Diz-se que a pressão sobre presidentes de futebol fica restrita às arquibancadas e às redes sociais. Na noite de quinta-feira (7), no campus da Universidade Santa Cecília, em Santos, ficou claro que não fica — e o motivo importa mais do que o episódio em si.
Durante a 41ª edição dos Jogos da Unisanta, evento esportivo universitário promovido pela instituição que pertence à família Santos — e da qual Marcelo Teixeira é presidente do conselho de administração —, um aluno e torcedor do Peixe interceptou o dirigente ao fim da noite. A discussão escalou, os dois se exaltaram e agentes da Polícia Militar, já presentes na segurança do evento, precisaram acompanhar a situação de perto. O vídeo viralizou nas redes sociais em menos de uma hora.
O que aconteceu na Unisanta e o que o vídeo mostra
A diretoria da Atlética da Faculdade de Artes e Comunicação (FaAC) publicou nota oficial tentando contextualizar o episódio. O comunicado deixou claro que não houve manifestação organizada nem ataque ao presidente.
"O ocorrido se trata de uma atitude isolada de um aluno que estuda em um dos nossos cursos. O vídeo publicado nas redes sociais mostra, inclusive, membros da nossa diretoria tentando apartar e encerrar a situação, que acabou se estendendo além do necessário."
A nota ainda reforçou que a cobrança feita ao dirigente, "em um momento inoportuno", não tem o apoio nem a concordância da FaAC. Mas o vídeo já havia acumulado dezenas de milhares de visualizações no X (antigo Twitter) antes mesmo da nota ser publicada — e o debate nos comentários mostrou que a maioria da torcida santista, mesmo discordando do método, entende a frustração.
Isolado.
O Santos de 2026 e os números que explicam a revolta
O contexto transforma o episódio de curiosidade em sintoma. O Santos acumula sete jogos consecutivos sem vitória no Brasileirão 2026. A última vez que o time venceu foi diante do Atlético-MG. Hoje, o clube ocupa a 16ª posição, com 15 pontos — mesma pontuação do Corinthians, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.
Na Copa Sul-Americana, o quadro é ainda mais grave: o Santos é lanterna do Grupo D, sem uma vitória sequer no torneio. São três frentes abertas — Brasileirão, Sul-Americana e Copa do Brasil — e o time não consegue pontuar de forma consistente em nenhuma delas.
Pensar nessa gestão como uma banda que entrou em turnê sem ensaiar o repertório novo: o público conhece as músicas antigas, mas o show atual não entrega. A torcida paga ingresso esperando uma coisa e recebe outra. A conta chega na hora menos esperada — como numa quadra universitária numa quinta-feira à noite.
O risco de rebaixamento é real. Em 2023, o Santos caiu para a Série B e a volta à elite custou caro financeiramente e em termos de elenco. Repetir o ciclo em 2026 seria um golpe ainda mais duro, com contratos de patrocínio e cotas de TV diretamente afetados.
Marcelo Teixeira sob pressão e os próximos jogos decisivos
A gestão de Marcelo Teixeira já vinha sendo questionada nas redes sociais muito antes do episódio da Unisanta. Perfis santistas com alto engajamento no Instagram e no X vinham publicando compilações de resultados negativos, comparativos de aproveitamento e críticas à política de contratações. O vídeo de quinta-feira funcionou como um acelerador desse debate — transformou uma insatisfação digital em imagem concreta, com PM e tudo.
"A cobrança feita por uma pessoa, enquanto torcedor do Santos Futebol Clube, ao presidente da instituição, em um momento inoportuno, não possui o apoio nem a concordância da FaAC", completou a nota da diretoria da atlética.
O problema para Teixeira é que o campo não dá trégua. O Santos tem dois compromissos críticos nos próximos dias: no domingo, recebe o Red Bull Bragantino pela 15ª rodada do Brasileirão, precisando urgentemente de três pontos para se distanciar da zona de rebaixamento. Na sequência, no dia 13, decide a vaga nas oitavas da Copa do Brasil contra o Coritiba, no Couto Pereira, em Curitiba.
Duas decisões em menos de uma semana. Dois resultados que podem definir o tom da pressão sobre a diretoria nas semanas seguintes. Se o Santos não vencer o Bragantino no domingo, a temperatura nas redes — e talvez fora delas também — vai subir mais um grau.








