A última vez que uma decisão de arbitragem gerou reação tão imediata nas redes sociais durante um Brasileirão foi na polêmica do gol anulado de Serna, no início desta temporada. Na noite deste sábado (2), Athletico-PR e Grêmio protagonizaram um novo episódio: aos 30 minutos do primeiro tempo, na Arena da Baixada, em Curitiba, o árbitro Sávio Pereira Sampaio expulsou o lateral argentino Lucas Esquivel após revisão do VAR por cotovelada em Enamorado. O placar seguia em 0 a 0 pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro 2026 quando o lance interrompeu o jogo e acendeu o debate.

Hoje: o que já é fato

O VAR identificou movimento de cotovelada de Esquivel sobre Enamorado durante disputa de bola no gramado da Arena da Baixada. Sávio Pereira Sampaio foi ao monitor, revisou o lance e aplicou o cartão vermelho direto ao lateral argentino. A decisão, em si, segue o protocolo da CBF para lances de violência desnecessária — qualquer cotovelada intencional que atinja o adversário no rosto ou pescoço enquadra-se como conduta violenta, passível de expulsão sem necessidade de cartão amarelo anterior.

O problema levantado pelos torcedores gremistas — e rapidamente amplificado nas redes sociais com o termo "vergonha" — é que, no mesmo enroscamento entre os dois jogadores, o atleta do Grêmio também teria feito movimento semelhante com o cotovelo. As imagens que circularam mostravam o lance de ângulos distintos, e a assimetria na punição gerou questionamentos legítimos sobre a consistência do critério adotado pelo VAR na partida.

"Vergonha" — expressão que dominou as redes sociais entre torcedores que acompanharam o lance em tempo real, segundo registros de publicações no X (antigo Twitter) durante o primeiro tempo da partida.

O contexto do jogo amplifica o peso da decisão: o Athletico-PR chegava à partida na 5ª colocação com 22 pontos, embalado por seis vitórias como mandante — divisindo com o Palmeiras o posto de melhor time em casa no Brasileirão 2026. O Grêmio, 11º colocado com 16 pontos, já atuava com desfalques importantes, incluindo o centroavante Carlos Vinícius, suspenso após desperdiçar três cobranças de pênalti na mesma jogada pela Sul-Americana no meio de semana.

Esta semana: o que se desdobra

A análise do SportNavo sobre o protocolo do VAR para lances de cotovelada aponta uma ambiguidade estrutural: a ferramenta tecnológica pode revisar um lance, mas a interpretação sobre intencionalidade e força do movimento continua sendo subjetiva. O árbitro de vídeo sinaliza o lance; o árbitro de campo decide. No caso desta partida, Sávio Pereira Sampaio optou por punir apenas Esquivel — o que, tecnicamente, pode ser justificado se o VAR identificou apenas um dos movimentos como suficientemente violento para configurar conduta violenta nos termos do Regulamento Geral de Competições da CBF.

Seria injusto chamar de epidemia de inconsistências o que o VAR brasileiro tem apresentado nesta temporada — mas é uma epidemia em escala doméstica, com frequência suficiente para que o debate sobre critérios claros ressurja a cada rodada. Neste Brasileirão 2026, ao menos quatro lances de cotovelada já foram revisados pelo VAR nas primeiras 14 rodadas, com desfechos diferentes: dois resultaram em expulsão, um em cartão amarelo e um sem punição alguma. A falta de padronização pública nos critérios de gradação da violência é o nó central.

O colombiano Viveros, artilheiro isolado do Brasileirão com 8 gols e principal trunfo do Athletico-PR, seguiu em campo com o Furacão em vantagem numérica. Para o Grêmio de Luís Castro, jogar com um a menos desde os 30 minutos do primeiro tempo representou um obstáculo adicional em uma partida já difícil, fora de casa, contra o melhor mandante da competição.

Próximas 4 semanas: o que vai mudar

Lucas Esquivel cumprirá suspensão automática de ao menos um jogo pelo cartão vermelho direto — e o caso provavelmente será analisado pelo STJD, que pode ampliar a punição se o lance for enquadrado como conduta violenta grave. O Grêmio tem 72 horas para protocolar eventual pedido de esclarecimento junto à CBF sobre a assimetria na aplicação da regra, embora a entidade raramente reverta decisões de campo.

Hoje: o que já é fato Por que só Esquivel foi expulso se os do
Hoje: o que já é fato Por que só Esquivel foi expulso se os do

A CBF anunciou em março de 2026 que implementaria, até o fim do primeiro turno do Brasileirão, um relatório público pós-rodada com justificativas dos árbitros de vídeo para lances revisados. Até a 14ª rodada, esse relatório ainda não foi disponibilizado de forma sistemática — o que alimenta exatamente o tipo de questionamento que surgiu neste Athletico x Grêmio. É o mesmo cenário que o Vasco viveu na Copa do Brasil de 2026, quando a ausência de transparência nos critérios do VAR deixou o clube sem resposta oficial sobre um lance similar — só que agora a aposta é diferente, porque o Grêmio tem posição na tabela e pontos a defender em uma sequência de jogos que pode definir se o Tricolor Gaúcho se afasta ou mergulha na zona de rebaixamento. O próximo compromisso do Grêmio no Brasileirão será em casa, onde Luís Castro precisará recompor o elenco e a confiança após mais uma noite de decisões que escaparam ao controle da comissão técnica.