Sábado, 2 de maio de 2026. Aos 33 minutos do segundo tempo no Mineirão, Lyanco entrou com força em Bruno Rodrigues, recebeu o segundo cartão amarelo e saiu de campo xingando o árbitro Flávio Rodrigues de Souza. A sequência de decisões ruins em menos de dois minutos — a entrada imprudente e as ofensas verbais — pode custar ao Atlético-MG até 12 jogos sem um dos seus zagueiros mais utilizados no Brasileirão 2026.

O que Lyanco fez e o que o STJD vai julgar

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva denunciou o zagueiro em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O artigo 254 enquadra a "atuação temerária ou imprudente na disputa da jogada, ainda que sem intenção de causar dano ao adversário" — referência direta à entrada em Bruno Rodrigues que gerou o vermelho. O artigo 258 trata de "conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva", aplicado após o árbitro registrar em súmula os xingamentos proferidos por Lyanco:

"Você é muito fraco! Não apita p***** nenhuma, seu fraco!"
Como as penas são cumulativas e cada artigo prevê suspensão de um a seis jogos, o teto da punição chega a 12 partidas. O julgamento foi marcado para esta quinta-feira (7), às 11h, na sede da OAB em Fortaleza, pela 2ª Comissão Disciplinar do STJD.

Lyanco não foi o único alvo da procuradoria no clássico. Do lado do Cruzeiro, Kaiki foi denunciado no artigo 254 por entrada com a perna esquerda em Natanael, lance que resultou em vermelho direto após revisão do VAR aos 28 minutos do segundo tempo. Keny Arroyo acumulou denúncias nos artigos 250 e 258 — puxou Renan Lodi para levar o segundo amarelo, depois segurou o árbitro pelo braço e chutou uma grade na zona mista, atingindo um segurança. A soma pode render ao atacante até nove jogos de suspensão. Os próprios clubes também foram incluídos na pauta: o Atlético por atraso no retorno ao gramado para o segundo tempo, o Cruzeiro por arremesso de copos e uso de laser pela torcida.

O que Lyanco fez e o que o STJD vai julgar Quanto tempo o Atlético-MG pode ficar
O que Lyanco fez e o que o STJD vai julgar Quanto tempo o Atlético-MG pode ficar

O peso de Lyanco na defesa atleticana em 2026

Lyanco — que usou a camisa 13 no clássico — tem sido peça central no sistema de três zagueiros que o Atlético-MG vem utilizando no Brasileirão 2026. Antes da 14ª rodada, o Galo acumulava uma das melhores médias defensivas do campeonato entre os times do G-6, com o zagueiro participando de marcações em linha e saída de bola pelo lado direito da defesa. Para efeito de comparação, o Atlético sofreu menos gols nas rodadas em que Lyanco completou os 90 minutos do que nas partidas em que foi poupado ou substituído — um dado que o departamento de análise do clube certamente já mapeou para a reunião de planejamento desta semana.

A ausência de um zagueiro titular por 12 jogos equivale a aproximadamente um terço do turno restante do Brasileirão — um buraco considerável para qualquer time que ambiciona o G-4 e uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2027. O técnico do Atlético terá de reorganizar o setor defensivo com as opções disponíveis no elenco, sendo Guilherme Arana e Edu alternativas possíveis para compor a linha de três, dependendo do esquema adotado.

O que muda no Galo e qual é o próximo passo jurídico

A defesa de Lyanco tem espaço para atuar no processo. O CBJD permite que a pena seja reduzida se o tribunal entender que as infrações foram de menor gravidade ou que houve provocação anterior — argumento que os advogados do atleta devem explorar, especialmente em relação ao artigo 258, onde o contexto emocional pós-expulsão pode ser apresentado como atenuante. Uma suspensão de quatro a seis jogos, em vez do teto de 12, já seria considerada uma vitória parcial pela comissão jurídica do clube.

O Atlético-MG — que venceu o clássico por 3 a 1 e segue pressionando o topo da tabela — enfrenta agora um dilema tático concreto: manter a linha de três zagueiros sem o titular ou adaptar o esquema para uma linha de quatro, onde as peças de reposição se encaixam com mais naturalidade. A decisão do STJD desta quinta-feira definirá o tamanho do estrago. Se a pena máxima for aplicada, Lyanco só retornaria ao time em meados de julho, já na segunda metade do Brasileirão, quando a pressão por pontos costuma ser mais intensa e a margem para erros, menor.