Quantos jogadores colombianos o futebol brasileiro está exportando para uma Copa do Mundo sem sequer perceber? A pergunta parece simples. A resposta, quando você coloca os números na mesa, revela algo que vai muito além de uma lista de 55 nomes divulgada nesta quinta-feira (14) pelo técnico Néstor Lorenzo.
A Copa do Mundo de 2026 está a pouco mais de um mês de distância, e a Colômbia já sabe onde quer chegar: classificada no Grupo K ao lado de Portugal, RD Congo e Uzbequistão, a seleção estreia no dia 17 de junho contra os uzbeques, na Cidade do México. Para essa missão, Lorenzo montou uma pré-lista que funciona como um raio-X involuntário do mercado sul-americano — e o Brasil aparece como o maior fornecedor individual de jogadores para o elenco colombiano.
O Brasileirão como celeiro colombiano
Treze dos 55 nomes pré-convocados por Lorenzo atuam no futebol brasileiro. Vasco e Athletico-PR lideram com três representantes cada: os cariocas têm Carlos Cuesta, Andrés Gómez e Johan Rojas; os paranaenses aparecem com Portilla, Stiven Mendoza e Viveros. O Internacional contribui com Johan Carbonero e Rafael Santos Borré; o Palmeiras entra com Jhon Arias; o Botafogo com Jordan Barrera; o Flamengo com Jorge Carrascal; o Coritiba com Sebastián Gómez; e o Cruzeiro com Villarreal. São seis clubes brasileiros diferentes representados — dado que evidencia a capilaridade do Brasileirão como destino relevante para talentos da região.
Não há tragédia: há contabilidade. Cada um desses 13 jogadores escolheu o Brasil por razões que combinam projeto esportivo, salário competitivo e visibilidade continental. O futebol brasileiro segue sendo uma vitrine funcional para atletas que precisam manter-se no radar de seleções nacionais. Jhon Arias, no Palmeiras, e Carrascal, no Flamengo, são os nomes de maior projeção na lista entre os que atuam aqui.
Os números de Roger Martínez que Lorenzo ignorou
Decidiu. E essa decisão gerou a maior polêmica da pré-lista: Roger Martínez, de 31 anos, ficou fora dos 55 nomes apesar de viver a melhor fase de sua carreira recente. O atacante do Al-Taawoun acumula 22 gols em 30 jogos na liga saudita nesta temporada, sendo o quarto maior artilheiro da competição. Números que, em qualquer análise objetiva, justificariam ao menos uma presença na pré-lista.
"Não sabe um c***", escreveu Roger Martínez em suas redes sociais, dirigindo a frase diretamente a Néstor Lorenzo após a divulgação da lista.
A reação do jogador, embora agressiva na forma, tem lastro estatístico no conteúdo. Atacantes com 22 gols em 30 jogos não são comuns em nenhuma liga do mundo — e a liga saudita, embora não seja Premier League, é uma competição profissional com nomes de alto nível. A ausência de Martínez da pré-lista indica que Lorenzo priorizou critérios táticos e de relacionamento acima da forma momentânea. Certo ou errado, é uma escolha técnica legítima — mas que o treinador terá de justificar publicamente nos próximos dias.
O que a lista revela sobre a Colômbia de Lorenzo
A pré-lista colombiana também traz nomes de peso fora do Brasil. Luis Díaz, peça central no Bayern de Munique nesta temporada europeia 2025/2026, aparece entre os principais destaques ofensivos. James Rodríguez, aos 34 anos, segue na relação mesmo atuando pelo Minnesota United, nos Estados Unidos — sinal de que Lorenzo ainda enxerga no camisa 10 histórico algum valor para o torneio. Dávinson Sánchez (Galatasaray), Daniel Muñoz (Crystal Palace) e Mosquera (Wolverhampton) reforçam uma linha defensiva com experiência europeia consistente.
"A convocação reflete um grupo maduro, com jogadores que entendem o que é representar a Colômbia numa Copa do Mundo", afirmou Lorenzo em declaração à imprensa colombiana após a divulgação da lista.
A lista final será reduzida antes da estreia de 17 de junho. Os cortes que Lorenzo terá de fazer — saindo de 55 para o grupo definitivo — provavelmente definirão se Roger Martínez recebe uma segunda chance ou se a porta se fecha de vez. Por ora, a Colômbia se apresenta como uma seleção equilibrada, com dois terços dos pré-convocados atuando fora da América do Sul — e com o Brasil, discretamente, como o maior parceiro continental nessa construção.









