59 milhões de euros já estão no bolso do Arsenal — e esse número é só o piso. A classificação para a final da Champions League, confirmada na terça-feira com a vitória por 1 a 0 sobre o Atlético de Madrid no Emirates Stadium, não é apenas um feito histórico depois de 20 anos de ausência nas decisões europeias. Ela representa uma injeção financeira que vai redesenhar o elenco de Mikel Arteta antes mesmo da bola rolar em Budapeste no dia 30 de maio.

A última vez que o Arsenal chegou aqui, Arteta era jogador

Em 2005/06, quando o Arsenal disputou sua única final de Champions League — perdendo para o Barcelona por 2 a 1 em Paris —, Mikel Arteta tinha 24 anos e atuava pelo Real Sociedad. Duas décadas se passaram, o futebol virou outro esporte em termos de dados e intensidade, e agora ele está do outro lado: no banco de reservas, com um time que venceu todos os jogos da fase de liga desta edição da competição. Nenhum outro clube conseguiu isso.

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Aquela campanha de 2006 foi construída sobre um Arsenal diferente — mais vertical, mais intuitivo, menos estruturado em métricas. O time de Arteta em 2025/26 é quase o oposto: alto PPDA (passes permitidos por ação defensiva) quando pressiona, volume consistente de progressive passes pelo corredor central e um xG acumulado na fase de grupos que poucos times europeus conseguiram replicar. A comparação histórica revela menos sobre o clube e mais sobre o quanto o jogo mudou — e o quanto o Arsenal soube acompanhar essa mudança.

A matemática da premiação que ninguém esperava ser tão grande

A UEFA distribuiu 2,47 bilhões de euros nesta edição da Champions League, e o Arsenal foi um dos clubes que mais acumulou ao longo da campanha. O detalhamento é o seguinte:

A última vez que o Arsenal chegou aqui, Arteta era jogador Quanto o Arsenal vai
A última vez que o Arsenal chegou aqui, Arteta era jogador Quanto o Arsenal vai
  • Fase de liga: 18,6 milhões (fixo) + 16,8 milhões (vitórias) = aproximadamente R$ 205,8 milhões
  • Oitavas de final: 11 milhões de euros (~R$ 64 milhões)
  • Quartas de final: 12,5 milhões de euros (~R$ 72,6 milhões)
  • Semifinal: 15 milhões de euros (~R$ 87,1 milhões)
  • Vaga na final garantida: 59 milhões de euros (~R$ 342,6 milhões)

Se o Arsenal vencer em Budapeste, o valor total sobe para 65,5 milhões de euros — cerca de R$ 380,3 milhões. O vice ainda rende 18,5 milhões adicionais. Ou seja, mesmo perdendo, o clube embolsa mais do que muitos times europeus arrecadam em uma temporada inteira de competições domésticas.

O detalhe que faz diferença aqui é justamente o desempenho na fase de liga: os 16,8 milhões em bônus por vitórias só existem porque o Arsenal ganhou todos os jogos daquela etapa. Nenhuma outra equipe chegou à final com esse retrospecto. Isso não é retórica — é dado de performance que se converte diretamente em caixa.

O que os números do jogo dizem que os olhos não viram contra o Atlético

A classificação não veio sem controvérsia. Wesley Sneijder, comentarista da Ziggo Sport e campeão da Champions com a Inter de Milão em 2009/10, foi direto ao ponto sobre a partida de volta:

"Francamente, foi entediante. Não teve nada a ver com uma semifinal. Faltou intensidade, criatividade e qualidade no ataque. Após 35 minutos, tive vontade de ligar para que a UEFA cancelasse o jogo, mandasse os jogadores saírem de campo e anunciasse que a final seria disputada entre Bayern de Munique e Paris Saint-Germain."

Dois chutes a gol para cada lado em 90 minutos. O xG do Arsenal na partida de volta ficou bem abaixo de 1,0 — o que, traduzindo para o português direto, significa que as chances criadas pelos Gunners não eram suficientes para justificar confiança ofensiva. Bukayo Saka marcou o único gol com um xA (expected assists) acumulado no jogo que indicava mais perigo do que o placar sugere, mas a verdade é que o Arsenal administrou o resultado do Emirates com eficiência fria, não com futebol bonito.

O PPDA do Arsenal na partida de volta foi mais alto do que o habitual — ou seja, o time pressionou menos, permitiu mais passes ao Atlético, e apostou no bloco baixo. Isso é escolha tática, não colapso técnico. Mas a crítica de Sneijder tem respaldo nos dados: o time que venceu todos os jogos da fase de liga mostrou um rosto completamente diferente quando o placar agregado favorecia a gestão.

Budapeste e o mercado de verão que começa agora

A final está marcada para 30 de maio, às 13h (horário de Brasília), na Puskás Aréna, em Budapeste. O adversário ainda não está definido: PSG e Bayern de Munique se enfrentam nesta quarta-feira (6) na Allianz Arena, com os franceses em vantagem mínima depois de vencer por 5 a 4 no Parque dos Príncipes — um jogo que foi o oposto em termos de espetáculo do que o Arsenal apresentou contra o Atlético.

Independentemente de quem vier, a janela de transferências de verão do Arsenal já começa com um orçamento diferente. Com 59 milhões de euros garantidos só da Champions — somados à receita de uma Premier League que o clube lidera em 2025/26 — o clube de Arteta entra no mercado com poder de compra real para reforçar posições que os dados apontam como gargalos: um centroavante com xG acima de 0,5 por 90 minutos e um volante com alto volume de progressive passes para cobrir a saída de bola quando o time pressiona alto. O dinheiro está no caixa. Budapeste decide se ele vem acompanhado de uma taça.