Em 2005, quando o Paulista de Jundiaí conquistou a Copa do Brasil e embolsou pouco mais de R$ 3 milhões, ninguém imaginava que a competição viraria a maior máquina de dinheiro do futebol nacional. Duas décadas depois, o campeão de 2026 pode acumular mais de R$ 101 milhões — um crescimento que transforma o torneio em peça central do orçamento de qualquer clube brasileiro, da Série A à Série D.

A Copa do Brasil 2026 chegou à quinta fase com a CBF tendo distribuído R$ 246 milhões entre todos os participantes — incluindo os eliminados nas primeiras rodadas. O valor considera os repasses desde a primeira fase, quando 28 clubes de menor ranking receberam R$ 400 mil cada só por entrar em campo.

A lógica do dinheiro fase a fase

Rápida como o trânsito da Avenida Paulista às 18h — e igualmente implacável para quem fica para trás. A estrutura de premiação da Copa do Brasil 2026 cresce de forma escalonada e pune duramente a eliminação precoce.

Os clubes da Série B que entraram na segunda fase receberam R$ 1,38 milhão, enquanto os times das divisões inferiores ficaram com R$ 830 mil. Na terceira fase, os valores subiram para R$ 1,53 mi (Série B) e R$ 950 mil (demais). Na quarta, chegaram a R$ 1,68 mi e R$ 1,07 mi, respectivamente. A partir da quinta fase, a tabela se iguala: R$ 2 milhões para todos os 32 participantes, independentemente da divisão.

O reajuste de 5% aplicado pela CBF com base no IPCA explica boa parte do crescimento histórico dos valores. Segundo o Portal do Gremista, que acompanha o planejamento financeiro dos clubes gaúchos, a competição "virou prioridade absoluta para clubes de todas as divisões do país" justamente por essa combinação de correção inflacionária e concentração de prêmios nas fases finais.

  • 1ª fase: R$ 400 mil (Grupo III)
  • 2ª fase: R$ 1,38 mi (Série B) / R$ 830 mil (demais)
  • 3ª fase: R$ 1,53 mi (Série B) / R$ 950 mil (demais)
  • 4ª fase: R$ 1,68 mi (Série B) / R$ 1,07 mi (demais)
  • 5ª fase: R$ 2 mi (todos)
  • Oitavas: R$ 3 mi | Quartas: R$ 4 mi | Semi: R$ 9 mi
  • Vice-campeão: R$ 34 mi | Campeão: R$ 78 mi

Quem acumulou mais antes mesmo das oitavas

Chegou a hora dos grandes entrarem — e de ver quanto os que vieram antes já guardaram no cofre.

Os clubes da Série B que percorreram o torneio desde a segunda fase chegaram à quinta fase com R$ 6,59 milhões acumulados. É o caso de Athletic Club, Fortaleza, Ceará, Atlético-GO, CRB e Operário Ferroviário — todos no Grupo II. Já times como Jacuipense, que vieram de divisões menores, somaram R$ 4,85 milhões antes mesmo de jogar a quinta fase.

O Paysandu e o Confiança, que entraram na terceira fase como campeões de Copa Verde e Copa do Nordeste, respectivamente, chegaram à quinta fase com R$ 4,02 milhões cada. O Barra, campeão da Série D e estreante na terceira fase, também construiu um caixa relevante ao avançar para a quinta etapa.

Os 20 clubes da Série A, que debutaram diretamente na quinta fase, partem do zero em termos de premiação acumulada — mas já garantiram os R$ 2 milhões da fase só por entrar em campo.

A lógica do dinheiro fase a fase Quanto cada clube já embolsou na Copa do
A lógica do dinheiro fase a fase Quanto cada clube já embolsou na Copa do

Cruzeiro, Fluminense e Internacional na frente

Três nomes já estão nas oitavas. Três contas bancárias já cresceram R$ 3 milhões a mais.

Cruzeiro, Fluminense e Internacional foram os primeiros classificados para as oitavas de final da Copa do Brasil 2026. O Cruzeiro eliminou o Goiás com empate de 2 a 2 fora e vitória por 1 a 0 no Mineirão. O Fluminense passou pelo Operário-PR com 0 a 0 na ida e 2 a 1 no Maracanã. O Internacional despachou o Athletic Club com vitórias nos dois jogos — 2 a 1 fora e 3 a 2 em casa.

Com a classificação, cada um dos três embolsou mais R$ 3 milhões da CBF, somando R$ 5 mi acumulados só nesta edição (R$ 2 mi da quinta fase + R$ 3 mi das oitavas). Se algum deles chegar ao título, pode ultrapassar a marca de R$ 101 milhões — o valor máximo possível para quem entra na quinta fase e conquista o troféu.

Por que a Copa do Brasil virou o torneio mais estratégico do Brasil

O levantamento que o SportNavo fez com base nos dados da CBF e dos portais especializados mostra que a diferença entre campeão e vice já é de R$ 44 milhões — R$ 78 mi contra R$ 34 mi. Uma diferença maior do que o orçamento anual inteiro de boa parte dos clubes da Série B.

Enquanto o Brasileirão distribui cotas ao longo de dez meses de competição, a Copa do Brasil entrega valores concentrados e crescentes a cada fase eliminatória. Para clubes com folha salarial pressionada e calendário lotado, isso muda o peso de cada jogo — financeiramente, uma vitória nas oitavas vale mais do que três rodadas de pontos corridos.

Quem acumulou mais antes mesmo das oitavas Quanto cada clube já embolsou na Copa
Quem acumulou mais antes mesmo das oitavas Quanto cada clube já embolsou na Copa

As oitavas de final ainda não têm data confirmada pela CBF, mas os confrontos serão definidos por sorteio após a conclusão da quinta fase. Cruzeiro, Fluminense e Internacional aguardam os adversários — e mais R$ 4 milhões estão em jogo para quem avançar às quartas.