Entregou. O São Paulo saiu da Neo Química Arena com mais uma derrota no bolso — 3 a 2 para o Corinthians — e agora acumula quatro jogos sem vencer na 15ª rodada do Brasileirão 2026. Quatro jogos: três empates e uma derrota. O suficiente para ver a distância para o líder aumentar enquanto o time estaciona nos 24 pontos, na quarta colocação.
O que aconteceu no vestiário antes do segundo tempo
O primeiro tempo terminou empatado em 1 a 1, com um gol de Raniele para o Timão e Luciano empatando para o Tricolor aos 40 minutos. Mas o intervalo não produziu correção. O Corinthians voltou do vestiário como temporal de verão: rápido, sem aviso e sem pausa para a defesa tricolor se reorganizar. Aos seis minutos da segunda etapa, Matheuzinho fez jogada individual pela direita, deixou Ferreira no chão dentro da área e marcou. Minutos depois, o terceiro gol corintiano chegou em sequência — dois gols antes de o São Paulo conseguir sequer esboçar reação.
Reparemos no detalhe: os três gols sofridos vieram de falhas de organização defensiva, não de jogadas individuais geniais do adversário. Bobadilla foi direto ao ponto após o apito final.
"Acho que não fizemos uma boa partida. Levamos três gols que entregamos a eles. Trabalhar, trabalhar, porque isso não pode acontecer."
O gap que Roger Machado ainda não resolveu
A questão central do momento são-paulino não é técnica — é de tradução. O que funciona no CT da Barra Funda não chega ao gramado nos jogos de pressão. Bobadilla foi questionado diretamente sobre por que a evolução vista nos treinos de Roger Machado desaparece nas partidas decisivas. A resposta foi honesta e, justamente por isso, preocupante.
"Não sei (o motivo). Temos de trabalhar ainda mais. O único jeito para sair dessa situação é trabalhar para a sequência de jogos que teremos agora."
Na avaliação do SportNavo, esse gap entre treino e jogo é o maior desafio tático de Roger Machado neste momento. O time cria situações no CT, mas na Neo Química Arena, com 47 mil torcedores corintianos, o São Paulo recuou, perdeu a linha defensiva e entregou espaços que o Corinthians soube explorar com eficiência no segundo tempo.
A decisão que o São Paulo precisa tomar nas próximas rodadas
Com 24 pontos na quarta colocação, o São Paulo ainda não está em crise matemática — mas o calendário não perdoa. A sequência negativa de quatro jogos sem vitória em maio coincide com o período em que o time mais precisava de consistência para se firmar entre os candidatos ao título.
O polêmico gesto de Bobadilla na comemoração do gol de Luciano, que parou o jogo por cerca de 15 minutos enquanto o árbitro Anderson Daronco consultava o VAR, também consumiu energia e concentração do elenco num momento delicado do clássico — sem qualquer punição ao final, mas com desgaste emocional visível.
Roger Machado precisa de uma resposta concreta já na próxima rodada. O São Paulo volta a campo pelo Brasileirão com a obrigação de vencer para não ver o gap para o líder se tornar irreversível ainda no primeiro turno.








