Sete gols e sete assistências em 18 jogos pelo Lyon. Esses são os números que fizeram Mikel Arteta colocar Endrick no radar do Arsenal, vice-líder da Premier League. O interesse, revelado pelo jornal espanhol Mundo Deportivo, não é aleatório — tem fundamento tático claro.
A temporada de Endrick no Lyon
Emprestado pelo Real Madrid em janeiro, Endrick encontrou em Paulo Fonseca o ambiente para operacionalizar suas qualidades. O técnico português usa o brasileiro como referência móvel no ataque, aproveitando sua capacidade de fixar marcadores e criar espaço nas costas da linha defensiva adversária.
Os 7 gols marcados até aqui no empréstimo ao Lyon revelam um atacante com alta eficiência na finalização — especialmente em situações de transição ofensiva rápida, onde sua aceleração em espaços reduzidos é determinante. A taxa de conversão, considerando o volume de chutes, posiciona Endrick entre os atacantes mais eficientes das cinco grandes ligas europeias neste período.
O próprio atacante, em entrevista recente, demonstrou equilíbrio ao ser questionado sobre seu futuro:
"Honestamente, não sei. Vim para cá por empréstimo de seis meses. Se eu tiver que voltar para o Real Madrid, voltarei com prazer. Se eu tiver que ir para outro lugar, irei."O jornal AS repercutiu a declaração e destacou que o brasileiro "não descartou nada" sobre seu destino — uma abertura que alimentou a especulação londrina.
O que Arteta busca no mercado de atacantes
O Arsenal encerrou a temporada passada sem um centroavante fixo de alto nível. Arteta opera com um sistema base em 4-3-3 ou 4-2-3-1, com frequente variação para um 4-4-2 em losango durante fases de posse elaborada. A posição de segundo atacante ou pivô que circula entre as linhas é a lacuna tática que o Arsenal pretende preencher.
A equipe londrina terminou a rodada mais recente com média de 59,4% de posse de bola na Premier League, segundo dados da Opta. Com essa característica, Arteta precisa de um atacante que funcione bem em espaços compactados — alguém que pressione a saída de bola adversária com intensidade e explore a profundidade no momento da transição ofensiva. Endrick, conforme levantamento do SportNavo, reúne os dois atributos em nível superior à média dos atacantes jovens disponíveis no mercado.
Como Endrick se encaixaria no esquema dos Gunners
A análise tática do perfil de Endrick no Lyon permite projetar ao menos três pontos de encaixe no sistema de Arteta:
- Linha de pressão alta: Endrick pressiona com eficiência a partir da saída de bola, característica central no pressing organizado dos Gunners;
- Movimentação entre linhas: o atacante tem habilidade de se movimentar na zona de sombra dos volantes adversários, criando linhas de passe verticais que abrem o espaço para os meias chegando;
- Transição ofensiva: sua velocidade em espaços curtos e a capacidade de conduzir sob pressão são compatíveis com as transições em bloco médio que Arteta utiliza para surpreender defesas organizadas.
O perfil difere de um centroavante de área puro — como o modelo Haaland, que o Manchester City utiliza com outro conjunto de referências posicionais. Endrick funciona mais como um pivô dinâmico, conectando o meio-campo ao ataque com mobilidade, o que dá mais imprevisibilidade ao sistema dos Gunners sem comprometer a estrutura de compactação defensiva.
Cenários para o futuro — empréstimo, venda ou retorno ao Real Madrid
O Real Madrid não pretende vender. A posição oficial do clube merengue, segundo o Mundo Deportivo, é que o elenco treinado por Xabi Alonso não possui nenhum atacante com as características de Endrick — o que torna seu retorno prioridade para a próxima temporada. O brasileiro não jogou nenhum minuto pelo Real Madrid nesta edição do campeonato espanhol.
Há, contudo, três cenários concretos em análise no mercado:
- Retorno ao Real Madrid: posição oficial do clube, com reintegração ao elenco de Xabi Alonso a partir de julho;
- Extensão do empréstimo ao Lyon: o clube francês demonstrou interesse em manter o atacante por mais uma temporada, conforme noticiado pelo Marca;
- Transferência ao Arsenal: dependente de uma mudança de posição do Real Madrid, condicionada provavelmente a necessidades financeiras ou a uma oferta fora do padrão de mercado.
A avaliação do SportNavo é que o cenário 3 exige uma confluência de fatores improvável no curto prazo — mas não impossível se Endrick mantiver o ritmo de produção até o final da temporada francesa. Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte e a Seleção Brasileira como motivação declarada do atacante, qualquer decisão sobre clube passará pelo filtro da garantia de minutos. O Arsenal oferece justamente isso: titularidade e competitividade em alto nível. A próxima janela de transferências abre em julho, e o Real Madrid precisará apresentar uma resposta formal ao mercado até lá.









