— Esse menino do 11 tá voando esse ano.
— Qual? O Ronier?
— Sim. Cinco gols, cinco assistências. Já faz mais que muito jogador mais caro por aí.
Lucas Ronier tem 21 anos, 165 cm e uma trajetória que começa onde poucos imaginam: nas categorias de base do Coritiba aos oito anos de idade. Hoje, é o atacante que o clube paranaense não pode deixar escapar.
A assinatura técnica que o identifica
Dez participações diretas em gols em 35 jogos é o número que resume quem Lucas Ronier é no Brasileirão Série A de 2026.
Na temporada atual, o camisa 11 soma 5 gols e 5 assistências em 35 partidas. Para um atacante de 21 anos recém-promovido ao principal palco do futebol brasileiro, a média de quase uma participação direta a cada 3,5 jogos é uma marca relevante — e financeiramente legível para qualquer olheiro.
O perfil físico — 165 cm e 60 kg — enquadra Ronier no modelo de atacante veloz e de movimentação rápida, o tipo de jogador que explora espaços entre linhas e aproveita transições. Não é o centroavante de área que vive de duelos aéreos. É o atleta que desequilibra pela mobilidade e pela leitura de jogo.
Como ele aprendeu a fazer aquilo
Nenhum atalho: foram onze anos de base antes de um minuto sequer como profissional.

Lucas Ronier Vieira Pires chegou ao Coritiba em 2013, com oito anos, nascido em Fazenda Rio Grande, cidade da região metropolitana de Curitiba. O clube foi o único ambiente de formação que ele conheceu até assinar o primeiro contrato profissional, em 19 de dezembro de 2022.
A estreia no profissional veio em 3 de dezembro de 2023, nos minutos finais de uma derrota por 1 a 0 para o Red Bull Bragantino, fora de casa, com o Coritiba já matematicamente rebaixado para a Série B. Entrou substituindo Robson. O contexto era o pior possível — e mesmo assim, foi chamado.
O primeiro gol da carreira saiu em 9 de março de 2024, pelo Campeonato Paranaense: o segundo gol na vitória por 2 a 0 sobre o Cianorte. Uma marca simples, mas que marca o início de um ciclo diferente.
Como ele aprimorou ao longo dos anos
A Série B foi o laboratório que transformou promessa em titular.
Em 2024, Ronier disputou 29 jogos pelo Coritiba na Série B, marcou 4 gols e distribuiu 5 assistências. Foram números suficientes para o clube renovar o contrato em 19 de junho de 2024, estendendo o vínculo até dezembro de 2027. A decisão foi tomada enquanto o time ainda disputava o acesso — sinal de que a diretoria enxergou valor de longo prazo no atleta.
A segunda divisão é, historicamente, um filtro duro para jovens atacantes brasileiros. O nível técnico é irregular, os campos são ruins, os adversários são físicos e os jogos costumam ter menor espaço para a criatividade. Ronier atravessou esse filtro com consistência: em 2024, sua média de participações diretas em gols na Série B ficou em praticamente uma a cada seis jogos — número modesto, mas construído com regularidade.

Na temporada atual, com o Coritiba de volta à Série A, o salto é visível: a produção aumentou e o atleta ganhou protagonismo ofensivo dentro do esquema do clube.
Como aplica em jogos diferentes
Da Copa do Brasil ao Paranaense, o repertório de Ronier não se limita a uma única competição.
O histórico disponível mostra atuações em quatro competições distintas: Série A, Série B, Campeonato Paranaense e Copa do Brasil. Pelo Paranaense de 2024, participou de 8 jogos e marcou 1 gol. Na Copa do Brasil, acumulou 4 jogos ao longo de 2023 e 2024, sem registro de gols, mas com minutos importantes para a construção de repertório em mata-mata.
O contexto de copas e estaduais exige adaptações táticas que nem todo jovem atacante consegue absorver com naturalidade. A capacidade de Ronier de transitar entre diferentes formatos de jogo — liga, copa, estadual — sugere versatilidade que vai além da estatística bruta.
Com contrato garantido até dezembro de 2027, o Coritiba tem tempo e margem contratual para desenvolver o atleta sem pressão imediata de venda. Mas o mercado não espera: com 35 jogos na Série A em 2026 e 10 participações diretas em gols, o nome de Lucas Ronier já circula em conversas de mercado que, por ora, não se traduziram em proposta pública.
Para o torcedor, a recomendação prática é simples: acompanhe a próxima rodada do Brasileirão com atenção ao camisa 11 do Coxa. A temporada ainda está em curso, e Ronier é um dos jogadores com maior potencial de crescimento dentro da tabela.










