Confesso: eu errei sobre Pepê em 2024. Escrevi que o brasileiro havia atingido seu teto no Porto e que dificilmente geraria uma venda expressiva. Hoje, com o clube português admitindo ouvir propostas a partir de 30 milhões de euros, entendo onde errei — subestimei a valorização que a consistência silenciosa produz no mercado europeu.

O jornal português Record publicou que a diretoria do Porto está aberta a negociar o atacante nesta janela de verão, com o piso de 30 milhões de euros como referência. Clubes da Premier League, da Serie A e da MLS já monitoram a situação do jogador, segundo a mesma fonte.

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Os números que transformaram Pepê em ativo de 30 milhões

Pepê foi contratado junto ao Grêmio em 2021 por aproximadamente 15 milhões de euros — cerca de R$ 93 milhões na cotação da época. Cinco anos depois, o Porto pretende vendê-lo pelo dobro desse valor: 30 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 186 milhões na cotação atual. A diferença entre os dois valores é da ordem de R$ 93 milhões — algo próximo ao orçamento anual de contratações de um clube médio da Série A do Brasileirão.

Na temporada 2025/2026, o brasileiro disputou 48 partidas, sendo 41 como titular. Registrou quatro gols e seis assistências — números modestos estatisticamente, mas que não traduzem o impacto real do jogador dentro do modelo coletivo do Porto.

Aos 29 anos, Pepê é um dos atletas mais antigos do atual elenco azul e branco. A idade, combinada com o valor pedido, torna a negociação viável para diferentes perfis de compradores — desde clubes europeus de médio porte até franquias da MLS dispostas a investir em nomes com currículo continental.

Por que Premier League, Serie A e MLS miram o mesmo jogador

A polivalência de Pepê explica o interesse geograficamente disperso. O atacante foi utilizado pelo Porto em pelo menos quatro funções distintas ao longo dos últimos anos: ponta esquerda, ponta direita, meia avançado e até em tarefas de recomposição defensiva pelos corredores. Esse tipo de perfil tem demanda alta nos três mercados citados.

Na Premier League, a pressão alta e as transições rápidas exigem exatamente o que Pepê oferece — velocidade em condução, capacidade de pressionar adversários e drible curto em espaços reduzidos. Na Serie A italiana, a tendência recente de clubes como Napoli e Lazio de investir em brasileiros versáteis reforça o enquadramento do perfil. Na MLS, o interesse tem componente financeiro claro: jogadores experientes com passagem europeia chegam com salários que podem superar 3 milhões de dólares anuais — faixa compatível com o que Pepê provavelmente recebe em Portugal.

Segundo o Record, a diretoria do Porto admite ouvir propostas a partir de 30 milhões de euros pelo atacante, que é um dos jogadores mais antigos do atual elenco azul e branco.

O SportNavo apurou que, entre os três mercados, a Premier League representa o destino com maior capacidade financeira para fechar o negócio dentro do prazo da janela de verão europeia, que encerra em 1º de setembro de 2026. Clubes ingleses de segundo escalão já negociaram valores nessa faixa por brasileiros com perfil similar nos últimos dois anos.

O que o Porto ganha e o que perde com a saída

Do ponto de vista financeiro, a venda de Pepê por 30 milhões de euros representaria lucro líquido próximo a 15 milhões de euros sobre o valor de aquisição — desconsiderando amortizações e bônus contratuais que não foram divulgados publicamente. Para um clube que precisa equilibrar as contas após temporadas sem título da Champions League, a operação faz sentido.

A distância entre o custo de 2021 e o preço pedido hoje é equivalente, em termos proporcionais, à diferença de latitude entre Recife e Porto Alegre — dois extremos que parecem distantes no mapa, mas que o Porto percorreu metodicamente ao valorizar um ativo que muitos descartavam como estagnado.

Pepê foi utilizado em diferentes funções ofensivas pelo Porto — aberto pelos dois lados, como meia mais avançado e até em tarefas de maior recomposição defensiva, segundo informações do Record.

A saída, porém, deixa um vácuo difícil de preencher. Pepê acumulou 230 partidas pelo clube português desde 2021, construindo entendimento coletivo que não se replica com uma contratação de janela. O Porto precisaria buscar um substituto com perfil similar — e no mercado atual, jogadores com essa combinação de versatilidade, velocidade e experiência europeia custam no mínimo o mesmo valor pedido por Pepê.

Cenários concretos para a negociação até setembro

Três desfechos são plausíveis para esta janela. O primeiro, e mais provável financeiramente, é a venda para um clube da Premier League pelo valor pedido ou próximo disso — a liga inglesa concentra os maiores orçamentos de contratação do futebol mundial em 2026. O segundo é a transferência para a Serie A, possivelmente com parte do pagamento em parcelas, prática comum nas negociações italianas. O terceiro é a MLS, onde o valor seria parcialmente compensado por salários mais altos oferecidos ao jogador.

Os números que transformaram Pepê em ativo de 30 milhões Porto abre negociação e
Os números que transformaram Pepê em ativo de 30 milhões Porto abre negociação e

Há ainda a possibilidade de nenhuma proposta atingir os 30 milhões de euros exigidos pelo Porto. Nesse caso, Pepê permanece em Portugal por mais uma temporada — com contrato que, segundo informações circulantes no mercado, se estende até junho de 2027.

A janela de transferências europeia de verão abre oficialmente em 1º de julho de 2026. Até lá, o Porto segue avaliando propostas informais. A definição do destino de Pepê deve ocorrer antes do fim de julho, quando os clubes da Premier League normalmente concluem suas principais contratações para iniciar a pré-temporada. Em 31 de julho saberemos se o brasileiro deixa Portugal — ou se o Porto recoloca o preço na vitrine por mais doze meses.