— Mas o Palmeiras ainda recebe alguma coisa com o Endrick no Lyon?
— Não. Empréstimo não rende nada pro clube formador.
— Então perdeu dinheiro?

A pergunta do torcedor no bar tem uma resposta objetiva: sim. O Palmeiras deixou de acionar gatilhos contratuais que poderiam render até 12,5 milhões de euros — cerca de R$ 78 milhões — enquanto Endrick ficou parado no banco do Real Madrid e agora joga pelo Lyon até 30 de junho de 2026. Cada semana sem jogar no Bernabéu é dinheiro que não entra no caixa alviverde.

Real Madrid - Oviedo

O que o Palmeiras já embolsou com a venda de Endrick

O negócio foi fechado em dezembro de 2022 por um valor fixo de 35 milhões de euros, pagos em duas parcelas: metade em 2023 e a outra metade na chegada do atacante ao elenco merengue, em julho de 2024. Com os bônus por metas já cumpridas enquanto o jogador ainda estava no Brasil — 21 gols marcados e três convocações à seleção brasileira — o Palmeiras chegou a 55 milhões de euros líquidos, algo em torno de R$ 312 milhões. O Real Madrid também arcou com R$ 68 milhões em impostos, o que eleva o valor bruto da operação a 72 milhões de euros.

O que sobrou no contrato são 5 milhões de euros em bônus por performance no clube espanhol, equivalentes a R$ 28 milhões. Esse é o teto ainda disponível — e que está sendo corroído pelo calendário. Conforme apurou o SportNavo, as metas envolvem jogos como titular, gols, assistências, pênaltis sofridos e conquistas coletivas como La Liga e Champions League. A mais ambiciosa paga 2 milhões de euros caso Endrick seja eleito melhor jogador do mundo em qualquer premiação de peso.

O que o Palmeiras já embolsou com a venda de Endrick Quanto o Palmeiras deixou n
O que o Palmeiras já embolsou com a venda de Endrick Quanto o Palmeiras deixou n

As metas que o empréstimo ao Lyon congela de vez

O ponto central do problema é técnico e contratual ao mesmo tempo. As cláusulas de bônus só são válidas enquanto Endrick estiver atuando pelo Real Madrid — qualquer minuto jogado com a camisa do Lyon não aciona nenhum gatilho financeiro ao Palmeiras. Isso inclui a meta de 75 mil euros a cada partida como titular por ao menos 45 minutos, a de 35 mil euros por gol ou assistência e as bonificações por títulos, que exigem presença mínima em jogos da equipe espanhola.

O que para o torcedor argentino é uma joia vendida cedo demais, para o dirigente palmeirense é uma operação estruturada com precisão cirúrgica — mas a ausência de Endrick no Real Madrid expõe o risco inerente de qualquer contrato com metas atreladas à utilização do atleta. Xabi Alonso simplesmente não o escalou em nenhum minuto nesta temporada 2025/2026, e o empréstimo ao Lyon até 30 de junho de 2026 sela matematicamente o não cumprimento de boa parte dessas cláusulas.

As metas que o empréstimo ao Lyon congela de vez Quanto o Palmeiras deixou na me
As metas que o empréstimo ao Lyon congela de vez Quanto o Palmeiras deixou na me

O que ainda pode entrar nos cofres do Verdão antes de junho

Nem tudo está perdido. Algumas metas seguem tecnicamente ativas mesmo com o jogador emprestado. O prêmio de jovem revelação da temporada — no valor de 1 milhão de euros, equivalente a R$ 6,5 milhões — pode ser acionado independentemente de onde Endrick esteja atuando, desde que a conquista aconteça antes de 30 de junho de 2026, prazo final do empréstimo ao Lyon. O contrato original prevê validade das cláusulas até junho de 2030, mas a lógica operacional é simples: quem não joga não vence prêmios individuais de nível global.

O Lyon pagou 1 milhão de euros ao Real Madrid pelo empréstimo de seis meses — valor que não repassa nenhum centavo ao Palmeiras. O Verdão fecha o ciclo Endrick com R$ 312 milhões garantidos e uma janela de até R$ 28 milhões que dificilmente será aproveitada em sua totalidade. O contrato com o Real Madrid segue vigente até 2030, mas o relógio das metas corre contra um jogador que precisará, a partir de julho, convencer Xabi Alonso a colocá-lo em campo — e convencer rápido.