catarinense de 2025 foi o primeiro título pelo novo clube — modesto em peso continental, mas relevante como sinal de adaptação rápida ao ambiente catarinense.

Receber a camisa 10 num clube da Série A não é detalhe administrativo. É uma declaração de intenção da comissão técnica: este é o jogador que vai organizar o jogo ofensivo. O peso dessa numeração muda o que se espera de cada partida.

Antes do divisor de águas

Formado no futebol gaúcho, Jhonata Robert construiu sua base técnica dentro de uma das estruturas de categorias de base mais organizadas do país. O Grêmio tem histórico de produzir jogadores com leitura tática acima da média para a função de ponta ou meia-atacante — posição que exige tanto movimentação sem bola quanto capacidade de decisão no último terço.

179 cm e 73 kg colocam o atleta numa faixa física equilibrada para a função: não é o tipo que vai ganhar duelos aéreos como referência de área, mas também não é frágil o suficiente para ser neutralizado por marcação física. Esse perfil favorece a mobilidade entre linhas, o que é coerente com o uso da camisa 10 num sistema que precisa de um jogador capaz de conectar meio e ataque.

Os anos no Grêmio foram de acumulação silenciosa: títulos estaduais, minutagem em competições de alto nível, exposição a disputas de Copa do Brasil e Sul-Americana. Esse tipo de currículo não gera manchetes, mas forma jogadores com repertório técnico e mental mais consistente.

Como o futebol mudou ao redor dele

Na temporada atual, os números de Jhonata Robert pelo Criciúma são os seguintes:

  • Jogos disputados: 31
  • Gols: 6
  • Assistências: 5
  • Cartões amarelos: 4
  • Cartões vermelhos: 0
  • Minutos jogados: 1.990

A taxa de participação em gols — 11 envolvimentos diretos em 31 partidas — equivale a uma contribuição ofensiva a cada 2,8 jogos. Para um atacante de camisa 10 num clube que não está brigando pelo título, esse número posiciona Jhonata Robert como um dos jogadores mais eficientes do elenco em termos de impacto no placar.

Os 1.990 minutos indicam presença quase integral nas partidas: uma média de 64 minutos por jogo, o que sugere que o técnico o utiliza como titular e não costuma retirá-lo cedo. Quatro cartões amarelos em 31 jogos mostram um jogador que disputa, mas não extrapola — zero vermelho é dado relevante para quem atua sob pressão constante de marcação adversária.

O contexto recente reforça a dificuldade do ambiente: no dia 2 de maio de 2026, o Criciúma perdeu para o Cuiabá por 1 a 0 na Arena Pantanal, gol de Basso de cabeça. Resultados como esse são o tipo de dado que compõe o cenário real de um clube que luta ponto a ponto na tabela — e que depende exatamente de jogadores como Jhonata Robert para não perder terreno.

No mercado, o Transfermarkt ainda não consolidou um valor de referência amplamente divulgado para o atleta nesta janela. Para fins de análise comparativa, jogadores com perfil similar — meia-atacante de 26 anos, camisa 10 em clube da Série A com produção acima de 10 participações diretas em gols por temporada — costumam ser precificados entre R$ 8 milhões e R$ 15 milhões no mercado interno brasileiro, a depender do interesse de clubes maiores e da cláusula contratual vigente. Jhonata Robert é o pulmão criativo do ataque do Criciúma: quando ele não funciona, o time não chega.

O próximo capítulo já começou

Nos próximos 12 meses, três cenários são factualmente plausíveis com base nos dados disponíveis.

Cenário 1 — Permanência e valorização: se o Criciúma mantiver posição confortável na Série A ao longo do segundo semestre de 2026, Jhonata Robert encerra a temporada com projeção de 8 a 10 gols e 6 a 7 assistências — números que justificam renovação com reajuste salarial ou atraem consulta de clubes do G-12 do Brasileirão.

Cenário 2 — Janela de transferência: um clube de médio porte europeu ou sul-americano que opere com scouting ativo no mercado brasileiro pode identificar o perfil como custo-benefício interessante. A combinação de 26 anos, sete títulos no currículo e produção ofensiva consistente é argumento para negociação. Nesse caso, os direitos econômicos e a existência ou não de cláusula de rescisão são os fatores determinantes — dados que não foram tornados públicos até o fechamento desta reportagem.

Cenário 3 — Consolidação como referência: permanecendo no Criciúma por mais uma temporada completa, Jhonata Robert pode se tornar o jogador mais valioso do clube em termos de mercado — posição que traz poder de negociação contratual, mas também pressão crescente por desempenho em cada rodada.

O que os dados desta temporada já indicam com clareza: Jhonata Robert não é mais um nome de transição. Ele é o ativo mais relevante do ataque catarinense no Brasileirão 2026.

26 anos. O relógio não parou.