"O Ramón Sosa é um jogador que precisa de consistência, mas não temos dúvida de que vai nos ajudar. Temos que acreditar nesses jogadores. Essa é a minha função." A frase é de Abel Ferreira, dita em entrevista coletiva no final de 2025 — e ela carrega um peso diferente agora que Vitor Roque saiu de campo no Jacuipense x Palmeiras antes dos 20 minutos do primeiro tempo, com o tornozelo esquerdo destruído após um carrinho de Vicente Reis. A cirurgia foi confirmada. O retorno está previsto apenas após a Copa do Mundo, que encerra em julho. Sosa ganhou o palco — e Abel não vai mais poder dizer que precisa de paciência.
O que está em jogo já neste domingo contra o Bragantino
Na vitória por 3 a 0 sobre o Jacuipense, pela quinta fase da Copa do Brasil, Ramón Sosa marcou dois gols de pênalti e ainda balançou a rede outras duas vezes — lances anulados pela arbitragem. Foi a demonstração mais completa do paraguaio com a camisa alviverde em 2026. Se começar jogando contra o Red Bull Bragantino, neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro, engatará sua melhor sequência como titular no clube: cinco jogos seguidos no onze inicial. Para um jogador que passou boa parte da temporada saindo do banco, essa continuidade é o primeiro teste real de consistência que Abel exige.
Os números atuais de Sosa nesta temporada são de 5 gols e 4 assistências em 24 partidas — 11 como titular, 13 como reserva. Isso o coloca a apenas um gol de Vitor Roque (6 no total antes da lesão) e a cinco de Flaco López, artilheiro do Palmeiras com 10 tentos. A distância entre Sosa e López equivale, em termos de impacto ofensivo, à diferença entre um jogador que aparece e um que define. Fechar essa lacuna até o fim do Brasileirão é o desafio concreto que o paraguaio tem pela frente.
A virada que mudou o papel de Sosa no sistema de Abel Ferreira
A ascensão de Sosa não foi linear. Ele iniciou 2026 como titular, perdeu espaço com o crescimento de Maurício no meio-campo, e parecia destinado a um papel secundário. A virada aconteceu na estreia do Palmeiras na Copa Libertadores, quando saiu do banco contra o Junior Barranquilla, marcou o gol de empate e reconfigurou a dinâmica ofensiva da equipe naquela noite. A partir dali, Abel passou a usá-lo de forma mais centralizada — diferente da função pelos lados do campo que o paraguaio exercia antes de chegar ao Allianz Parque.
"Abel Ferreira foi determinante para a minha adaptação como camisa 9", declarou Sosa na zona mista do Allianz Parque, reconhecendo que a mudança de posição foi decisiva para seu crescimento no elenco.
A nova função exige mais do paraguaio em termos de referência no ataque, mas também o coloca em situações de finalização com mais frequência. Os 5 gols em 24 jogos são um número modesto quando se considera que ele atuou a maior parte do tempo como reserva. Projetando essa taxa para uma sequência de titular — o que o SportNavo acompanha rodada a rodada nesta reta final de Brasileirão — a matemática aponta para algo entre 8 e 11 gols se mantiver o aproveitamento das últimas quatro partidas.
O mapa da temporada muda se Sosa superar os 10 gols
Há um contra-argumento razoável aqui: Sosa tem histórico de irregularidade. Em 2025, disputou 29 jogos sem nunca se firmar como titular absoluto. Quem defende essa linha argumenta que o paraguaio é um jogador de impacto pontual, não de sequência. Os dados recentes, porém, contradizem essa leitura. Nas últimas quatro partidas como titular, Sosa somou 3 gols — o mesmo número que havia feito nas 20 aparições anteriores na temporada. A aceleração é estatisticamente relevante, não uma coincidência.
A diferença entre os 3 gols que Sosa tinha até a lesão de Vitor Roque e os 10 que precisaria marcar para entrar na disputa real pela artilharia é do tamanho do trecho entre Recife e São Paulo — parece intransponível no mapa, mas tem rotas conhecidas. O Palmeiras ainda disputará Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores até julho. São potencialmente 20 partidas pela frente antes do retorno do Tigrinho. Se Sosa mantiver a média das últimas quatro rodadas, os 10 gols não são meta impossível — são meta exigente.
Há ainda a questão física. Após o clássico contra o São Paulo — no qual Sosa marcou o gol decisivo no Morumbis —, o paraguaio foi diagnosticado com um edema na coxa esquerda e chegou a desfalcar o Palmeiras, sendo cortado da convocação do Paraguai para a Data Fifa. A recuperação avançou, e ele voltou a participar de parte dos treinos na Academia de Futebol, mas o episódio é um sinal de que o corpo do atleta precisa ser gerenciado com cuidado numa janela de alta demanda.
O Palmeiras é líder do Brasileirão com 29 pontos após 12 rodadas, seis à frente do Flamengo — margem confortável, mas não definitiva. A equipe enfrenta o Red Bull Bragantino neste domingo e, na sequência, viaja ao Rio de Janeiro para o confronto direto contra o clube carioca. Sosa entra nessa sequência como o atacante mais em forma do elenco — está pronto. Falta o palco confirmar.









