6 finalizações nos últimos 4 anos de carreira no UFC — e todas por nocaute ou TKO. Carlos Prates chegou a Perth, Austrália, carregando um padrão de destruição que poucos atletas do peso meio-médio conseguem sustentar por tanto tempo. Neste sábado, 2 de maio de 2026, na RAC Arena, o brasileiro enfrenta Jack Della Maddalena na luta principal do UFC Fight Night, e o que está sobre a mesa vai muito além de um simples resultado na ficha.

A cena

Perth não é território neutro — é a casa de Della Maddalena, e Prates vai lá mesmo assim.

A RAC Arena estará tomada por torcedores australianos. Jack Della Maddalena, 29 anos, é o herói local: nasceu em Perth, treina em Perth, e transformou a cidade num reduto do MMA australiano. O peso dos 77,1 kg foi confirmado por ambos na pesagem oficial, sem intercorrências — diferente de outros combates do card, como o de Gerald Meerschaert, que pesou 1,8 kg acima do limite e perdeu 30% da bolsa para Jacob Malkoun.

Prates chegou ao octógono sem o benefício da torcida, mas com algo mais valioso: momentum. O brasileiro construiu uma sequência de vitórias convincentes na categoria e chega a Perth como o principal nome brasileiro do card — num evento que também conta com Beneil Dariush, Tim Elliott e Shamil Gaziev no lineup.

O contexto que explica

Dois estilos opostos, uma única pergunta: quem dita o ritmo?

A análise do SportNavo aponta uma dicotomia clara entre os dois atletas. Prates é um striker de pressão alta: avança com volume, usa o reach de forma inteligente e tende a impor o ritmo nos primeiros dois rounds. Seu striking accuracy supera a média da divisão, e ele raramente para de jogar na frente — o que cria problemas para oponentes que dependem de contra-golpe.

Della Maddalena, por outro lado, é um lutador tecnicamente mais completo do que parece à primeira vista. Ele tem wrestling defense acima da média para a divisão e sabe usar a distância. O australiano perdeu o cinturão dos meio-médios para Islam Makhachev no UFC 322, onde passou 25 minutos sendo controlado no chão — uma derrota que expôs limitações reais no grappling defensivo quando pressionado por um atleta de elite.

O ponto central do confronto está no primeiro round. Prates precisa estabelecer distância, usar o jab como ferramenta de medição e evitar que Della Maddalena encontre o timing para o overhand direito — golpe que o australiano usa como finalizador desde os tempos de Contender Series. Se o brasileiro sobreviver à explosão inicial do anfitrião, os rounds 2 e 3 tendem a pender para o lado brasileiro à medida que o gás de Della Maddalena cai.

Nas palavras do próprio Prates, registradas antes do evento, o plano é claro: ele não veio para Perth para administrar pontos. A declaração do brasileiro reforça o que os dados já mostram — Prates fecha lutas, não as controla.

"Vim para terminar a luta. Não estou pensando em decisão." — Carlos Prates, em declaração pré-luta no UFC Perth.

As implicações imediatas

Uma vitória aqui não é só resultado — é um endereço no ranking.

Della Maddalena está ranqueado no top 5 do peso meio-médio do UFC. Uma vitória sobre ele projeta Prates diretamente para o top 15 da divisão, com argumento sólido para uma luta de ainda maior prestígio na sequência. O calendário de 2026 já mostra um meio-médio em ebulição: Belal Muhammad segura o cinturão, e a fila de candidatos está se formando com nomes como Shavkat Rakhmonov e Sean Brady.

Conforme levantamento do SportNavo, Prates tem o perfil técnico para incomodar qualquer um dos top 10 da divisão — desde que mantenha a consistência no striking e evite o chão contra atletas com wrestling superior. A luta contra Della Maddalena é, justamente, o teste ideal para essa tese: o australiano não vai levá-lo ao chão com facilidade, o que transforma o confronto numa batalha de pé em que o brasileiro tem vantagem histórica.

"Prates tem o tipo de poder que muda uma luta em qualquer segundo. Della Maddalena vai precisar ser perfeito." — análise de comentarista do UFC antes do evento em Perth.

A luta principal do UFC Perth começa a partir das 5h (horário de Brasília) deste sábado, 2 de maio de 2026, transmitida pelo Paramount+. Se Prates vencer — especialmente por nocaute — o UFC terá dificuldade em ignorar seu nome na próxima rodada de lutas de ranking do peso meio-médio.