Quantas vezes um jogador de 33 anos consegue se reerguer depois de fraturar costelas, torcer o tornozelo e agora romper o tendão de Aquiles — tudo em menos de doze meses? A pergunta não tem resposta fácil, e neste domingo (3) ela pousou com peso sobre o Morumbi, sobre Bragança Paulista onde o jogo aconteceu, e sobre qualquer torcedor são-paulino que assistiu Lucas Moura deixar o gramado carregado, sem conseguir apoiar o pé direito no chão, o rosto molhado de lágrimas.

O atacante havia entrado aos 18 minutos do segundo tempo do empate em 2 a 2 com o Bahia, pela 14ª rodada do Brasileirão. Foram aproximadamente 24 minutos em campo — o primeiro jogo após 45 dias de recuperação de duas fraturas nas costelas sofridas em 18 de março, contra o Atlético-MG. A torcida aplaudiu a entrada. Vinte minutos depois, o silêncio voltou.

Segundo fontes ouvidas pela ESPN, a contusão mais provável é uma ruptura do tendão de Aquiles. Se confirmada como total, Lucas precisará de cirurgia nos próximos dias e de um período de recuperação estimado em cerca de um ano — o que o retiraria de toda a temporada de 2026 e colocaria em dúvida qualquer participação competitiva antes de meados de 2027. Os exames de imagem foram realizados na noite deste domingo no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com resultado esperado na madrugada de segunda-feira (4).

O que dizem os envolvidos

O técnico Roger Machado não escondeu a apreensão na coletiva após o jogo. Suas palavras foram diretas e pesadas:

"O caso do Lucas é um pouco mais preocupante. Ele vai ser encaminhado ao hospital agora para uma avaliação mais precisa. Achei que tinha sido um lance de falta, mas parece que torceu sozinho o tornozelo no gramado. Torcer para que não seja algo mais grave, que o tire do nosso convívio."

Roger também descreveu o efeito cascata da saída de Lucas: o zagueiro Alan Franco, que também sentiu dores durante a partida, permaneceu em campo no sacrifício porque todas as substituições já haviam sido efetuadas. O São Paulo terminou o jogo com dez jogadores, e o Bahia aproveitou para buscar o empate nos acréscimos.

"Ficamos com dez jogadores e, na prática, com um a menos, porque o Alan permaneceu no sacrifício, sem condições ideais", completou o treinador.

Ferreirinha, autor do segundo gol são-paulino, também confirmou a percepção de desfalque duplo ao falar com jornalistas após o apito final — a equipe jogou os minutos decisivos em desvantagem numérica e física simultânea.

O que dizem os números

O levantamento do SportNavo sobre o histórico recente de Lucas Moura expõe a dimensão do problema. Em menos de 14 meses, o camisa 7 acumulou três lesões graves: uma no tornozelo (ainda em 2025), as duas fraturas nas costelas em março de 2026 e agora a suspeita de ruptura do tendão de Aquiles em maio. O tempo total fora de campo nesse período ultrapassa 90 dias apenas nas duas últimas ocorrências.

O contrato de Lucas com o São Paulo vai até dezembro de 2026. Segundo o UOL, as conversas sobre renovação estavam em estágio inicial, com a diretoria adotando cautela — e isso era antes da nova lesão. Com uma ruptura total do Aquiles, o retorno aos gramados só ocorreria, no melhor cenário, em meados de 2027, quando o jogador já teria 34 anos e estaria sem vínculo com qualquer clube.

No mercado, o valor de transferência de Lucas Moura, que chegou a girar em torno de 3 milhões de euros em seu retorno ao Brasil em 2023, tende a ser reavaliado drasticamente após uma terceira lesão grave em sequência. Atacantes acima dos 33 anos com histórico de contusões recorrentes raramente conseguem contratos longos ou salários acima de R$ 500 mil mensais em clubes da Série A — faixa que o São Paulo já pratica com o jogador atualmente, segundo apuração do SportNavo.

O São Paulo ocupa a quarta colocação do Brasileirão com 24 pontos após 14 rodadas. O Bahia, adversário deste domingo, está em sexto com 22. A perda de Lucas afeta diretamente a capacidade ofensiva do Tricolor, que não tem substituto imediato com o mesmo perfil de criação e experiência no elenco atual.

O que dizem os envolvidos Quantas vezes o corpo de Lucas Moura vai
O que dizem os envolvidos Quantas vezes o corpo de Lucas Moura vai

O que digo eu sobre o quadro

Existe algo cruel na matemática das lesões de Lucas Moura: cada retorno foi mais curto do que o anterior, e cada nova contusão chegou mais cedo dentro da recuperação. Quarenta e cinco dias de trabalho para 24 minutos de jogo. Um tendão de Aquiles rompido não é apenas uma lesão muscular — é uma estrutura que, após cirurgia e reabilitação, raramente devolve ao atleta a explosão que tinha antes, especialmente em jogadores que já passaram dos 32 anos.

O São Paulo apostou na volta de Lucas como peça central da temporada. Não contratou substituto à altura durante a janela de transferências, e a dependência tática ficou exposta neste domingo: sem ele, o time terminou numericamente inferior e cedeu dois pontos que poderiam ser decisivos na briga pelo título brasileiro.

O diagnóstico definitivo sairá na madrugada desta segunda-feira (4). Se a ruptura for total, a cirurgia acontece nos próximos dias e o prazo de recuperação chega a 12 meses. Até dezembro de 2026, quando o contrato expira, haverá resposta concreta sobre se Lucas Moura ainda terá condições de jogar futebol profissional — e se o São Paulo vai querer, ou poder, esperar por isso.