Quantas vitórias consecutivas em Masters 1000 separam um dominador de um fenômeno geracional? Jannik Sinner, número 1 do ranking ATP, está construindo a resposta em quadra — e ela passa pelo saibro vermelho do Foro Italico, em Roma, nesta terça-feira, 12 de maio.
O caminho até essa resposta começou com 67 minutos de trabalho metódico. Em frente à torcida italiana que o trata como patrimônio nacional, Sinner desmontou o compatriota Andrea Pellegrino com parciais de 6/2 e 6/3, avançando às quartas de final do Masters 1000 de Roma sem conceder um único momento de real tensão ao adversário.
Como Sinner encerrou Pellegrino em dois sets
O primeiro set estabeleceu o tom com a frieza de um metrônomo. Sinner controlou as trocas de bola com profundidade cirúrgica, seu backhand cruzado cortando o ar com precisão milimétrica cada vez que Pellegrino tentava se instalar na diagonal. O placar de 6/2 não deixou margem para dúvida sobre a hierarquia entre os dois italianos.
No segundo set, Pellegrino tentou alterar o ritmo com variações de slice e aproximações à rede, chegando a equilibrar alguns games. O número 109 do mundo esboçou resistência, mas não conseguiu sustentar a pressão no saque do adversário. Sinner converteu os break points com economia de gestos e fechou em 6/3, sem necessidade de tiebreak nem de um único ace dramático — apenas tênis de alto rendimento executado com consistência.
"Jogar em Roma é sempre especial. A torcida me dá energia, mas preciso manter o foco ponto a ponto", disse Sinner após a partida, segundo relatos da imprensa italiana presente no Foro Italico.
A sequência de 31 vitórias que iguala Djokovic
Com esse resultado, Jannik Sinner alcançou 31 vitórias consecutivas em torneios Masters 1000, igualando a marca registrada por Novak Djokovic — o sérvio que por anos definiu o que significa dominar a categoria mais exigente do circuito abaixo dos Grand Slams. A sequência de Sinner atravessa diferentes superfícies e continentes, o que torna o número ainda mais robusto do que qualquer análise superficial sugere.
Na avaliação do SportNavo, a comparação com Djokovic não é apenas numérica. O sérvio construiu sua sequência em um período em que Federer e Nadal ainda disputavam títulos regularmente. Sinner está construindo a sua em uma era de transição, onde Alcaraz representa a única ameaça consistente ao seu posto — e mesmo assim, o italiano mantém a liderança do ranking com margem confortável.
"Sinner joga como se cada ponto fosse o match point de um Grand Slam", observou o ex-tenista e comentarista Mats Wilander em entrevista à Eurosport durante a cobertura do torneio romano.
O que o recorde de Djokovic representa como régua histórica
Djokovic estabeleceu sua sequência de 31 vitórias em Masters 1000 durante um dos períodos mais competitivos do tênis masculino, entre 2011 e 2013, quando conquistou títulos consecutivos em Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Roma e Madri. Igualar essa marca em 2026, com o nível técnico médio do circuito sensivelmente mais alto, posiciona Sinner em território onde muito poucos tenistas pisaram — Federer e Nadal incluídos.
A sequência atual do italiano inclui títulos em torneios de superfícies distintas, demonstrando adaptabilidade que vai além da especialização em saibro ou piso duro. Cada vitória adicionada ao contador transforma o recorde de uma coincidência estatística em um argumento sobre consistência estrutural.
O caminho de Sinner até a final em Roma
Nas quartas de final, Sinner aguarda o vencedor do confronto entre o russo Andrey Rublev e o georgiano Nikoloz Basilashvili. Rublev, atual 9º do ranking, representa o adversário de maior calibre que o italiano pode encontrar nessa fase — um tenista com potência de saque e forehand capazes de pressionar mesmo os melhores do mundo em dias inspirados.
A partida das quartas está prevista para quinta-feira, 14 de maio, no Campo Centrale do Foro Italico. Sinner chega à fase com o melhor aproveitamento do torneio — e com 31 razões para ser o favorito ao título. Está em Roma. Falta a taça.








