A última vez que um lateral-direito titular do Arsenal caiu lesionado às vésperas de uma final europeia, o clube ainda sonhava com o primeiro título continental. Hoje, o pesadelo tem nome e diagnóstico: Ben White sofreu ruptura parcial do ligamento colateral medial do joelho direito durante a vitória sobre o West Ham, no domingo passado, e está fora da final da Champions League contra o PSG — além de toda a reta final da Premier League.

A noite em que Ben White saiu e o Arsenal sentiu o vazio

Foram exatos 28 minutos de jogo quando White pediu substituição com dores no joelho. Martín Zubimendi entrou em seu lugar — uma posição improvisada para um volante construído para atuar no meio-campo. O Arsenal confirmou o diagnóstico nesta terça-feira (13): lesão grave, sem prazo de retorno para esta temporada 2025/2026. Segundo apuração do SportNavo, o defensor também dificilmente terá tempo suficiente de recuperação para a Copa do Mundo de 2026, torneio que marcava sua reintegração definitiva à seleção inglesa — ele havia marcado um gol em amistoso contra o Uruguai em março, seu primeiro gol pela Inglaterra após quase dois anos ausente.

A noite em que Ben White saiu e o Arsenal sentiu o vazio Quanto tempo o Arsenal
A noite em que Ben White saiu e o Arsenal sentiu o vazio Quanto tempo o Arsenal

O problema se soma a uma pilha de baixas na lateral direita dos Gunners. Jurrien Timber, titular da posição no início da temporada, também está fora por lesão. White havia assumido a vaga e foi peça-chave nas semifinais contra o Atlético de Madrid. Nos últimos três anos, o ex-Brighton acumulou cirurgia no joelho, recuperações prolongadas e desfalques recorrentes — um histórico que torna ainda mais amargo o momento escolhido pelo corpo para falhar.

As três opções que Arteta tem para tapar o buraco na final

Mikel Arteta enfrenta um quebra-cabeça tático com peças limitadas. A primeira alternativa é escalar Zubimendi improvisado na lateral — solução emergencial que sacrifica cobertura defensiva em troca de manter o espanhol no sistema. A segunda é apostar em Takehiro Tomiyasu, lateral japonês que atravessou a temporada alternando lesões e boas atuações pontuais, mas que tem experiência real na posição e conhece o sistema do clube. A terceira, mais radical, é uma mudança de esquema: recuar ao 3-4-3 com três zagueiros, liberando Ben Timber ou Jurrien White — não, invertendo: usando os recursos disponíveis na zaga central para cobrir a faixa direita com um sistema diferente.

O que para o torcedor inglês é uma crise de última hora, para qualquer observador do futebol sul-americano soa familiar: clubes como River Plate e Flamengo constroem planos B táticos para finais de Libertadores com frequência, adaptando esquemas em 72 horas quando titulares caem. A diferença é que Arteta terá de fazer isso em uma final de Champions, contra um PSG que conhece cada milímetro do sistema arsenal.

O que muda para Thomas Tuchel e a seleção inglesa

A lesão de White também reconfigurou os planos da Inglaterra para a Copa do Mundo de 2026. Thomas Tuchel havia reintegrado o defensor à seleção em março justamente para testá-lo como opção para o torneio. Com a ruptura ligamentar, o técnico alemão precisará recalibrar sua lista de laterais-direitos — Kyle Walker, com 35 anos, Reece James, com histórico de lesões, e Kieran Trippier surgem como nomes que voltam ao radar com mais urgência.

"Ben White havia retomado espaço com Tuchel recentemente e voltou a atuar pela Inglaterra em março, quando marcou um gol em amistoso contra o Uruguai após quase dois anos longe da seleção", confirmou a ESPN em nota sobre o impacto da lesão na convocação inglesa.

A final entre Arsenal e PSG está marcada para o final de maio. Arteta terá menos de duas semanas para definir sua solução, testá-la nos dois jogos restantes da Premier League — contra Burnley e Crystal Palace — e chegar a Budapeste com um plano que funcione. A última vez que um lateral-direito titular do Arsenal caiu lesionado às vésperas de uma decisão europeia, o clube ainda sonhava com o primeiro título continental. Hoje, o clube chega à final — e precisa resolver em dias o que levou meses para construir.