Quinze anos convivendo com Lionel Messi no dia a dia do Barcelona dão a Xavi Hernández uma autoridade difícil de contestar. E foi com esse peso que o ex-meio-campista espanhol afirmou, em entrevista ao canal RomárioTV, que Neymar foi o único jogador que chegou perto do nível do argentino. A declaração não é retórica vazia — vem de quem dividiu vestiário, treino e títulos com ambos, e ainda tentou, como técnico, recontratar o brasileiro durante sua gestão no clube entre 2022 e 2024.

A semelhança que Xavi identificou no primeiro treino

Neymar chegou ao Barcelona em 2013, com 21 anos, vindo do Santos. O que Xavi viu naqueles primeiros dias no clube foi o que ficou gravado na memória do espanhol.

"O que vi do Neymar durante sua primeira semana conosco foi o mais próximo que ele chegou do Messi. Não vi nenhum jogador tão parecido com o Messi quanto o Neymar era quando chegou ao Barça aos 21 anos", disse Xavi.
A comparação não é apenas técnica. Xavi identificou em Neymar a mesma capacidade de tomar decisões em espaços comprimidos, o mesmo improviso com resultado prático e, sobretudo, a habilidade de elevar o nível coletivo — algo que o argentino fazia de forma sistemática.

Para entender o peso da declaração, basta olhar os números da fase em que os três dividiram o ataque do Barcelona. Na temporada 2014-15, o trio MSN — Messi, Suárez e Neymar — marcou 122 gols combinados, com o brasileiro somando 39 gols e 10 assistências entre todas as competições. O Barça conquistou a tríplice coroa naquela temporada, e Neymar foi decisivo nas finais da Champions League e da Copa do Rei.

A semelhança que Xavi identificou no primeiro treino Por que Xavi coloca Neymar
A semelhança que Xavi identificou no primeiro treino Por que Xavi coloca Neymar

Messi acima de todos, mas Neymar em outra categoria

Xavi não colocou os dois no mesmo patamar — e a distinção é relevante. Sobre Messi, o tom foi de admiração absoluta.

"Messi é um fenômeno, de outro planeta. Convivi com o Leo todos os dias durante 15 anos, e ele era o melhor em tudo: técnica, físico, compreensão do jogo, cabeceio, seu pé mais fraco, sua mentalidade. Ele é um animal competitivo. Imbatível", afirmou o espanhol.
A comparação com Neymar, portanto, não é de igualdade — é de proximidade dentro de um universo onde ninguém mais chegou sequer perto.

Xavi também posicionou Ronaldinho Gaúcho nessa hierarquia, reconhecendo que R10 teve um impacto histórico superior ao de Neymar no clube catalão. "Ronaldinho mudou a história do Barcelona. Era um Barcelona triste, uma época perdedora, e o Ronaldinho, com sua magia, seu carisma, nos levou ao sucesso. Esses dois anos de Ronaldinho… para mim, está um ponto acima de Neymar", declarou o treinador. A análise do SportNavo sobre as três gerações de craques brasileiros no Barça reforça exatamente essa gradação: Ronaldinho transformou a identidade do clube, Neymar foi peça de uma era vencedora, mas não o centro gravitacional dela.

A tentativa frustrada de recontratar Neymar

O que transforma a declaração de Xavi em algo além de nostalgia é o fato de ele ter agido concretamente com base nessa admiração. Como técnico do Barcelona entre novembro de 2021 e maio de 2024, o espanhol tentou viabilizar o retorno do brasileiro ao clube. A iniciativa esbarrou na situação financeira do Barcelona — à época, o clube ainda lidava com as consequências do colapso econômico que exigiu o acionamento das chamadas alavancas financeiras para contratar novos jogadores dentro das regras da La Liga. O fair play financeiro e a dívida acumulada tornaram inviável qualquer operação envolvendo os salários que Neymar recebia no PSG.

Messi acima de todos, mas Neymar em outra categoria Por que Xavi coloca Neymar c
Messi acima de todos, mas Neymar em outra categoria Por que Xavi coloca Neymar c

Neymar, atualmente no Santos, retornou ao Brasil em 2024 após passagem pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, interrompida por grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo — trauma sofrido em outubro de 2023. O retorno ao clube que o revelou é, sob qualquer perspectiva, uma redução drástica de status e salário em relação ao auge na Europa.

Brasil entre os favoritos e o peso do nome Ancelotti

Na mesma entrevista ao RomárioTV, Xavi apontou o Brasil entre os cinco maiores favoritos à Copa do Mundo de 2026, ao lado de Espanha, Argentina, França e Portugal. A justificativa foi direta: a presença de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira.

"O Brasil pode ser campeão, sim. Primeiro, por ter Ancelotti, que é um treinador que faz todos os jogadores melhorarem. Onde quer que ele tenha ido, competiu bem, e os jogadores sempre falam muito bem dele como treinador. Então o Brasil já é favorito porque é o Brasil, mas ainda mais por causa do Ancelotti", disse Xavi.
O italiano, contratado pela CBF para substituir Fernando Diniz em 2024, ainda não disputou uma Copa do Mundo como técnico da Amarelinha, mas chega ao torneio com seis títulos da Champions League no currículo, sendo quatro pelo Real Madrid.

O levantamento do SportNavo sobre as edições recentes da Copa do Mundo mostra que o Brasil não conquista o título desde 2002, quando venceu a Alemanha por 2 a 0 na final disputada no Japão. São 24 anos de jejum, com eliminações precoces em 2006, 2010, 2014 e 2018 — a mais traumática delas, a goleada por 7 a 1 sofrida para a Alemanha, semifinal disputada no próprio Mineirão. A Copa de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, e o Brasil estreia na fase de grupos com um elenco jovem liderado por nomes como Vinicius Jr., Rodrygo e Endrick. Se Neymar terá condições físicas de integrar esse grupo ainda é uma incógnita — o atacante do Santos completará 34 anos em fevereiro de 2026.