Quantas vezes você já viu o Brasil entrar em campo todo de branco, da cintura para baixo, numa Copa do Mundo? A pergunta parece simples, mas a resposta surpreende até torcedores veteranos. A combinação de camisa amarela, shorts brancos e meiões brancos — que a Seleção Brasileira usará nesta quarta-feira (24) contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami — apareceu apenas dez vezes nos 21 Mundiais anteriores.

Não foi escolha estética da CBF nem capricho da comissão técnica de Carlo Ancelotti. A Copa do Mundo tem regras claras de uniformes, e a Fifa as aplicou sem margem de negociação: como a Escócia é a mandante da partida e também utiliza shorts azuis, a entidade exigiu que o Brasil alterasse não apenas o calção, mas também os meiões, ainda que os tons de azul das duas seleções sejam tecnicamente distintos.

A regra que a Fifa não abre exceção

O regulamento da Fifa para uniformes em Copas do Mundo é categórico quanto à sobreposição de cores entre os kits dos dois clubes — e vale para todas as peças do conjunto, não apenas a camisa. A Escócia, mandante neste Grupo C, mantém o direito de jogar com seu uniforme principal: azul escuro na camisa, shorts azuis e meiões brancos com detalhes azuis. Isso impede o Brasil de usar sua combinação tradicional, que prevê calção azul.

A solução foi recorrer ao conjunto alternativo. O resultado é uma Seleção que entra em campo com a combinação amarelo-branco-branco — visual que a maioria dos torcedores com menos de 30 anos praticamente nunca viu numa Copa. A última aparição havia sido em 2014, no próprio Mundial disputado em casa, quando o uniforme alternativo foi utilizado em quatro das sete partidas da campanha brasileira, incluindo a semifinal traumática contra a Alemanha.

O que os números revelam sobre esse uniforme histórico

Antes de 2014, a combinação havia aparecido em apenas cinco edições do torneio: 1962, quando o Brasil conquistou o bicampeonato mundial; 1974, na Alemanha Ocidental; 1978, na Argentina; 1986, no México; e 2006, na Alemanha. Com a partida desta quarta-feira, o conjunto chega à sua 11ª aparição em Mundiais — um dado que coloca o uniforme no campo da raridade histórica.

O contexto esportivo da partida adiciona peso simbólico a essa escolha compulsória. O Brasil lidera o Grupo C com quatro pontos, mesma pontuação do Marrocos, mas com saldo de gols superior (3 a 1). Um empate contra os escoceses já garante a classificação às oitavas de final. Para confirmar a liderança isolada, Ancelotti precisará de vitória e ainda torcer para que o Marrocos não vença o Haiti por margem que supere a diferença de dois gols no saldo.

A regra que a Fifa não abre exceção Por que o Brasil joga de branco-branco c
A regra que a Fifa não abre exceção Por que o Brasil joga de branco-branco c

Ancelotti, Clarke e o clima de Miami entram no cálculo

Carlo Ancelotti escalou o Brasil com Alisson; Danilo, Gabriel Magalhães, Marquinhos e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Vinícius Júnior, Rayan e Matheus Cunha. A grande novidade é Rayan, de 19 anos, improvisado no lado direito do ataque para cobrir a ausência de Raphinha, lesionado no jogo contra o Haiti.

Do lado escocês, o técnico Steve Clarke optou por um meio-campo com dois volantes — John McGinn e Ferguson — e McTominay mais adiantado, numa tentativa de equilibrar marcação e criação contra o favoritismo brasileiro. A escalação completa: Gunn; Patterson, Hendry, McKenna e Robertson; McGinn, Ferguson, McTominay e McLean; Doak e Shankland. Clarke admitiu publicamente que tem um plano de contingência para eventuais interrupções climáticas.

"Obviamente, você não sabe quanto tempo vai durar o atraso. Se houver algum atraso, espero que seja breve. Temos uma estratégia de contingência e sabemos o que faremos se isso acontecer conosco", declarou Clarke na véspera do jogo.

O clima de Miami é, de fato, uma variável real. A previsão aponta 31°C no horário da partida, umidade relativa próxima de 85% e ventos de até 30 km/h. A chance de chuva com trovoadas está em torno de 30%, segundo sites meteorológicos americanos. O Hard Rock Stadium é aberto, o que expõe jogadores e torcedores diretamente às condições da Flórida. A Fifa monitora o índice WBGT (Wet Bulb Globe Temperature) e pode determinar pausas extras para hidratação se os níveis atingirem a faixa crítica. O precedente já existe nesta Copa: França x Iraque, na Filadélfia, foi interrompido por raios na semana passada.

"Condições climáticas extremas podem justificar a implementação de pausas para resfriamento durante a partida, de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Comitê Médico da FIFA", diz o regulamento oficial da entidade.

A transmissão no Brasil ficará a cargo do Grupo Globo — TV aberta com Everaldo Marques narrando, bancada com Júnior, Denílson e Cristiane Rozeira, e comentários jornalísticos de Ana Thaís Matos. O SBT também transmite em canal aberto, e o SporTV cobre pelo sinal fechado. A Cazé TV exibe pelo YouTube. A Globo programou um super pré-jogo a partir das 16h45, seguido do Jornal Nacional especial às 21h10, conforme levantamento em matéria do SportNavo.

A bola rola às 19h (de Brasília). Se o jogo ocorrer sem interrupções climáticas e o Brasil confirmar a classificação, a Seleção aguarda o resultado do Grupo D para conhecer seu adversário nas oitavas — partida marcada para o próximo fim de semana. Vale gravar ou acompanhar ao vivo: a definição da chave acontece simultaneamente, com Marrocos x Haiti no mesmo horário.