Novembro de 2015. Naquele mês, o América-MG encerrava uma campanha humilhante na Série B, rebaixado para a Série C com números que envergonhavam a torcida do Independência. Onze anos depois, o clube mineiro está reproduzindo — e, em alguns aspectos, superando — o pesadelo daquela temporada. Dois pontos em sete jogos, cinco derrotas, 12 gols sofridos e apenas 4 marcados. O saldo de -8 não é estatística: é o retrato fiel de um projeto que desmoronou antes de ser testado.
A narrativa que o Coelho vende não bate com os números da Série B
A diretoria do América-MG tentou construir, no início de 2026, a imagem de uma reconstrução responsável após o rebaixamento da Série A. Contratações pontuais, aproveitamento de jovens da base, trabalho de médio prazo. O discurso era palatável. O campo, porém, desfez a narrativa em sete rodadas: o time sofreu mais de 1,7 gol por jogo e marcou uma média de 0,57 — números que colocam o Coelho entre os piores ataques e defesas da competição simultaneamente, algo raro até para equipes recém-rebaixadas.
O técnico Roger Silva, que assumiu o cargo em março com contrato até o fim da Série B, ainda não encontrou equilíbrio entre linhas. Na derrota por 2 a 1 para o CRB, em Belo Horizonte, na 7ª rodada, o time levou o segundo gol em uma saída de bola mal executada — erro que se repetiu pela quarta vez na competição. Segundo fontes próximas à comissão técnica, o treinador deve promover mudanças no setor defensivo para o duelo deste domingo, com o retorno de Rafa Barcelos, que cumpriu suspensão, e a possível entrada de Willian Bigode entre os titulares.
O elenco do América-MG tem valor de mercado abaixo da média da Série B
Dados compilados pelo SportNavo mostram que o América-MG montou um dos dez elencos de menor valor estimado da Série B 2026. A folha salarial bruta gira em torno de R$ 2,8 milhões mensais — número modesto para um clube que disputou a Série A até o ano passado. Para efeito de comparação, o Náutico, adversário deste domingo nos Aflitos, opera com folha próxima a R$ 3,4 milhões e ocupa a 8ª posição, com 10 pontos. A diferença de investimento reflete diretamente na disparidade de desempenho.
Há também o problema das lesões. O meia Eduardo Person, escalado como titular na provável formação de Roger Silva, acumula histórico de lesões musculares e ainda não completou 90 minutos em nenhum dos jogos desta temporada. Yago Santos, outro nome no meio-campo, tem contrato até dezembro de 2026 com cláusula de renovação automática em caso de acesso — o que cria um paradoxo: o jogador tem incentivo financeiro para subir, mas o clube não tem estrutura para competir.
O que precisa mudar para o América-MG sobreviver à Série B
Existe uma cena clássica em Moneyball em que o personagem de Brad Pitt explica que times pobres precisam comprar vitórias de forma diferente dos ricos. O América-MG, neste momento, não está comprando vitórias de nenhuma forma — e o mercado da bola de julho será decisivo para saber se a diretoria tem capacidade de corrigir o rumo antes que o rebaixamento se torne inevitável.
Para o jogo deste domingo (10), às 16h, nos Aflitos, a provável escalação do Coelho tem Gustavo; Léo Alaba, Nathan, Emerson e Paulinho; Yago Santos, Felipe Amaral e Eduardo Person; Segovinha, Willian Bigode e Mastriani. A arbitragem será de Bruno Pereira Vasconcelos (BA), com VAR de Douglas Marques das Flores (SP). Uma vitória tiraria o América-MG da lanterna e abriria espaço para reconstruir ao menos a mínima confiança — mas com apenas 4 gols marcados em sete rodadas, a ofensiva precisará fazer algo que ainda não fez nesta Série B: funcionar.










