Falhou. O PSG, que tinha tudo para selar o título francês com tranquilidade neste sábado (2), ficou no empate em 2 a 2 com o Lorient — dentro do Parc des Princes — e transformou o que deveria ser uma festa em uma tarde de tensão aritmética. Mbaye abriu o placar logo aos 5 minutos, Zaire-Emery recolocou o time na frente no segundo tempo, mas Pablo Pagis e Aiyegun Tosin responderam para os visitantes, que somam apenas 42 pontos e não têm nada a perder na reta final.

A cena

O roteiro parecia ensaiado para uma vitória controlada. Désiré Doué pedalou pela esquerda, cruzou, o goleiro Mvogo rebateu e a bola sobrou para Mbaye marcar o primeiro. Mas o Lorient empatou em menos de sete minutos, com Pagis aparecendo entre os zagueiros num cruzamento simples — o tipo de vacilo defensivo que Luis Enrique não pode se dar ao luxo de repetir. Zaire-Emery, que entrou no segundo tempo e recebeu a faixa de capitão, colocou o PSG em vantagem com um chute ajeitado na entrada da área. O empate veio de Tosin, após uma falha que as fontes descrevem como consequência direta do time poupado escalado pelo técnico espanhol.

O goleiro Renato Marin — revelado nas categorias de base do São Paulo e do Palmeiras, com passagem pela Roma antes de chegar a Paris em julho do ano passado — e o zagueiro Beraldo, também formado pelo São Paulo e contratado em janeiro de 2024, estavam entre os titulares. A escalação confirmou a estratégia de Luis Enrique: poupar os principais jogadores para a semifinal da Champions League contra o Bayern de Munique, na quarta-feira.

O contexto que explica

Quem acompanha o futebol francês há décadas reconhece o padrão. O PSG de 1993-94, antes da era qatari, já havia perdido o título para o Metz em circunstâncias parecidas — time grande, jogo em casa, adversário sem pressão, resultado embaraçoso. A diferença é que, naquela época, o clube parisiense não tinha a gordura financeira para se recuperar. Hoje tem, mas a lógica do campo não respeita balanços contábeis.

A comparação mais precisa, segundo levantamento do SportNavo, é com o Monaco de 2016-17: o time do Jardim chegou à última fase com uma vantagem confortável sobre o PSG, mas viveu três rodadas de angústia porque priorizou a semifinal da Champions — perdida para a Juventus — e deixou a liga em segundo plano por um breve período. O Monaco terminou campeão com 95 pontos, mas o susto foi real. Agora a situação se inverte: é o PSG quem pode pagar o preço de dividir as atenções.

Com 70 pontos após 36 rodadas, o PSG lidera a Ligue 1. O Lens tem 63 e entra em campo ainda neste sábado contra o Nice. Se vencer, a diferença cai para quatro pontos com duas rodadas restantes — matematicamente, o título ainda pode escapar. Nas palavras do técnico Luis Enrique, segundo apuração do SportNavo junto à imprensa francesa, o foco agora é administrar os dois fronts sem abrir mão de nenhum deles:

"Temos dois objetivos e vamos lutar pelos dois até o fim. Não vou esconder que o Bayern é uma prioridade desta semana, mas o campeonato não está ganho."

As implicações imediatas

A matemática ainda favorece o PSG, mas o conforto acabou. Para garantir o título antes da última rodada, o time precisa vencer o Brest no Parc des Princes na próxima rodada e torcer para o Lens não ganhar seus dois jogos restantes. O Lens, por sua vez, visita o Nice neste sábado e ainda terá o Lorient pela frente — o mesmo Lorient que acabou de empatar com o PSG e mostrou que não entrega pontos de graça.

O cenário mais delicado para o PSG seria uma derrota para o Bayern na quarta-feira combinada com uma tropeçada contra o Brest. Seria o colapso duplo que nenhum torcedor parisiense quer imaginar — mas que a história do futebol europeu já registrou em casos como o Arsenal de 2002-03, que chegou à reta final liderando a Premier League e a Champions e terminou sem nenhum dos dois títulos. Guardiola costuma dizer que dividir o foco não é fraqueza, é gestão; o problema é quando a gestão produz empates em casa com times de zona de rebaixamento.

O PSG volta a campo na quarta-feira (6) para enfrentar o Bayern de Munique em Munique, pelo jogo de volta das semifinais da Champions League — os franceses venceram o primeiro duelo por 5 a 4. Na Ligue 1, o próximo compromisso é contra o Brest, no Parc des Princes, onde uma derrota ou empate pode deixar o título na mão do Lens até a rodada final. Errou — e agora o PSG precisa responder antes que o erro vire catástrofe.