Não, João Pedro não é o atacante mais barato da lista do Barcelona. Mas é, segundo o jornal espanhol Sport, o nome que o clube catalão considera mais viável — o que diz muito sobre o estado atual do mercado de centroavantes de elite e sobre os limites financeiros que Deco precisa administrar nesta janela de verão.

A lacuna que Lewandowski deixa no Camp Nou

Robert Lewandowski encerrou seu ciclo no Barcelona ao fim da temporada 2025/2026. O polonês, que chegou ao clube em 2022 por aproximadamente €45 mi vindos do Bayern de Munique, deixa um vazio difícil de quantificar só pelo Transfermarkt: 106 gols em 147 jogos pelo clube, com salário estimado em €12 mi brutos por temporada. Substituir esse volume ofensivo exige dinheiro, perfil técnico específico e, acima de tudo, um mercado cooperativo — que raramente é.

Barcelona - Real Betis

O técnico Hansi Flick impôs critérios claros à diretoria: quer um centroavante com mobilidade para o jogo combinado, capaz de pressionar a saída de bola adversária e se mover entre linhas. Esse filtro eliminou nomes mais clássicos e jogou luz sobre três candidatos: Julián Álvarez, Omar Marmoush e João Pedro.

Por que Julián Álvarez saiu da conta

Julián Álvarez foi o primeiro nome avaliado. O argentino, hoje no Atlético de Madrid após deixar o Manchester City por €75 mi em 2024, tem valor de mercado estimado em €90 mi pelo Transfermarkt e salário próximo de €14 mi brutos anuais. A pedida do Atlético para negociá-lo ultrapassa €120 mi — número que o Barcelona, com fair play financeiro ainda monitorado pela La Liga, não consegue absorver sem comprometer outras contratações. O nome foi praticamente descartado pela diretoria blaugrana.

A comparação com o mercado de centroavantes da década passada é inevitável: em 2013, o próprio Barcelona contratou Neymar por €57,1 mi — valor que hoje não compra nem um atacante de segundo escalão europeu. O custo de reposição de um centroavante de alto nível triplicou em termos reais na última década, corrigido pela inflação do mercado de transferências mapeada pelo CIES Football Observatory.

João Pedro como plano A e a resistência do Chelsea

Com Álvarez fora do radar, o foco migrou para João Pedro. O brasileiro de 23 anos, contratado pelo Chelsea em 2023 por cerca de €30 mi vindos do Watford, tem valor de mercado atual estimado em €60 mi pelo Transfermarkt — mas o clube londrino não pensa em vendê-lo por esse patamar.

Fontes próximas à negociação indicam que o Chelsea exige ao menos €100 mi pelo atacante. Esse valor inclui o preço base da transferência, mas não contempla as comissões de intermediação — estimadas entre 5% e 8% do valor bruto do negócio — nem eventuais bônus por metas (gols, títulos, qualificação à Champions League). No total, a operação pode superar €110 mi desembolsados pelo Barcelona, considerando todos os custos de transação.

"O Barcelona passou a focar em João Pedro, desde que o Chelsea concorde em negociar e o valor da transferência seja acessível para os espanhóis", informou o jornal Sport.

O ROI projetado para uma compra nesse patamar exigiria que João Pedro mantivesse ou superasse os números da última temporada — 18 gols e 9 assistências pela Premier League — por pelo menos quatro anos, gerando valorização de mercado suficiente para uma futura venda ou renovação contratual acima dos €80 mi. A janela de amortização de um investimento dessa magnitude, considerando depreciação de valor de mercado após os 27 anos, é estreita.

O salário atual do atacante no Chelsea gira em torno de €6 mi brutos anuais. No Barcelona, a estrutura salarial comprimida pelo fair play exigiria uma negociação cuidadosa — provavelmente com luvas de assinatura para compensar eventual redução no salário fixo, prática comum em transferências de alto valor para clubes com restrições de folha.

Marmoush como alternativa real e o papel de Deco

Enquanto a negociação por João Pedro esbarra no preço, Omar Marmoush surge como alternativa concreta. O egípcio de 26 anos, contratado pelo Manchester City em janeiro de 2025 por €75 mi vindos do Eintracht Frankfurt, vive situação funcional desfavorável: é reserva de Erling Haaland e dificilmente mudará de status no esquema de Pep Guardiola.

Segundo o portal egípcio Win Win, Marmoush já decidiu descartar propostas da liga saudita e prefere permanecer competindo em ligas de alto nível da Europa.

O atacante e seus representantes devem se reunir com o Manchester City após o término da temporada, antes de se juntar à seleção egípcia para a Copa do Mundo. Essa janela de negociação é curta — aproximadamente duas a três semanas — o que pressiona o Barcelona a apresentar proposta formal em breve.

O SportNavo apurou que Deco vê em Marmoush não apenas uma opção mais barata, mas um perfil mais aderente ao sistema de Flick: versatilidade para atuar pelas duas pontas ou como centroavante, alta taxa de pressão e facilidade no jogo combinado em espaços reduzidos. O valor de mercado do egípcio é estimado em €65 mi pelo Transfermarkt — e o City, que pagou €75 mi há menos de seis meses, dificilmente aceita vender com prejuízo. A negociação, portanto, partiria de uma base mínima de €70 mi, tornando Marmoush financeiramente próximo de João Pedro, mas com menor resistência do clube vendedor.

A diferença estrutural entre as duas operações está na disposição dos clubes: o Manchester City demonstra abertura para negociar, enquanto o Chelsea ainda não sinalizou qualquer flexibilidade. Esse fator pode ser determinante para o desfecho da janela.

O Barcelona precisa fechar sua posição de centroavante antes do início da pré-temporada, prevista para a segunda semana de julho. A Copa do Mundo, que concentra parte dos jogadores-alvo entre junho e julho, comprime ainda mais o calendário de negociações — e torna cada semana de indefinição um custo real para o clube catalão.